Publicação
Movimento do verbo em kriol
| Resumo: | Esta tese estuda o movimento do verbo em kriol, o crioulo de base lexical portuguesa da Guiné-Bissau. Geralmente, assume-se que línguas crioulas não apresentam movimento do verbo (e.g. Roberts 1999), o que não é tão surpreendente se considerarmos que estas línguas tipicamente não apresentam morfologia flexional e possuem as chamadas partículas pré-verbais que bloqueiam o movimento de V para T. Este tópico ainda não foi abordado em trabalhos existentes sobre o kriol, mas tem sido estudado para uma língua próxima, o kabuverdianu, para a qual Baptista (2002) propõe uma análise de movimento do verbo, que se apoia em evidência de testes de colocação de advérbios, flutuação de quantificadores e do sufixo verbal –ba. No entanto, outros autores defendem que estes argumentos não são sólidos e propõem análises alternativas, nomeadamente o abaixamento do sufixo –ba Pratas (2007) e uma relação de concordância entre T e o sufixo Alexandre (2009). Mostraremos que os testes diagnósticos tradicionais para determinar se há movimento do verbo, como por exemplo os usados para o estudo do kabuverdianu, produzem resultados substancialmente diferentes para o kriol, indicando que esta língua apresenta movimento do verbo. Propomos, mais concretamente, que há movimento curto do verbo para uma projeção encabeçada por ba a que o verbo se adjunge. Embora ba seja frequentemente considerado um morfema livre (e.g. Kihm 1994), existe uma diferença semântica clara entre o ba temporal, que ocorre adjacente ao verbo, e um ba adverbial. Se esta análise tiver viabilidade, ela mostra-nos que línguas crioulas, mesmo que sejam próximas, podem apresentar valores de parâmetro distintos. |
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| Autores principais: | Maria, Candinha Pinto |
| Assunto: | Língua crioula bissau-guineense - Verbos Língua crioula bissau-guineense - Sintaxe Teses de mestrado - 2013 |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta tese estuda o movimento do verbo em kriol, o crioulo de base lexical portuguesa da Guiné-Bissau. Geralmente, assume-se que línguas crioulas não apresentam movimento do verbo (e.g. Roberts 1999), o que não é tão surpreendente se considerarmos que estas línguas tipicamente não apresentam morfologia flexional e possuem as chamadas partículas pré-verbais que bloqueiam o movimento de V para T. Este tópico ainda não foi abordado em trabalhos existentes sobre o kriol, mas tem sido estudado para uma língua próxima, o kabuverdianu, para a qual Baptista (2002) propõe uma análise de movimento do verbo, que se apoia em evidência de testes de colocação de advérbios, flutuação de quantificadores e do sufixo verbal –ba. No entanto, outros autores defendem que estes argumentos não são sólidos e propõem análises alternativas, nomeadamente o abaixamento do sufixo –ba Pratas (2007) e uma relação de concordância entre T e o sufixo Alexandre (2009). Mostraremos que os testes diagnósticos tradicionais para determinar se há movimento do verbo, como por exemplo os usados para o estudo do kabuverdianu, produzem resultados substancialmente diferentes para o kriol, indicando que esta língua apresenta movimento do verbo. Propomos, mais concretamente, que há movimento curto do verbo para uma projeção encabeçada por ba a que o verbo se adjunge. Embora ba seja frequentemente considerado um morfema livre (e.g. Kihm 1994), existe uma diferença semântica clara entre o ba temporal, que ocorre adjacente ao verbo, e um ba adverbial. Se esta análise tiver viabilidade, ela mostra-nos que línguas crioulas, mesmo que sejam próximas, podem apresentar valores de parâmetro distintos. |
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