Publicação
Valorização de resíduos têxteis
| Resumo: | O Vale do Ave é uma região em que predomina o sector têxtil, cujas empresas enviam ainda uma quantidade considerável de resíduos resultantes dos seus processos de fabrico para aterros sanitários, nomeadamente resíduos de algodão. Este estudo focou-se apenas nas empresas com produção de fio de algodão, quer fiações, quer empresas verticais com a actividade de Fiação incluída, estimando-se a quantidade de cerca de 3 000 toneladas/ano do resíduo resultante da limpeza do algodão com destino a aterro e um custo médio de 250 000 €/ano. Foram efectuados testes a dois resíduos distintos fornecidos pela empresa Domingos de Sousa & Filhos S. A. (DSF), ambos com um teor de humidade muito baixo e também uma densidade muito pequena, com o intuito de encontrar uma solução integrada de valorização, evitando assim a actual deposição em aterro e promovendo o seu aproveitamento por outras empresas. Foram analisadas soluções para estes materiais, como a co-compostagem ou a estabilização aeróbia dos digeridos dos processos de biometanização (digestão anaeróbia), em que funcionariam como material estruturante e absorvente, a incorporação em materiais de construção como alternativa aos tradicionalmente usados, de forma a reduzir a quantidade de cimento e gesso, obtendo materiais mais leves e económicos, ou em menor escala, a incorporação em substrato para a produção de cogumelos ou a utilização como matéria-prima na produção de papel de algodão. Fez-se também um pequeno estudo exploratório de co-digestão anaeróbia. Os testes realizados à biodegradibilidade revelaram que o desempenho dos microorganismos aeróbios na degradação destes resíduos em conjunto com resíduos de alimentos foi bastante positivo, formando-se o composto em 2/3 meses. Já o desempenho dos microorganismos anaeróbios não foi tão satisfatório, dada a lentidão do processo, no entanto, os resíduos revelaram-se biodegradáveis e com um bom potencial em termos de produção de metano. Nos ensaios de incorporação em materiais de construção, os resultados obtidos relativamente à flexão e compressão, mostram que estes resíduos têm potencial para serem usados em materiais para aplicações não estruturais, como acabamentos, divisórias, tectos falsos, etc. Neste tipo de ensaios, foram também usados outros resíduos sem potencial para biodegradação, como o cotão de algumas secções da DSF, sendo os resultados obtidos igualmente positivos. Finalmente, no contacto estabelecido com uma empresa produtora de papel de algodão, testou-se a produção de papel a partir dos resíduos estudados, sendo os resultados positivos, mas não viáveis economicamente, dada a localização da empresa. Relativamente ao contacto com uma empresa produtora de cogumelos, esta encontra-se ainda a realizar testes aos resíduos da DSF, mas só a partir de 2010 terá capacidade produtiva para começar a incorporá-los em substrato. No entanto, por intermédio desta empresa, foi contactada também a empresa SIRO – Sistemas Integrados de Reciclagem Orgânica, a qual se mostrou interessada e já começou a recolher os resíduos para a produção de fertilizante. Assim, foi encontrada uma solução de valorização pontual, apenas para a DSF, a qual já pediu também a desclassificação destes materiais como resíduos, ao abrigo da Directiva 2008/98/CE, para que possam no futuro ser classificados como sub-produtos. Apesar de encontrada uma solução pontual, sendo objectivo deste estudo encontrar uma solução mais abrangente, a nível da região do vale do Ave, as soluções deixadas aqui terão de ser analisadas caso a caso, sendo ainda de destacar a necessidade de dar continuidade a este trabalho nalguns pontos não explorados. |
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| Autores principais: | Silva, Anabela Neves da |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O Vale do Ave é uma região em que predomina o sector têxtil, cujas empresas enviam ainda uma quantidade considerável de resíduos resultantes dos seus processos de fabrico para aterros sanitários, nomeadamente resíduos de algodão. Este estudo focou-se apenas nas empresas com produção de fio de algodão, quer fiações, quer empresas verticais com a actividade de Fiação incluída, estimando-se a quantidade de cerca de 3 000 toneladas/ano do resíduo resultante da limpeza do algodão com destino a aterro e um custo médio de 250 000 €/ano. Foram efectuados testes a dois resíduos distintos fornecidos pela empresa Domingos de Sousa & Filhos S. A. (DSF), ambos com um teor de humidade muito baixo e também uma densidade muito pequena, com o intuito de encontrar uma solução integrada de valorização, evitando assim a actual deposição em aterro e promovendo o seu aproveitamento por outras empresas. Foram analisadas soluções para estes materiais, como a co-compostagem ou a estabilização aeróbia dos digeridos dos processos de biometanização (digestão anaeróbia), em que funcionariam como material estruturante e absorvente, a incorporação em materiais de construção como alternativa aos tradicionalmente usados, de forma a reduzir a quantidade de cimento e gesso, obtendo materiais mais leves e económicos, ou em menor escala, a incorporação em substrato para a produção de cogumelos ou a utilização como matéria-prima na produção de papel de algodão. Fez-se também um pequeno estudo exploratório de co-digestão anaeróbia. Os testes realizados à biodegradibilidade revelaram que o desempenho dos microorganismos aeróbios na degradação destes resíduos em conjunto com resíduos de alimentos foi bastante positivo, formando-se o composto em 2/3 meses. Já o desempenho dos microorganismos anaeróbios não foi tão satisfatório, dada a lentidão do processo, no entanto, os resíduos revelaram-se biodegradáveis e com um bom potencial em termos de produção de metano. Nos ensaios de incorporação em materiais de construção, os resultados obtidos relativamente à flexão e compressão, mostram que estes resíduos têm potencial para serem usados em materiais para aplicações não estruturais, como acabamentos, divisórias, tectos falsos, etc. Neste tipo de ensaios, foram também usados outros resíduos sem potencial para biodegradação, como o cotão de algumas secções da DSF, sendo os resultados obtidos igualmente positivos. Finalmente, no contacto estabelecido com uma empresa produtora de papel de algodão, testou-se a produção de papel a partir dos resíduos estudados, sendo os resultados positivos, mas não viáveis economicamente, dada a localização da empresa. Relativamente ao contacto com uma empresa produtora de cogumelos, esta encontra-se ainda a realizar testes aos resíduos da DSF, mas só a partir de 2010 terá capacidade produtiva para começar a incorporá-los em substrato. No entanto, por intermédio desta empresa, foi contactada também a empresa SIRO – Sistemas Integrados de Reciclagem Orgânica, a qual se mostrou interessada e já começou a recolher os resíduos para a produção de fertilizante. Assim, foi encontrada uma solução de valorização pontual, apenas para a DSF, a qual já pediu também a desclassificação destes materiais como resíduos, ao abrigo da Directiva 2008/98/CE, para que possam no futuro ser classificados como sub-produtos. Apesar de encontrada uma solução pontual, sendo objectivo deste estudo encontrar uma solução mais abrangente, a nível da região do vale do Ave, as soluções deixadas aqui terão de ser analisadas caso a caso, sendo ainda de destacar a necessidade de dar continuidade a este trabalho nalguns pontos não explorados. |
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