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Processos de discriminação de profissionais qualificadas e imigrantes em contextos tipicamente masculinos : um contributo para a gestão da diversidade

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Resumo:Multiplicam-se hoje em dia os debates e os combates que incidem na questão do reconhecimento da mulher como sujeito trabalhador independente do homem. Com este seguimento, este estudo enfoca processos de discriminação de mulheres imigrantes em contextos de hegemonia masculina nas universidades portuguesas, nomeadamente, nas áreas de engenharias e matemáticas. É possível concluir que, nestas ultimas duas décadas, ocorre uma crescente demanda pelas duas áreas assinaladas (Saavedra, Taveira & Silva, 2010) por parte das mulheres, todavia estas continuam sub-representadas tanto na força de trabalho como em cargos de docentes. Sendo, assim, áreas caracterizadas por reunir assimetrias significativas, principalmente, no que se refere às “barreiras invisíveis” (Catalyst, 2007) causadas pelas esferas profissional e familiar (Silva, 2006; Oliveira, 2010), aos cargos de chefia e de gestão que vulgarmente são ocupados pelo sexo masculino (Nogueira, 2006) e porque são áreas que se encontram carregadas por uma forte componente masculina (Saavedra, Taveira & Silva, 2010). Estudos referem que os processos de recrutamento e seleção das mulheres na carreira académica são realizados a partir do princípio da “reprodução da dominação masculina” (Araújo, 2003, p. 119). As mulheres são selecionadas, nomeadamente para as “carreiras de base”, onde é tido em conta suposições acerca das suas capacidades de organização e as suas baixas aspirações de mobilidade profissional, o que leva à possibilidade de perpetuação do poder masculino a níveis hierárquicos superiores (Araújo, 2003, p. 120). Torna-se interessante estudar esta independência das mulheres acrescentando o facto de serem imigrantes, dada a escassez de análises empíricas sobre este tema no mercado de trabalho qualificado português (Miranda, 2009). Posto isto, o estudo, mediante a realização de 16 entrevistas a académicas estrangeiras, procura abordar uma gestão da diversidade e igualdade de oportunidades centrando-se em mulheres que representam uma dupla condição de diferença em relação aos contextos profissionais em que o palco pertence ao masculino - enquanto imigrantes e enquanto mulheres.
Autores principais:Carvalho, Ana Filipa Brito
Assunto:Mulheres imigrantes Qualificadas Contextos tipicamente masculinos Engenharia Matemática Gestão da diversidade Igualdade de oportunidades Migrant women Qualified Traditionally male contexts Engineering Mathematics Diversity management Equal opportunities Ciências Sociais::Economia e Gestão Ciências Sociais::Sociologia
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Multiplicam-se hoje em dia os debates e os combates que incidem na questão do reconhecimento da mulher como sujeito trabalhador independente do homem. Com este seguimento, este estudo enfoca processos de discriminação de mulheres imigrantes em contextos de hegemonia masculina nas universidades portuguesas, nomeadamente, nas áreas de engenharias e matemáticas. É possível concluir que, nestas ultimas duas décadas, ocorre uma crescente demanda pelas duas áreas assinaladas (Saavedra, Taveira & Silva, 2010) por parte das mulheres, todavia estas continuam sub-representadas tanto na força de trabalho como em cargos de docentes. Sendo, assim, áreas caracterizadas por reunir assimetrias significativas, principalmente, no que se refere às “barreiras invisíveis” (Catalyst, 2007) causadas pelas esferas profissional e familiar (Silva, 2006; Oliveira, 2010), aos cargos de chefia e de gestão que vulgarmente são ocupados pelo sexo masculino (Nogueira, 2006) e porque são áreas que se encontram carregadas por uma forte componente masculina (Saavedra, Taveira & Silva, 2010). Estudos referem que os processos de recrutamento e seleção das mulheres na carreira académica são realizados a partir do princípio da “reprodução da dominação masculina” (Araújo, 2003, p. 119). As mulheres são selecionadas, nomeadamente para as “carreiras de base”, onde é tido em conta suposições acerca das suas capacidades de organização e as suas baixas aspirações de mobilidade profissional, o que leva à possibilidade de perpetuação do poder masculino a níveis hierárquicos superiores (Araújo, 2003, p. 120). Torna-se interessante estudar esta independência das mulheres acrescentando o facto de serem imigrantes, dada a escassez de análises empíricas sobre este tema no mercado de trabalho qualificado português (Miranda, 2009). Posto isto, o estudo, mediante a realização de 16 entrevistas a académicas estrangeiras, procura abordar uma gestão da diversidade e igualdade de oportunidades centrando-se em mulheres que representam uma dupla condição de diferença em relação aos contextos profissionais em que o palco pertence ao masculino - enquanto imigrantes e enquanto mulheres.