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A tomada de decisão contracetiva : intervenção de enfermagem às mulheres no pós-interrupção voluntária de gravidez

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Resumo:A contraceção tem como objetivo proteger as mulheres, casais e famílias das gravidezes não planeadas e indesejadas. Os enfermeiros-obstetras são fontes fidedignas de informação, ao nível da saúde-sexual-e-reprodutiva e agentes para a capacitação das mulheres na escolha de um método contracetivo centrado nas suas necessidades, preferências e estilo de vida. Globalmente, um grande número de gravidezes não planeadas, terminam numa interrupção-voluntária-da-gravidez, por vezes associada à precariedade da resposta dos serviços de saúde, ao inadequado aconselhamento contracetivo subsequente, falhas na toma ou uso incorreto e descontinuado do método. Com a presente investigação, pretendemos responder à questão: “Como os enfermeiros-obstetras promovem o processo de tomada-de-decisão por um método contracetivo, após a interrupção-voluntária-de-gravidez?”. Recorreu-se a um desenho de métodos mistos com uma estratégia simultânea: QUAL + quan de tipo exploratório, guiado pelo modelo conceptual de Promoção da Saúde de Nola Pender. Na componente qualitativa, participaram 5 enfermeiros-obstetras e na quantitativa 172 mulheres da consulta de interrupção voluntária-da-gravidez. Da análise das entrevistas foram propostas intervenções como a formação profissional em contraceção e aconselhamento contracetivo, a reformulação dos currículos do 1º e 2º ciclo de estudos dos cursos de enfermagem, criação de maior acessibilidade aos serviços de saúde, ambiente físico adequado e a implementação de ferramentas de apoio ao aconselhamento contracetivo. Os resultados do estudo com as mulheres confirmam que, embora apresentem uma atitude preventiva face aos contracetivos, estas demonstram um baixo nível de literacia sobre os mesmos. A avaliação da qualidade do aconselhamento contracetivo realizado pelos enfermeiros feita pelas inquiridas é positiva. Os resultados dos estudos permitiram desenvolver seis intervenções de enfermagem. Entendemos que as mesmas poderão ser promotoras de cuidados de qualidade, impulsionadoras da capacitação das mulheres a escolherem um método contracetivo adequado a cada uma e adotadas quando se pretende implementar mudanças comportamentais em saúde num grupo ou população.
Autores principais:Palma, Sara Elisabete Cavaco
Assunto:Enfermeiro-Obstetra Interrupção-Voluntária-de-Gravidez Intervenções-de-Enfermagem Promoção-da-Saúde Tomada-de-Decisão Decision-Making Health-Promotion Nurse-Midwives Nursing-Interventions Voluntary-Termination-of-Pregnancy
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A contraceção tem como objetivo proteger as mulheres, casais e famílias das gravidezes não planeadas e indesejadas. Os enfermeiros-obstetras são fontes fidedignas de informação, ao nível da saúde-sexual-e-reprodutiva e agentes para a capacitação das mulheres na escolha de um método contracetivo centrado nas suas necessidades, preferências e estilo de vida. Globalmente, um grande número de gravidezes não planeadas, terminam numa interrupção-voluntária-da-gravidez, por vezes associada à precariedade da resposta dos serviços de saúde, ao inadequado aconselhamento contracetivo subsequente, falhas na toma ou uso incorreto e descontinuado do método. Com a presente investigação, pretendemos responder à questão: “Como os enfermeiros-obstetras promovem o processo de tomada-de-decisão por um método contracetivo, após a interrupção-voluntária-de-gravidez?”. Recorreu-se a um desenho de métodos mistos com uma estratégia simultânea: QUAL + quan de tipo exploratório, guiado pelo modelo conceptual de Promoção da Saúde de Nola Pender. Na componente qualitativa, participaram 5 enfermeiros-obstetras e na quantitativa 172 mulheres da consulta de interrupção voluntária-da-gravidez. Da análise das entrevistas foram propostas intervenções como a formação profissional em contraceção e aconselhamento contracetivo, a reformulação dos currículos do 1º e 2º ciclo de estudos dos cursos de enfermagem, criação de maior acessibilidade aos serviços de saúde, ambiente físico adequado e a implementação de ferramentas de apoio ao aconselhamento contracetivo. Os resultados do estudo com as mulheres confirmam que, embora apresentem uma atitude preventiva face aos contracetivos, estas demonstram um baixo nível de literacia sobre os mesmos. A avaliação da qualidade do aconselhamento contracetivo realizado pelos enfermeiros feita pelas inquiridas é positiva. Os resultados dos estudos permitiram desenvolver seis intervenções de enfermagem. Entendemos que as mesmas poderão ser promotoras de cuidados de qualidade, impulsionadoras da capacitação das mulheres a escolherem um método contracetivo adequado a cada uma e adotadas quando se pretende implementar mudanças comportamentais em saúde num grupo ou população.