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O largo da Mumadona: história, desenho e evolução da sua importância na estrutura urbana de Guimarães

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Resumo:Se o burgo de Guimarães cresce, desde o primeiro quartel do século X, numa bipolarização entre castelo e mosteiro, a rua que liga a Vila Alta à Vila Baixa marca um primeiro eixo de crescimento que prolonga para norte/nascente (na direção de S. Torcato e Chaves) e para sul/poente, na direção de Vila do Conde, Santo Tirso e Porto. Até ao século XIX, este é o principal eixo que vai estruturando o crescimento urbano, mesmo quando a bipolaridade inicial da cidade desaparece. Depois de, em 1853, a Rainha D. Maria II conceder o título de cidade a Guimarães, surge um primeiro plano urbanístico da autoria do Eng. Almeida Ribeiro, professor de Arquitectura Civil e Naval da Academia Portuguesa de Belas Artes, que não previa qualquer área de expansão, apenas intervenções no existente. Assim, o primeiro contributo para o crescimento planeamento da cidade surge na sequência do concurso para os novos Paços Municipais, que Marques da Silva ganha em 1916. Em 1923, é decidida a sua construção noutro local: na confluência da rua de Serpa Pinto com a estrada de Fafe. O projeto de implantação, que incluía o desenho de uma praça para a qual convergiam várias vias, é aprovado em 1924. No ano seguinte é apresentado o Plano Geral de Alargamento da Cidade do Capitão Luís de Pina, que prevê a criação de uma zona de expansão urbana em torno do novo edifício da Câmara Municipal, que se encontrava já em construção: confluíam para aí três avenidas, num desenho em forma de pata de ganso que se articulava com os arruamentos pré-existentes. Este traçado lembra o desenho barroco da praça Del Popolo (em Roma) e as triangulações do plano de Haussman para Paris, mas está também claramente referenciado a Guimarães: a avenida Alberto Sampaio corre paralela ao único pano da muralha que sobreviveu às demolições do século XIX, a avenida Cónego Gaspar aponta ao alto da colina da Penha, a avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro, traça a bissetriz do ângulo formado pelas outras duas e a rua José Sampaio, que remata o triângulo, aponta ao convento de Sta. Marinha da Costa. O edifício dos Paços Municipais nunca foi concluído (em seu lugar, foi edificado o Palácio de Justiça de Guimarães, inaugurado em 1960 segundo o projeto elaborado por Luís Benavente) mas a nova praça vai continuar a ser uma peça central na cidade: a sua importância é evidente nos Planos de Urbanização da Cidade de Guimarães desenvolvidos por David Moreira da Silva e Maria José Marques da Silva (1955) e Fernando Távora (1982). A recente construção de um parque de estacionamento subterrâneo nesta praça, com projeto de Álvaro Siza Vieira, vem de novo reforçar a importância que este espaço detém na dinâmica urbana de Guimarães. Com este trabalho, pretende-se aprofundar a análise da evolução do desenho deste espaço em função da sua articulação com a estrutura urbana da cidade, de 1925 aos nossos dias.
Autores principais:Fernandes, Eduardo
Assunto:Mumadona Guimarães Marques da Silva Luís de Pina Humanidades::História e Arqueologia Humanidades::Artes
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:comunicação em conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Se o burgo de Guimarães cresce, desde o primeiro quartel do século X, numa bipolarização entre castelo e mosteiro, a rua que liga a Vila Alta à Vila Baixa marca um primeiro eixo de crescimento que prolonga para norte/nascente (na direção de S. Torcato e Chaves) e para sul/poente, na direção de Vila do Conde, Santo Tirso e Porto. Até ao século XIX, este é o principal eixo que vai estruturando o crescimento urbano, mesmo quando a bipolaridade inicial da cidade desaparece. Depois de, em 1853, a Rainha D. Maria II conceder o título de cidade a Guimarães, surge um primeiro plano urbanístico da autoria do Eng. Almeida Ribeiro, professor de Arquitectura Civil e Naval da Academia Portuguesa de Belas Artes, que não previa qualquer área de expansão, apenas intervenções no existente. Assim, o primeiro contributo para o crescimento planeamento da cidade surge na sequência do concurso para os novos Paços Municipais, que Marques da Silva ganha em 1916. Em 1923, é decidida a sua construção noutro local: na confluência da rua de Serpa Pinto com a estrada de Fafe. O projeto de implantação, que incluía o desenho de uma praça para a qual convergiam várias vias, é aprovado em 1924. No ano seguinte é apresentado o Plano Geral de Alargamento da Cidade do Capitão Luís de Pina, que prevê a criação de uma zona de expansão urbana em torno do novo edifício da Câmara Municipal, que se encontrava já em construção: confluíam para aí três avenidas, num desenho em forma de pata de ganso que se articulava com os arruamentos pré-existentes. Este traçado lembra o desenho barroco da praça Del Popolo (em Roma) e as triangulações do plano de Haussman para Paris, mas está também claramente referenciado a Guimarães: a avenida Alberto Sampaio corre paralela ao único pano da muralha que sobreviveu às demolições do século XIX, a avenida Cónego Gaspar aponta ao alto da colina da Penha, a avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro, traça a bissetriz do ângulo formado pelas outras duas e a rua José Sampaio, que remata o triângulo, aponta ao convento de Sta. Marinha da Costa. O edifício dos Paços Municipais nunca foi concluído (em seu lugar, foi edificado o Palácio de Justiça de Guimarães, inaugurado em 1960 segundo o projeto elaborado por Luís Benavente) mas a nova praça vai continuar a ser uma peça central na cidade: a sua importância é evidente nos Planos de Urbanização da Cidade de Guimarães desenvolvidos por David Moreira da Silva e Maria José Marques da Silva (1955) e Fernando Távora (1982). A recente construção de um parque de estacionamento subterrâneo nesta praça, com projeto de Álvaro Siza Vieira, vem de novo reforçar a importância que este espaço detém na dinâmica urbana de Guimarães. Com este trabalho, pretende-se aprofundar a análise da evolução do desenho deste espaço em função da sua articulação com a estrutura urbana da cidade, de 1925 aos nossos dias.