Publicação
A institucionalização e o controle do tempo na Educação Infantil: que tempos são esses?
| Resumo: | As instituições educacionais contemporâneas, perante as pressões econômicas e produtivas, elevaram a ideia do ofício de aluno, forjando uma identidade para a criança projetada através do seu desempenho, acima de tudo, pela competência, aprovação e sucesso escolar. O ofício de aluno caracteriza-se, quase que exclusivamente, por uma socialização com valorização na competitividade e na autonomia compulsiva. Diante do exposto, somos tomados por algumas questões instigantes: como as crianças relacionam seu tempo próprio com o tempo administrado característicos das instituições escolares? Por que razão estas instituições insistem cada vez mais numa administração do tempo das atividades desenvolvidas pelas crianças? Por que é tão importante operacionalizar o tempo nestas instituições? Tais questionamentos nos inquietam e configuram uma dicotomia entre o tempo regulado, cronometrado, coercitivo, e o tempo sentido e percebido das crianças. Esta pesquisa tem características de uma pesquisa teórica orientada para a reconstrução de teorias, quadros de referência, condições explicativas da realidade, polêmicas e discussões pertinentes. Consideramos que a cultura escolar não reconhece o livre brincar como fundamental nas escolas de crianças, apenas quando tem caráter instrumental, pedagógico e funcional. Além disso, as crianças aprendem desde cedo que, além da hora apropriada para brincar, há o fim de semana e as férias, como outros tempos apropriados ao ócio e ao lazer. E por seu lado, os adultos praticamente não questionam essas restrições impostas ao tempo de brincar na educação das crianças. O caráter instrumental do tempo exerce uma profunda pressão no brincar das crianças como sinônimo de exatidão, disciplina e organização, o Chronos condiciona as formas mais particulares e íntimas das crianças se relacionarem com a vida e dialogar com o mundo, talvez, nada disto condiga com a percepção e o brincar das crianças que são capazes de brincar até com o tempo. |
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| Autores principais: | Costa, Andrize Ramires |
| Outros Autores: | Santos, Eduardo Lopes; Medeiros, Francisco Emílio; Bozzato, Lucas Vargas; Cunha, António Camilo |
| Assunto: | Educação infantil Escola Tempo Brincar Ciências Sociais::Ciências da Educação |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | atas de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | As instituições educacionais contemporâneas, perante as pressões econômicas e produtivas, elevaram a ideia do ofício de aluno, forjando uma identidade para a criança projetada através do seu desempenho, acima de tudo, pela competência, aprovação e sucesso escolar. O ofício de aluno caracteriza-se, quase que exclusivamente, por uma socialização com valorização na competitividade e na autonomia compulsiva. Diante do exposto, somos tomados por algumas questões instigantes: como as crianças relacionam seu tempo próprio com o tempo administrado característicos das instituições escolares? Por que razão estas instituições insistem cada vez mais numa administração do tempo das atividades desenvolvidas pelas crianças? Por que é tão importante operacionalizar o tempo nestas instituições? Tais questionamentos nos inquietam e configuram uma dicotomia entre o tempo regulado, cronometrado, coercitivo, e o tempo sentido e percebido das crianças. Esta pesquisa tem características de uma pesquisa teórica orientada para a reconstrução de teorias, quadros de referência, condições explicativas da realidade, polêmicas e discussões pertinentes. Consideramos que a cultura escolar não reconhece o livre brincar como fundamental nas escolas de crianças, apenas quando tem caráter instrumental, pedagógico e funcional. Além disso, as crianças aprendem desde cedo que, além da hora apropriada para brincar, há o fim de semana e as férias, como outros tempos apropriados ao ócio e ao lazer. E por seu lado, os adultos praticamente não questionam essas restrições impostas ao tempo de brincar na educação das crianças. O caráter instrumental do tempo exerce uma profunda pressão no brincar das crianças como sinônimo de exatidão, disciplina e organização, o Chronos condiciona as formas mais particulares e íntimas das crianças se relacionarem com a vida e dialogar com o mundo, talvez, nada disto condiga com a percepção e o brincar das crianças que são capazes de brincar até com o tempo. |
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