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Satisfação materna no processo de maturação cervical em ambulatório

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Resumo:Indução do trabalho de parto (ITP) define-se como a iniciação artificial de contrações uterinas rítmicas de forma a desencadear o trabalho de parto antes do seu início espontâneo. No entanto, numa percentagem importante de grávidas, é necessário que, previamente às contrações uterinas, haja amadurecimento cervical que, geralmente, é um processo lento e que ocorre, tradicionalmente, em meio hospitalar. A maioria dos estudos que comparam os diferentes métodos de maturação cervical (MC) focam-se preferencialmente na eficácia e perfil de segurança, negligenciando a preferência da grávida. Assim, este trabalho tem como objetivo avaliar a satisfação das grávidas relativamente ao método utilizado na MC realizada em ambulatório, comparando a utilização de mifepristone oral com o balão de foley. Foi aplicado um inquérito de satisfação materna às grávidas que participaram num ensaio clínico aleatorizado que está a decorrer no Serviço de Obstetrícia do Hospital de Santa Maria, que compara a utilização destes dois métodos em grávidas que têm indicação para ITP no termo e um índice de Bishop modificado inferior a 6. O desfecho primário do estudo foi a determinação de qual o método que se associa a maior satisfação materna na MC em ambulatório. Foram analisados 62 inquéritos. Globalmente, o processo de maturação foi considerado uma intervenção que gerou ansiedade. Contudo, as grávidas consideraram, frequentemente, que durante o procedimento conseguiram: 1. manter as suas atividades quotidianas, 2. ter momentos de relaxamento e 3. dormir. Referem, ainda, que não sentiram dor durante o processo. As grávidas que realizaram MC com o balão de foley reportaram mais desconforto comparativamente às que a realizaram com mifepristone (59% vs 23%, p = 0,005). No entanto, o balão de foley não se associou a maior perceção de dor comparativamente ao mifepristone (p = 0,485). Concluindo, este estudo mostra que a MC em ambulatório não parece ter um impacto negativo nas atividades quotidianas e no descanso das grávidas. No entanto, quando se compararam os dois métodos, não houve diferenças estatisticamente significativas no que toca à preferência das grávidas por um deles.
Autores principais:Cruz, Maria Malta da Silva
Assunto:Maturação cervical Indução do trabalho de parto Balão de Foley Mifepristone Satisfação materna Obstetrícia
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Indução do trabalho de parto (ITP) define-se como a iniciação artificial de contrações uterinas rítmicas de forma a desencadear o trabalho de parto antes do seu início espontâneo. No entanto, numa percentagem importante de grávidas, é necessário que, previamente às contrações uterinas, haja amadurecimento cervical que, geralmente, é um processo lento e que ocorre, tradicionalmente, em meio hospitalar. A maioria dos estudos que comparam os diferentes métodos de maturação cervical (MC) focam-se preferencialmente na eficácia e perfil de segurança, negligenciando a preferência da grávida. Assim, este trabalho tem como objetivo avaliar a satisfação das grávidas relativamente ao método utilizado na MC realizada em ambulatório, comparando a utilização de mifepristone oral com o balão de foley. Foi aplicado um inquérito de satisfação materna às grávidas que participaram num ensaio clínico aleatorizado que está a decorrer no Serviço de Obstetrícia do Hospital de Santa Maria, que compara a utilização destes dois métodos em grávidas que têm indicação para ITP no termo e um índice de Bishop modificado inferior a 6. O desfecho primário do estudo foi a determinação de qual o método que se associa a maior satisfação materna na MC em ambulatório. Foram analisados 62 inquéritos. Globalmente, o processo de maturação foi considerado uma intervenção que gerou ansiedade. Contudo, as grávidas consideraram, frequentemente, que durante o procedimento conseguiram: 1. manter as suas atividades quotidianas, 2. ter momentos de relaxamento e 3. dormir. Referem, ainda, que não sentiram dor durante o processo. As grávidas que realizaram MC com o balão de foley reportaram mais desconforto comparativamente às que a realizaram com mifepristone (59% vs 23%, p = 0,005). No entanto, o balão de foley não se associou a maior perceção de dor comparativamente ao mifepristone (p = 0,485). Concluindo, este estudo mostra que a MC em ambulatório não parece ter um impacto negativo nas atividades quotidianas e no descanso das grávidas. No entanto, quando se compararam os dois métodos, não houve diferenças estatisticamente significativas no que toca à preferência das grávidas por um deles.