Publicação
Pandemia e dinâmica social: urgências, impasses e incertezas
| Resumo: | [Excerto] O surto pandémico que se atravessou nas nossas vidas, que as modificou de forma tão inesperada, coloca-nos desafios de natureza muito diversa. Exigiu, e exige ainda, respostas imediatas por parte dos sistemas de saúde dos diferentes países e a mais ampla mobilização da ciência na busca das soluções terapêuticas mais adequadas ao seu combate. Também a gestão política e social da crise sanitária exigiu rapidez de intervenção, tanto na definição dos serviços essenciais e na aplicação das regras de confinamento e desconfinamento, quanto na implementação de instrumentos de apoio direto e indireto a cidadãos e a empresas em dificuldade. Esta urgência, necessária e inevitável, não deve, no entanto, absorver todo o debate. A forma como surgiu, como se expandiu e como promete persistir por força dos danos que gerou, faz do SARS-CoV-2 um bom ponto de partida para pensarmos e nos interrogarmos acerca de algumas das dinâmicas da contemporaneidade. Como antropólogo, interessam-me mais as interrogações e as dúvidas que a avaliação da justeza ou do erro das respostas dadas em situação de urgência. Nesse sentido, o que aqui escreverei será guiado pela convicção de que também a incerteza pode ser fecunda, sobretudo numa matéria motivada por um vírus que não se vê, mas que promete não deixar nada intocado. [...] |
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| Autores principais: | Cunha, Luís |
| Assunto: | COVID-19 Pandemia Ciências Sociais::Sociologia |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | [Excerto] O surto pandémico que se atravessou nas nossas vidas, que as modificou de forma tão inesperada, coloca-nos desafios de natureza muito diversa. Exigiu, e exige ainda, respostas imediatas por parte dos sistemas de saúde dos diferentes países e a mais ampla mobilização da ciência na busca das soluções terapêuticas mais adequadas ao seu combate. Também a gestão política e social da crise sanitária exigiu rapidez de intervenção, tanto na definição dos serviços essenciais e na aplicação das regras de confinamento e desconfinamento, quanto na implementação de instrumentos de apoio direto e indireto a cidadãos e a empresas em dificuldade. Esta urgência, necessária e inevitável, não deve, no entanto, absorver todo o debate. A forma como surgiu, como se expandiu e como promete persistir por força dos danos que gerou, faz do SARS-CoV-2 um bom ponto de partida para pensarmos e nos interrogarmos acerca de algumas das dinâmicas da contemporaneidade. Como antropólogo, interessam-me mais as interrogações e as dúvidas que a avaliação da justeza ou do erro das respostas dadas em situação de urgência. Nesse sentido, o que aqui escreverei será guiado pela convicção de que também a incerteza pode ser fecunda, sobretudo numa matéria motivada por um vírus que não se vê, mas que promete não deixar nada intocado. [...] |
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