Publicação
Promoção e Educação para a Saúde em Meio Escolar (PEpS-ME): das políticas (de saúde e educação) às práticas
| Resumo: | Promoção e Educação para a Saúde em Meio Escolar propicia a relação estreita entre o setor da saúde e da educação em prol da implementação de programas e projetos de promoção e educação para a saúde para toda a comunidade educativa. Este estudo pretende dar resposta à seguinte questão central: será que em Portugal o setor da saúde e o da educação se articulam devidamente para proporcionar uma efetiva PEpS-ME? Os objetivos específicos do estudo são: i) investigar a articulação entre os sectores da Saúde e a da Educação ao nível dos documentos legais, de forma a compreender quais os contributos de ambos para a PEpS-ME; ii) conhecer os processos de implementação de programas de PEpS-ME a partir dos profissionais de saúde e da educação; iii) identificar as perceções dos alunos e dos pais e encarregados de educação (EE) relativamente às práticas de PEpS-ME; iv) identificar os fatores críticos na implementação de programas de PEpS-ME; e v) comparar as políticas e as práticas dos setores da saúde e da educação na implementação de programas de PEpS-ME. Este trabalho resultou da combinação de três estudos. Num primeiro estudo, pretendeu-se analisar a articulação entre os sectores da Saúde e a da Educação ao nível dos documentos legais, recorrendo ao estudo documental, através da análise de conteúdo, de forma a compreender quais os contributos e as diretrizes ministeriais de ambos os setores para a PEpS-ME. No segundo estudo foram aplicados questionários a alunos do 9º ano de escolaridade e respetivos pais/EE do concelho de Braga, de forma a compreender as sua perceções, comportamentos e atitudes, relativos à PEpS-ME. Por fim, no terceiro estudo foram realizadas entrevistas semiestruturadas a diretores dos agrupamentos de escolas e professores coordenadores da Equipa de Educação para a Saúde (EES), a professores ativos na prática de programas e projetos de PEpS-ME e a enfermeiros de Saúde Escolar de forma a indagar se as escolas estarão a implementar o modelo de EPS na íntegra e identificarem-se os fatores críticos na implementação de programas/projetos de PEpS-ME. No final procedeu-se à triangulação dos dados. Os resultados evidenciaram que os documentos oficiais dos setores da saúde e da educação estabelecem as condições para a implementação da promoção e educação para saúde em meio escolar, e demonstraram serem adequados quer em metodologias de operacionalização e em perspetivas coincidentes e complementares dos dois setores, quer na eficaz articulação entre eles, tal como preconizado internacionalmente. No que se refere à Implementação de programas e projetos de PEpS-ME, verificou-se que: i) as Áreas Temáticas abordadas nos programas e projetos de PEpS-ME são as recomendadas quer ao nível internacional quer nacional; ii) no que diz respeito à Metodologia, o planeamento é realizado pelas Equipas de Educação para a Saúde, os alunos e pais são consultados sobre as suas necessidades, mas não tomam decisões quanto ao trabalho a ser desenvolvido. Segundo os alunos e EE, os agrupamentos de escolas preocupam-se com a saúde e o bem-estar de toda a comunidade educativa, consideram o ambiente social bom, confirmam a articulação entre o setor da saúde e da educação e grande maioria dos alunos é alvo de intervenção no âmbito da PEpSME, o que não acontece com os EE. Verificou-se um défice no envolvimento da comunidade, em particular na participação dos pais/EE nas atividades de PEpS-ME, e é notória a falta de participação e opinião dos alunos e dos EE no planeamento da PEpS-ME Na perceção dos enfermeiros e dos professores: i) são adotadas políticas de Escolas Saudáveis; ii) o Ambiente Físico das escolas que foram alvo de requalificação é promotor de saúde e bem-estar; iii) o Ambiente Social é promotor de saúde, na perceção dos professores apenas; iv) tanto os currículos formais como os informais promovem as Competências Individuais de Saúde e Competências para a Ação, v) as Ligações com a Comunidade são estabelecidas, em particular com os parceiros chave da comunidade como por exemplo as forças policiais, contudo a participação dos pais/famílias nesta área da PEpS-ME é residual; vi) existe uma articulação forte entre a escola e os serviços de saúde sendo os enfermeiros de saúde escolar das UCC os elementos ativos em todo o processo de PEpS-ME. Por último, foram identificados como fatores críticos na implementação de programas e projetos de PEpS-ME: i) os programas das disciplinas serem muito extensos, e a prioridade das escolas ser o sucesso académico dos alunos; ii) o excesso de propostas de programas e projetos que são oferecidos às escolas sem articulação efetiva entre as partes; iii) a falta de tempo dos profissionais, de financiamento para a PEpS-ME e de recursos humanos; iv) não ficou claro o uso da metodologia por projeto, recomendada pelo Programa Nacional de Saúde Escolar (PNSE); v) a literacia para a saúde das crianças e jovens, não é avaliada de forma sistemática pelas equipas de saúde escolar, contrariamente ao que é preconizado pelo PNSE, embora existam estudos realizados sobre a temática de natureza académica; vi) a avaliação dos programas e projetos de PEpS-ME é realizada através de atas, relatórios e questionários de avaliação de conhecimentos, mas não através dos indicadores sugeridos pelo PNSE. De forma a colmatar estas fragilidades sugere-se: i) a formação específica dos diretores dos agrupamentos de escolas e professores relativamente ao PNSE e EPS, de forma a promover a implementação de todos os eixos, áreas de intervenção e as componentes, promovendo o sucesso académico dos alunos; ii) a implementação efetiva da metodologia por projeto em Saúde Escolar; iii) o reforço do envolvimento dos alunos e pais/EE, na implementação de PEpS-ME, integrando-os na EES; iv) a avaliação da literacia para a saúde das crianças e jovens de forma a contribuir para os objetivos definidos no PNSE; v) o desenvolvimento de projetos de PEpS-ME direcionados em particular para os pais/EE, de acordo com as suas reais necessidades; vi) as propostas de implementação de projetos de PEpS-ME devem ser analisadas pela EES, de forma a não existir sobreposição; vii) a dotação das EES de professores e enfermeiros deve ser adequada à dimensão do agrupamento escolar de forma a permitir um envolvimento mais efetivo dos profissionais; viii) a criação de uma verba específica destinada à PEpS-ME. Em síntese, a partir deste estudo sobre a “PROMOÇÃO E EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE EM MEIO ESCOLAR (PEpS-ME): DAS POLÍTICAS (DE SAÚDE E EDUCAÇÃO) ÀS PRÁTICAS” pode afirmar-se que vários são os caminhos trilhados, em parceria, de forma a promover estilos de vida saudáveis em toda a comunidade educativa. É, contudo, necessário, continuar a dar passos de modo a potenciar tanto as políticas como as práticas neste domínio de promoção da saúde em meio escolar. |
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| Autores principais: | Oliveira, Leonel Lusquinhos de Sousa |
| Assunto: | alunos educação enfermeiros professores saúde students education nurse teacher health |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Promoção e Educação para a Saúde em Meio Escolar propicia a relação estreita entre o setor da saúde e da educação em prol da implementação de programas e projetos de promoção e educação para a saúde para toda a comunidade educativa. Este estudo pretende dar resposta à seguinte questão central: será que em Portugal o setor da saúde e o da educação se articulam devidamente para proporcionar uma efetiva PEpS-ME? Os objetivos específicos do estudo são: i) investigar a articulação entre os sectores da Saúde e a da Educação ao nível dos documentos legais, de forma a compreender quais os contributos de ambos para a PEpS-ME; ii) conhecer os processos de implementação de programas de PEpS-ME a partir dos profissionais de saúde e da educação; iii) identificar as perceções dos alunos e dos pais e encarregados de educação (EE) relativamente às práticas de PEpS-ME; iv) identificar os fatores críticos na implementação de programas de PEpS-ME; e v) comparar as políticas e as práticas dos setores da saúde e da educação na implementação de programas de PEpS-ME. Este trabalho resultou da combinação de três estudos. Num primeiro estudo, pretendeu-se analisar a articulação entre os sectores da Saúde e a da Educação ao nível dos documentos legais, recorrendo ao estudo documental, através da análise de conteúdo, de forma a compreender quais os contributos e as diretrizes ministeriais de ambos os setores para a PEpS-ME. No segundo estudo foram aplicados questionários a alunos do 9º ano de escolaridade e respetivos pais/EE do concelho de Braga, de forma a compreender as sua perceções, comportamentos e atitudes, relativos à PEpS-ME. Por fim, no terceiro estudo foram realizadas entrevistas semiestruturadas a diretores dos agrupamentos de escolas e professores coordenadores da Equipa de Educação para a Saúde (EES), a professores ativos na prática de programas e projetos de PEpS-ME e a enfermeiros de Saúde Escolar de forma a indagar se as escolas estarão a implementar o modelo de EPS na íntegra e identificarem-se os fatores críticos na implementação de programas/projetos de PEpS-ME. No final procedeu-se à triangulação dos dados. Os resultados evidenciaram que os documentos oficiais dos setores da saúde e da educação estabelecem as condições para a implementação da promoção e educação para saúde em meio escolar, e demonstraram serem adequados quer em metodologias de operacionalização e em perspetivas coincidentes e complementares dos dois setores, quer na eficaz articulação entre eles, tal como preconizado internacionalmente. No que se refere à Implementação de programas e projetos de PEpS-ME, verificou-se que: i) as Áreas Temáticas abordadas nos programas e projetos de PEpS-ME são as recomendadas quer ao nível internacional quer nacional; ii) no que diz respeito à Metodologia, o planeamento é realizado pelas Equipas de Educação para a Saúde, os alunos e pais são consultados sobre as suas necessidades, mas não tomam decisões quanto ao trabalho a ser desenvolvido. Segundo os alunos e EE, os agrupamentos de escolas preocupam-se com a saúde e o bem-estar de toda a comunidade educativa, consideram o ambiente social bom, confirmam a articulação entre o setor da saúde e da educação e grande maioria dos alunos é alvo de intervenção no âmbito da PEpSME, o que não acontece com os EE. Verificou-se um défice no envolvimento da comunidade, em particular na participação dos pais/EE nas atividades de PEpS-ME, e é notória a falta de participação e opinião dos alunos e dos EE no planeamento da PEpS-ME Na perceção dos enfermeiros e dos professores: i) são adotadas políticas de Escolas Saudáveis; ii) o Ambiente Físico das escolas que foram alvo de requalificação é promotor de saúde e bem-estar; iii) o Ambiente Social é promotor de saúde, na perceção dos professores apenas; iv) tanto os currículos formais como os informais promovem as Competências Individuais de Saúde e Competências para a Ação, v) as Ligações com a Comunidade são estabelecidas, em particular com os parceiros chave da comunidade como por exemplo as forças policiais, contudo a participação dos pais/famílias nesta área da PEpS-ME é residual; vi) existe uma articulação forte entre a escola e os serviços de saúde sendo os enfermeiros de saúde escolar das UCC os elementos ativos em todo o processo de PEpS-ME. Por último, foram identificados como fatores críticos na implementação de programas e projetos de PEpS-ME: i) os programas das disciplinas serem muito extensos, e a prioridade das escolas ser o sucesso académico dos alunos; ii) o excesso de propostas de programas e projetos que são oferecidos às escolas sem articulação efetiva entre as partes; iii) a falta de tempo dos profissionais, de financiamento para a PEpS-ME e de recursos humanos; iv) não ficou claro o uso da metodologia por projeto, recomendada pelo Programa Nacional de Saúde Escolar (PNSE); v) a literacia para a saúde das crianças e jovens, não é avaliada de forma sistemática pelas equipas de saúde escolar, contrariamente ao que é preconizado pelo PNSE, embora existam estudos realizados sobre a temática de natureza académica; vi) a avaliação dos programas e projetos de PEpS-ME é realizada através de atas, relatórios e questionários de avaliação de conhecimentos, mas não através dos indicadores sugeridos pelo PNSE. De forma a colmatar estas fragilidades sugere-se: i) a formação específica dos diretores dos agrupamentos de escolas e professores relativamente ao PNSE e EPS, de forma a promover a implementação de todos os eixos, áreas de intervenção e as componentes, promovendo o sucesso académico dos alunos; ii) a implementação efetiva da metodologia por projeto em Saúde Escolar; iii) o reforço do envolvimento dos alunos e pais/EE, na implementação de PEpS-ME, integrando-os na EES; iv) a avaliação da literacia para a saúde das crianças e jovens de forma a contribuir para os objetivos definidos no PNSE; v) o desenvolvimento de projetos de PEpS-ME direcionados em particular para os pais/EE, de acordo com as suas reais necessidades; vi) as propostas de implementação de projetos de PEpS-ME devem ser analisadas pela EES, de forma a não existir sobreposição; vii) a dotação das EES de professores e enfermeiros deve ser adequada à dimensão do agrupamento escolar de forma a permitir um envolvimento mais efetivo dos profissionais; viii) a criação de uma verba específica destinada à PEpS-ME. Em síntese, a partir deste estudo sobre a “PROMOÇÃO E EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE EM MEIO ESCOLAR (PEpS-ME): DAS POLÍTICAS (DE SAÚDE E EDUCAÇÃO) ÀS PRÁTICAS” pode afirmar-se que vários são os caminhos trilhados, em parceria, de forma a promover estilos de vida saudáveis em toda a comunidade educativa. É, contudo, necessário, continuar a dar passos de modo a potenciar tanto as políticas como as práticas neste domínio de promoção da saúde em meio escolar. |
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