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Papel da Glicoproteína G do vírus da Raiva na Indução de Apoptose

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Resumo:A Raiva é uma zoonose causada por um vírus neurotrópico pertencente ao género Lyssavirus, família Rhabdoviridae, ordem Mononegavirales. Este vírus infecta todas as espécies de animais de sangue quente. Este trabalho teve como principal objectivo avaliar a influência da glicoproteína G do vírus da raiva na replicação em células de neuroblastoma murino Neuro2a cultivadas in vitro, assim como na indução da apoptose. Foram comparados dois genótipos distintos, genótipo 1 (CVS-11, estirpe fixa, atenuada in vitro por passagens seriadas em culturas celulares BHK-21, e CVS-27, estirpe fixa, atenuada in vivo por passagens seriadas em cérebro de ratinho lactante) e genótipo 5 (EBLV-1, estirpe selvagem de quirópteros isolada em células de neuroblastoma). A cinética de replicação dos vírus em estudo foi avaliada por transcrição reversa seguida de PCR quantitativo (RTqPCR), e expressão das proteínas N (precoce) e G (tardia) por imunofluorescência. A apoptose foi avaliada através da visualização em gel das alterações do DNA celular sujeito a electroforese. Foram encontradas diferenças significativas na expressão das proteínas N e G, quer entre as duas estirpes fixas estudadas, quer entre as estirpes fixas e a estirpe isolada a partir de morcegos. A expressão de proteína N mostrou-se mais precoce em CVS-27 que em CVS-11, sugerindo que o ciclo replicativo da primeira estirpe seja mais curto que o da última. A expressão de G foi observada mais tardiamente, estando em conformidade com o facto de que a sua expressão só ocorre no final do ciclo replicativo. A expressão das proteínas N e G de EBLV-1 foi observada apenas às 24 h p.i., com fraca intensidade de fluorescência e com um número mais reduzido de células infectadas, o que evidencia uma evolução de infecção mais lenta e gradual desta estirpe na linha celular utilizada neste trabalho quando comparada com as estirpes fixas. No seu todo, estes resultados sugerem que a duração do ciclo replicativo depende da susceptibilidade e permissibilidade do sistema celular à infecção pelas diferentes estirpes de vírus da raiva. Os ensaios de apoptose induzida pela infecção destes Lyssavírus, embora preliminares, sugerem que a estirpe EBLV-1 seja a mais apoptótica das estirpes estudadas.
Autores principais:Luís, Tiago Miguel Baeta
Assunto:Vírus da raiva RABV glicoproteína G nucleoproteína N CVS-11; CVS-27 Genótipo 1 EBLV-1 Genótipo 5 apoptose Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Raiva é uma zoonose causada por um vírus neurotrópico pertencente ao género Lyssavirus, família Rhabdoviridae, ordem Mononegavirales. Este vírus infecta todas as espécies de animais de sangue quente. Este trabalho teve como principal objectivo avaliar a influência da glicoproteína G do vírus da raiva na replicação em células de neuroblastoma murino Neuro2a cultivadas in vitro, assim como na indução da apoptose. Foram comparados dois genótipos distintos, genótipo 1 (CVS-11, estirpe fixa, atenuada in vitro por passagens seriadas em culturas celulares BHK-21, e CVS-27, estirpe fixa, atenuada in vivo por passagens seriadas em cérebro de ratinho lactante) e genótipo 5 (EBLV-1, estirpe selvagem de quirópteros isolada em células de neuroblastoma). A cinética de replicação dos vírus em estudo foi avaliada por transcrição reversa seguida de PCR quantitativo (RTqPCR), e expressão das proteínas N (precoce) e G (tardia) por imunofluorescência. A apoptose foi avaliada através da visualização em gel das alterações do DNA celular sujeito a electroforese. Foram encontradas diferenças significativas na expressão das proteínas N e G, quer entre as duas estirpes fixas estudadas, quer entre as estirpes fixas e a estirpe isolada a partir de morcegos. A expressão de proteína N mostrou-se mais precoce em CVS-27 que em CVS-11, sugerindo que o ciclo replicativo da primeira estirpe seja mais curto que o da última. A expressão de G foi observada mais tardiamente, estando em conformidade com o facto de que a sua expressão só ocorre no final do ciclo replicativo. A expressão das proteínas N e G de EBLV-1 foi observada apenas às 24 h p.i., com fraca intensidade de fluorescência e com um número mais reduzido de células infectadas, o que evidencia uma evolução de infecção mais lenta e gradual desta estirpe na linha celular utilizada neste trabalho quando comparada com as estirpes fixas. No seu todo, estes resultados sugerem que a duração do ciclo replicativo depende da susceptibilidade e permissibilidade do sistema celular à infecção pelas diferentes estirpes de vírus da raiva. Os ensaios de apoptose induzida pela infecção destes Lyssavírus, embora preliminares, sugerem que a estirpe EBLV-1 seja a mais apoptótica das estirpes estudadas.