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Mortalidade de ovos de sardinha e carapau por parasitismo, impacto na sobrevivência das fases iniciais de vida e implicações para a gestão destes recursos

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Resumo:A sardinha (Sardina pilchardus) e o carapau (Trachurus trachurus) são duas espécies com uma enorme importância ao nível das cadeias tróficas marinhas e com um elevado valor comercial, apresentando uma peculiar importância na Península Ibérica, onde fazem parte da alimentação tradicional portuguesa. As populações de sardinha e carapau apresentam flutuações nos seus mananciais, não sendo a origem destas totalmente conhecida. Uma das causas conhecidas para a mortalidade na fase inicial de vida (ovo) é o parasitismo por Ichthyodinium chabelardi, um endoparasita de ovos de peixes pelágicos, como a sardinha e o carapau, que acaba, em todos os casos conhecidos, por levar o seu hospedeiro à morte. Este trabalho teve dois objetivos principais: (i) estudar a prevalência da infeção por Ichthyodinium chabelardi em ovos de sardinha e carapau; (ii) analisar a distribuição espacial dos ovos infetados na área de estudo (costa sul e oeste das águas Ibéricas atlânticas), tendo em conta determinados fatores ambientais. Desta forma, procedeu-se à análise de amostras de ictioplâncton, de 10 campanhas (em 7 destas foram analisados ovos de sardinha e em 5 de carapau), classificando os ovos por estádios de desenvolvimento e níveis de infeção. Um objetivo complementar considerou a análise do possível mecanismo de infeção dos ovos pelo parasita. Para este fim, foi explorada a hipótese de infeção na fase adulta (antes da emissão dos oócitos) e desenvolvidos protocolos de análise molecular para a deteção do parasita em gónadas de sardinha. Os resultados mostraram que a percentagem de ovos infetados pelo parasita (prevalência) nos anos analisados variou entre 0,80% e 4,32% nos ovos de sardinha e entre 0,82% e 10,97% nos ovos de carapau e que a percentagem de estações com ovos parasitados (PEOP) variou entre 2,53% e 15,32% no caso dos ovos de sardinha e entre 2,00% e 12,59% no caso dos ovos de carapau. Foi possível identificar a profundidade como um possível fator ambiental responsável para estas flutuações, bem como a localização geográfica (costa ocidental vs costa sul) e a temperatura (esta última apenas para a sardinha) através de análises GLM efetuadas, em que se tomaram determinados fatores ambientais como variáveis independentes e o número de ovos parasitados como variável dependente. Quando se comparou a mortalidade total dos ovos de sardinha com a prevalência de infeção nos mesmos anos, foi possível verificar que os anos com maior percentagem de mortalidade total foram também os anos com maior prevalência de infeção pelo parasita. Os resultados relativos à análise molecular, que indiciaram a presença de fragmentos de ADN de Ichthyodinium chabelardi nas gónadas de sardinha, parecem indicar que parte do ciclo de vida do parasita ocorre na fase adulta do hospedeiro, pelo que os oócitos, quando expelidos pelas fêmeas, poderão já estar contaminados pelo parasita em questão, carecendo, no entanto, esta informação de confirmação pela sequenciação dos fragmentos de ADN que se pensam ser do parasita. Torna-se evidente, assim, a importância de conhecer melhor o ciclo de vida de Ichthyodinium chabelardi e de aprofundar a identificação dos fatores ambientais em que este mais prolifera, de modo que se consiga fazer uma gestão apropriada das populações das espécies-alvo deste trabalho, que são um recurso de extrema importância económica para a área em estudo, de forma a garantir a sustentabilidade das mesmas.
Autores principais:Carriço, Daniela Patrícia Gonçalves
Assunto:parasitismo Ichthyodinium chabelardi prevalência ovos de peixe Sardina pilchardus Trachurus trachurus Relatórios de estágio de mestrado - 2022
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa

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