Publicação

Instabilidade do primeiro raio. Qual a sua origem? Um estudo anatómico

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Hallux valgus constitui a deformidade mais frequente do antepé e caracteriza-se por um desvio medial do primeiro metatársico (metatarsus primus varus) e desvio lateral do primeiro dedo. É uma patologia complexa que compreende várias deformidades. Como consequência desta diversidade e complexidade, foram já descritos mais de 150 procedimentos cirúrgicos para o seu tratamento. A sua etiologia compreende diversos fatores, sendo que alguns são universalmente aceites e outros mantêm-se controversos. Um destes exemplos é a hipermobilidade do primeiro raio. No nosso estudo, colocamos a hipótese de que a instabilidade no plano sagital está associada à instabilidade no plano axial. Esta é inerente ao hallux valgus e à instabilidade sagital. Assim o objetivo deste estudo é avaliar a contribuição de diferentes estruturas anatómicas que atuando no primeiro metatársico conferem a estabilidade do primeiro raio. Para o nosso estudo utilizamos cadáveres frescos congelados, gentilmente cedidos pelo Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Nestes cadáveres aplicamos uma força horizontal e uma sagital no primeiro raio e sequencialmente, seccionamos estruturas que atuam sobre o primeiro metatársico (cápsula articular cuneo-metatársica, tendão longo peroneal, cápsula articular metatarsofalângica, tendão adutor do hálux, ligamento intermetatársico e fáscia plantar). Em seguida mediu-se a deformidade daí resultante, respetivamente, nos planos axial (A) e sagital (S) de forma a avaliar o seu efeito estabilizador. Quer no plano axial, quer no plano sagital as estruturas distais demonstram serem as mais relevantes na estabilização do primeiro raio, fáscia plantar (A-25,15%, S-28,4%) e ligamento intermetatársico (A-56,21%, S-22,43%). Os protocolos de tratamento são questionados quanto à artrodese cuneo-metatársica, devido à baixa relevância da articulação cuneo-metatársica (A-7,34%, S-11,50%). O estudo deixa boas perspetivas para uma melhor compreensão da hipermobilidade do primeiro raio e do seu impacto no hallux valgus, perspetivando que com uma amostra maior, se consiga obter relevância clínica e científica.
Autores principais:Andrade, Mário José Lopes
Assunto:Hallux valgus Hipermobilidade do primeiro raio Cadáver Anatomia Ortopedia
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Hallux valgus constitui a deformidade mais frequente do antepé e caracteriza-se por um desvio medial do primeiro metatársico (metatarsus primus varus) e desvio lateral do primeiro dedo. É uma patologia complexa que compreende várias deformidades. Como consequência desta diversidade e complexidade, foram já descritos mais de 150 procedimentos cirúrgicos para o seu tratamento. A sua etiologia compreende diversos fatores, sendo que alguns são universalmente aceites e outros mantêm-se controversos. Um destes exemplos é a hipermobilidade do primeiro raio. No nosso estudo, colocamos a hipótese de que a instabilidade no plano sagital está associada à instabilidade no plano axial. Esta é inerente ao hallux valgus e à instabilidade sagital. Assim o objetivo deste estudo é avaliar a contribuição de diferentes estruturas anatómicas que atuando no primeiro metatársico conferem a estabilidade do primeiro raio. Para o nosso estudo utilizamos cadáveres frescos congelados, gentilmente cedidos pelo Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Nestes cadáveres aplicamos uma força horizontal e uma sagital no primeiro raio e sequencialmente, seccionamos estruturas que atuam sobre o primeiro metatársico (cápsula articular cuneo-metatársica, tendão longo peroneal, cápsula articular metatarsofalângica, tendão adutor do hálux, ligamento intermetatársico e fáscia plantar). Em seguida mediu-se a deformidade daí resultante, respetivamente, nos planos axial (A) e sagital (S) de forma a avaliar o seu efeito estabilizador. Quer no plano axial, quer no plano sagital as estruturas distais demonstram serem as mais relevantes na estabilização do primeiro raio, fáscia plantar (A-25,15%, S-28,4%) e ligamento intermetatársico (A-56,21%, S-22,43%). Os protocolos de tratamento são questionados quanto à artrodese cuneo-metatársica, devido à baixa relevância da articulação cuneo-metatársica (A-7,34%, S-11,50%). O estudo deixa boas perspetivas para uma melhor compreensão da hipermobilidade do primeiro raio e do seu impacto no hallux valgus, perspetivando que com uma amostra maior, se consiga obter relevância clínica e científica.