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Meningite tuberculosa : caracterização de uma coorte de doentes e revisão de terapêuticas futuras

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Summary:A meningite tuberculosa é a forma mais severa de tuberculose, correspondendo a 1-5% dos casos e apresentando uma mortalidade até 30%. O diagnóstico de meningite tuberculosa é frequentemente atrasado pela reduzida performance ou disponibilidade limitada das técnicas laboratoriais. O tratamento é baseado na terapêutica da tuberculose pulmonar, o que resulta em níveis farmacológicos subótimos no LCR, com impacto clínico ainda pouco claro. O papel de novos regimes está a ser explorado em ensaios clínicos. O objetivo primário do estudo foi realizar uma caracterização demográfica e clínica dos doentes com meningite tuberculosa internados no Hospital Fernando da Fonseca, bem como uma descrição das técnicas diagnósticas e terapêuticas aplicadas. O objetivo secundário foi avaliar o prognóstico destes doentes. Este trabalho consistiu num estudo observacional analítico longitudinal retrospetivo e não interventivo, realizado através da revisão dos processos clínicos de adultos diagnosticados com meningite tuberculosa entre 1 de janeiro de 2012 a 31 de dezembro de 2022. Foram incluídos doentes com confirmação laboratorial por PCR ou cultura do LCR positiva para Mycobacterium tuberculosis. Foram diagnosticados 22 doentes com meningite tuberculosa. Destes, 64% eram homens e 50% eram de nacionalidade portuguesa. A mediana de idades foi 53,5 anos. Apenas 14% dos doentes apresentava infeção VIH e 23% imunossupressão. O tempo até ao diagnóstico foi, em média, 6,4 dias. Em 64% dos doentes foi realizado o diagnóstico de tuberculose disseminada. A taxa de sequelas ligeiras foi de 14%, não tendo havido nenhum doente a permanecer com incapacidade nas atividades de vida diária. A taxa de mortalidade foi cerca de 46%, tendo a hidrocefalia sido a causa de morte mais frequente. A presença de fatores como idade mais avançada, diabetes mellitus, hidrocefalia, PCR e/ou cultura positiva e resistência antibiótica inicial associaram-se a pior prognóstico.
Main Authors:Oliveira, Joana Tavares Dias Figueiredo
Subject:Meningite Tuberculose Terapêutica Prognóstico Complicações Doenças transmissíveis
Year:2023
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:A meningite tuberculosa é a forma mais severa de tuberculose, correspondendo a 1-5% dos casos e apresentando uma mortalidade até 30%. O diagnóstico de meningite tuberculosa é frequentemente atrasado pela reduzida performance ou disponibilidade limitada das técnicas laboratoriais. O tratamento é baseado na terapêutica da tuberculose pulmonar, o que resulta em níveis farmacológicos subótimos no LCR, com impacto clínico ainda pouco claro. O papel de novos regimes está a ser explorado em ensaios clínicos. O objetivo primário do estudo foi realizar uma caracterização demográfica e clínica dos doentes com meningite tuberculosa internados no Hospital Fernando da Fonseca, bem como uma descrição das técnicas diagnósticas e terapêuticas aplicadas. O objetivo secundário foi avaliar o prognóstico destes doentes. Este trabalho consistiu num estudo observacional analítico longitudinal retrospetivo e não interventivo, realizado através da revisão dos processos clínicos de adultos diagnosticados com meningite tuberculosa entre 1 de janeiro de 2012 a 31 de dezembro de 2022. Foram incluídos doentes com confirmação laboratorial por PCR ou cultura do LCR positiva para Mycobacterium tuberculosis. Foram diagnosticados 22 doentes com meningite tuberculosa. Destes, 64% eram homens e 50% eram de nacionalidade portuguesa. A mediana de idades foi 53,5 anos. Apenas 14% dos doentes apresentava infeção VIH e 23% imunossupressão. O tempo até ao diagnóstico foi, em média, 6,4 dias. Em 64% dos doentes foi realizado o diagnóstico de tuberculose disseminada. A taxa de sequelas ligeiras foi de 14%, não tendo havido nenhum doente a permanecer com incapacidade nas atividades de vida diária. A taxa de mortalidade foi cerca de 46%, tendo a hidrocefalia sido a causa de morte mais frequente. A presença de fatores como idade mais avançada, diabetes mellitus, hidrocefalia, PCR e/ou cultura positiva e resistência antibiótica inicial associaram-se a pior prognóstico.