Publicação
A recepção de escultura clássica na Academia de Belas-Artes de Lisboa
| Resumo: | A colecção de modelos de escultura clássica na Academia de Belas-Artes de Lisboa serviu de ponto de partida para uma viagem às origens da Escola de Escultura de Lisboa e do ensino artístico em Portugal. Contudo, mais do que um alinhamento cronológico de sucessivas incorporações de modelos de gesso feitas ao longo do século XIX, este trabalho vem dar conta do processo de disseminação de moldagens na sua relação com o coleccionismo de objectos artísticos. Nele, são tratadas questões-chave dentro de um tema de estudo muito específico, como sendo a progressiva valorização do gesso como material didáctico, a actividade dos formadores italianos no país, as campanhas de moldagens a monumentos nacionais, a oficina de moldagens da Academia — estudando-se ainda as repercussões que estes fenómenos tiveram nas primeiras tentativas de musealizar a estatuária. Todos estes espectros de análise ajudam-nos a perceber de que modo o cruzamento de influências artísticas veio construir uma expressão mais lata de classicismo que em Portugal vai muito além das gavetas cronológicas utilizadas para separar estilos artísticos. A multiplicidade de compromissos e desafios, que a principal instituição artística do país foi chamada a desempenhar no século XIX, revela-nos a importância de um espólio herdado na sua maioria pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Neste trabalho, não só se procura reconstituir a colecção de objectos de arte acumulados neste período, mas também estabelecer-se uma relação unívoca entre obras incorporadas e as colecções hoje conservadas, providenciando-lhes igualmente um enquadramento histórico. A importância destas, tanto no formato de reproduções como de protótipos de gesso, confunde-se com o das próprias esculturas de pedra, não só pelo valor imaterial que lhes tem sido associado, enquanto repositório de métodos de trabalho que evoluíram com o passar do tempo, mas também como último reduto memorialista de obras entretanto desaparecidas ou de outras que nunca conheceriam o mármore como matéria definitiva. |
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| Autores principais: | Mendonça, Ricardo, 1982- |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2014 Escultura Modelos Ornamentos Gessos Classicismo Coleccionismo Portugal. Academia Nacional de Belas Artes Castro, Machado de, 1731-1822 Ensino artístico Reprodutibilidade |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A colecção de modelos de escultura clássica na Academia de Belas-Artes de Lisboa serviu de ponto de partida para uma viagem às origens da Escola de Escultura de Lisboa e do ensino artístico em Portugal. Contudo, mais do que um alinhamento cronológico de sucessivas incorporações de modelos de gesso feitas ao longo do século XIX, este trabalho vem dar conta do processo de disseminação de moldagens na sua relação com o coleccionismo de objectos artísticos. Nele, são tratadas questões-chave dentro de um tema de estudo muito específico, como sendo a progressiva valorização do gesso como material didáctico, a actividade dos formadores italianos no país, as campanhas de moldagens a monumentos nacionais, a oficina de moldagens da Academia — estudando-se ainda as repercussões que estes fenómenos tiveram nas primeiras tentativas de musealizar a estatuária. Todos estes espectros de análise ajudam-nos a perceber de que modo o cruzamento de influências artísticas veio construir uma expressão mais lata de classicismo que em Portugal vai muito além das gavetas cronológicas utilizadas para separar estilos artísticos. A multiplicidade de compromissos e desafios, que a principal instituição artística do país foi chamada a desempenhar no século XIX, revela-nos a importância de um espólio herdado na sua maioria pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Neste trabalho, não só se procura reconstituir a colecção de objectos de arte acumulados neste período, mas também estabelecer-se uma relação unívoca entre obras incorporadas e as colecções hoje conservadas, providenciando-lhes igualmente um enquadramento histórico. A importância destas, tanto no formato de reproduções como de protótipos de gesso, confunde-se com o das próprias esculturas de pedra, não só pelo valor imaterial que lhes tem sido associado, enquanto repositório de métodos de trabalho que evoluíram com o passar do tempo, mas também como último reduto memorialista de obras entretanto desaparecidas ou de outras que nunca conheceriam o mármore como matéria definitiva. |
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