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O desenvolvimento do Brasil baseado em recursos naturais : efeitos dinâmicos do aumento dos preços mundiais de Commodities na especialização e equilíbrio externo do Brasil

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Resumo:O efeito da descoberta de novos recursos naturais ou de uma súbita valorização dos mesmos na especialização e concentração das exportações de um país, e os efeitos adversos na competitividade que gera são um tema há muito discutido pela teoria e trabalhos empíricos. Neste estudo, pretendemos avaliar o modelo de desenvolvimento e de afirmação internacional da economia brasileira, baseado na expansão das exportações de recursos naturais. Pretendemos estudar qual o contributo do recente ciclo de aumento do preço Commodities no Brasil para o aumento das exportações, e em que medida este foi acompanhado pela valorização da moeda e pela perda de competitividade e capacidade exportadora noutros sectores em que o Brasil se vinha a afirmar. É feita uma análise Shift-Share sobre as exportações brasileiras no período 2000-2012, com o objectivo de identificar quais as variáveis que contribuíram para os ganhos de Comércio Internacional do país, e quais as suas implicações para o futuro. Dividindo o período em dois, 2000-2006 e 2006-2012, são verificadas duas realidades bem diferentes na estrutura das exportações Brasileiras. Apesar de no primeiro período, o Brasil ter uma estrutura de exportações relativamente diversificada, onde a indústria tinha de facto alguma influência na variação positiva no aumento das exportações, no segundo período observamos que o aumento das exportações é influenciado principalmente pelas Commodities, representando estas quase 90% do aumento das exportações totais brasileiras. Neste segundo período, só a variação positiva do preço médio das Commodities, representa 65,89% do total da variação das exportações brasileiras. Neste sentido podemos dizer que, aliado a uma perda significativa de importância dos Produtos Manufacturados (de Baixa e Alta Tecnologia), esta clara concentração das exportações em Recursos Naturais sugere a existência de um fenómeno de Dutch Disease no Brasil, no período 2006-2012. A concentração das exportações e a sua variação ter sido centrada em aumentos de preço e não de quantidade sugere riscos de volatilidade, e alguma vulnerabilidade do Brasil face a potenciais variações de preços internacionais das Commodities. Para avaliar a magnitude destes riscos são elaboradas diversas hipóteses com diferentes preços médios para as quantidades exportadas em 2012 de oito grupos de Commodities que ao verem o seu preço a variar negativamente, podem influenciar de uma maneira severa os ganhos provenientes das Exportações Brasileiras. Deste estudo concluímos que o aumento de preço das Commodities tendo sido a principal causa de crescimento das exportações brasileiras levou a uma concentração das exportações que coloca riscos e pode ter sido o factor que conduziu à valorização da moeda e a perda de competitividade dos sectores industriais, em particular de maior exigência tecnológica. A existência de uma estrutura de Exportações Brasileiras mais diversificada, com uma Indústria mais competitiva, contribui para a redução dos riscos provenientes de choques internacionais e da volatilidade de preços internacionais das Commodities.
Autores principais:Lopes, Luiz Paulo Costa
Assunto:Desenvolvimento Crescimento económico Exportações Diversificação de exportações Commodities Development Economic growth Exports Export diversification Commodities Ciências Sociais::Economia e Gestão
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O efeito da descoberta de novos recursos naturais ou de uma súbita valorização dos mesmos na especialização e concentração das exportações de um país, e os efeitos adversos na competitividade que gera são um tema há muito discutido pela teoria e trabalhos empíricos. Neste estudo, pretendemos avaliar o modelo de desenvolvimento e de afirmação internacional da economia brasileira, baseado na expansão das exportações de recursos naturais. Pretendemos estudar qual o contributo do recente ciclo de aumento do preço Commodities no Brasil para o aumento das exportações, e em que medida este foi acompanhado pela valorização da moeda e pela perda de competitividade e capacidade exportadora noutros sectores em que o Brasil se vinha a afirmar. É feita uma análise Shift-Share sobre as exportações brasileiras no período 2000-2012, com o objectivo de identificar quais as variáveis que contribuíram para os ganhos de Comércio Internacional do país, e quais as suas implicações para o futuro. Dividindo o período em dois, 2000-2006 e 2006-2012, são verificadas duas realidades bem diferentes na estrutura das exportações Brasileiras. Apesar de no primeiro período, o Brasil ter uma estrutura de exportações relativamente diversificada, onde a indústria tinha de facto alguma influência na variação positiva no aumento das exportações, no segundo período observamos que o aumento das exportações é influenciado principalmente pelas Commodities, representando estas quase 90% do aumento das exportações totais brasileiras. Neste segundo período, só a variação positiva do preço médio das Commodities, representa 65,89% do total da variação das exportações brasileiras. Neste sentido podemos dizer que, aliado a uma perda significativa de importância dos Produtos Manufacturados (de Baixa e Alta Tecnologia), esta clara concentração das exportações em Recursos Naturais sugere a existência de um fenómeno de Dutch Disease no Brasil, no período 2006-2012. A concentração das exportações e a sua variação ter sido centrada em aumentos de preço e não de quantidade sugere riscos de volatilidade, e alguma vulnerabilidade do Brasil face a potenciais variações de preços internacionais das Commodities. Para avaliar a magnitude destes riscos são elaboradas diversas hipóteses com diferentes preços médios para as quantidades exportadas em 2012 de oito grupos de Commodities que ao verem o seu preço a variar negativamente, podem influenciar de uma maneira severa os ganhos provenientes das Exportações Brasileiras. Deste estudo concluímos que o aumento de preço das Commodities tendo sido a principal causa de crescimento das exportações brasileiras levou a uma concentração das exportações que coloca riscos e pode ter sido o factor que conduziu à valorização da moeda e a perda de competitividade dos sectores industriais, em particular de maior exigência tecnológica. A existência de uma estrutura de Exportações Brasileiras mais diversificada, com uma Indústria mais competitiva, contribui para a redução dos riscos provenientes de choques internacionais e da volatilidade de preços internacionais das Commodities.