Publicação
O papel da Igreja Católica na legitimação do Estado Novo salazarista
| Resumo: | O Estado Novo, regime autoritário, antiparlamentar e corporativo liderado por António de Oliveira Salazar entre 1933 e 1974, encontrou na Igreja Católica uma aliada fundamental para sua legitimação e sustentação. A Concordata de 1940 garantiu privilégios à Igreja, incluindo a liberdade religiosa, a proteção das propriedades eclesiásticas e o ensino da moral católica nas escolas. Em troca, a Igreja forneceu ao regime de Salazar uma legitimidade moral e espiritual, essencial para um Governo que procurava afirmar-se como defensor dos valores tradicionais e da ordem social. Complementar à Concordata, o Acordo Missionário estabeleceu a colaboração entre o Estado e a Igreja nas colónias portuguesas, reforçando a presença e a influência da Igreja Católica. A Igreja ajudou a difundir a ideologia colonial do Estado Novo, que justificava a ocupação sob o pretexto de uma missão civilizadora e cristianizadora. Recorrendo a uma análise interdisciplinar que combina a análise histórica e documental, incluindo a correspondência política entre o Cardeal Cerejeira e Salazar, a legislação e artigos científicos referentes ao período de análise e procedendo, de seguida, à codificação dos principais temas encontrados nas cartas, chegamos à conclusão de que embora a relação entre o Estado Novo e a Igreja Católica tenha sido em grande parte harmoniosa, não esteve isenta de tensões. Em algumas ocasiões, houve divergências quanto à questão dos feriados religiosos, ao regime de divórcio e casamento e à autonomia das missões. No entanto, essas divergências foram geralmente superadas pelo interesse mútuo em combater as ameaças ao status quo, como o comunismo e outras ideologias consideradas subversivas. Em suma, a colaboração entre o Estado Novo e a Igreja Católica foi essencial para a manutenção do regime. A Igreja ofereceu legitimidade espiritual e moral ao governo de Salazar, enquanto o Estado garantiu à Igreja uma posição de destaque na sociedade, fortalecendo ambas as instituições e permitindo-lhes exercer um controlo significativo sobre a população e os territórios coloniais. |
|---|---|
| Autores principais: | Carvalho, Bruna Filipa Oliveira |
| Assunto: | Acordo missionário Concordata Estado Novo Fátima Guerra Colonial Igreja Católica Missionary agreement Concordat Colonial War Catholic Church Ciências Sociais |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O Estado Novo, regime autoritário, antiparlamentar e corporativo liderado por António de Oliveira Salazar entre 1933 e 1974, encontrou na Igreja Católica uma aliada fundamental para sua legitimação e sustentação. A Concordata de 1940 garantiu privilégios à Igreja, incluindo a liberdade religiosa, a proteção das propriedades eclesiásticas e o ensino da moral católica nas escolas. Em troca, a Igreja forneceu ao regime de Salazar uma legitimidade moral e espiritual, essencial para um Governo que procurava afirmar-se como defensor dos valores tradicionais e da ordem social. Complementar à Concordata, o Acordo Missionário estabeleceu a colaboração entre o Estado e a Igreja nas colónias portuguesas, reforçando a presença e a influência da Igreja Católica. A Igreja ajudou a difundir a ideologia colonial do Estado Novo, que justificava a ocupação sob o pretexto de uma missão civilizadora e cristianizadora. Recorrendo a uma análise interdisciplinar que combina a análise histórica e documental, incluindo a correspondência política entre o Cardeal Cerejeira e Salazar, a legislação e artigos científicos referentes ao período de análise e procedendo, de seguida, à codificação dos principais temas encontrados nas cartas, chegamos à conclusão de que embora a relação entre o Estado Novo e a Igreja Católica tenha sido em grande parte harmoniosa, não esteve isenta de tensões. Em algumas ocasiões, houve divergências quanto à questão dos feriados religiosos, ao regime de divórcio e casamento e à autonomia das missões. No entanto, essas divergências foram geralmente superadas pelo interesse mútuo em combater as ameaças ao status quo, como o comunismo e outras ideologias consideradas subversivas. Em suma, a colaboração entre o Estado Novo e a Igreja Católica foi essencial para a manutenção do regime. A Igreja ofereceu legitimidade espiritual e moral ao governo de Salazar, enquanto o Estado garantiu à Igreja uma posição de destaque na sociedade, fortalecendo ambas as instituições e permitindo-lhes exercer um controlo significativo sobre a população e os territórios coloniais. |
|---|