Publicação
Reatividade emocional e padrões afetivos : estudo das relações entre a reação não-consciente a estímulos emocionais e as variáveis afetivas
| Resumo: | O nosso estudo insere-se num modelo teórico que assume que as emoções têm uma influência moduladora de estados afetivos e cognitivos, e que atuam a um nível anterior ao processamento cognitivo de informação. Esta influência moduladora exprime-se em diferentes níveis de observação desde reações emocionais imediatas pré-lógicas e pré-verbais até estados mais estáveis como o humor e a personalidade. O nosso estudo visou testar, com o paradigma de priming emocional subliminar – mascaramento backward e forward – as influências moduladoras das emoções não-conscientes no processamento de estímulos emocionalmente neutros. Associámos três estímulos-máscara emocionalmente neutros, respetivamente, a 30 estímulos de valência emocional positiva, a 30 de valência negativa, e a 30 neutros de valência. A amostra consistiu em 18 sujeitos saudáveis, que realizaram uma tarefa de escolha de agrado e de desagrado (indicadores comportamentais) para os três estímulos-máscara, e submetidos a eletroencefalografia, que permitiu extrair potenciais relacionados com eventos (indicadores eletrofisiológicos). Colocámos a hipótese de que as escolhas de preferência por um estímulo-máscara estariam associadas a respostas com maior amplitude nos seus indicadores eletrofisiológicos para a condição de priming subliminar que lhe esteve associado. Após as tarefas experimentais, os participantes preencheram escalas clínicas e da personalidade, que avaliaram, respetivamente, dificuldades de regulação emocional, alexitimia, stresse percebido, padrões de vinculação, temperamento, e dimensões emocionais da personalidade – Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (EDRE), Toronto Alexithymia Scale (TAS-20), Escala de Stress Percebido (ESP), Escala de Vinculação do Adulto (EVA), Temperament Evaluation of Memphis, Pisa, Paris and San-Diego-Autoquestionnaire (TEMPS-A), e Affective Neuroscience Personality Scales (ANPS). A condição de estimulação subliminar negativa foi aquela que suscitou maior frequência das respostas de agrado. Enquanto a condição positiva foi a que despoletou maior frequência de respostas de desagrado. Encontrámos diferenças significativas nas formas de onda dos ERPs nas latências até aos 650 ms, tendo o priming emocional negativo, maioritariamente, despoletado amplitudes ERP superiores. Na latência mais tardia (800 – 900 ms), a amplitude ERP foi significativamente mais elevada para a condição neutra. Estes resultados comportamentais e eletrofisiológicos sugerem um efeito ativador do priming emocional negativo, orientando a atenção para os estímulos que lhe estiveram associados, e maior amplitude dos indicadores de ERPs destes processos atencionais. Num estudo exploratório, investigámos ainda, através do método de correlação (coeficiente de correlação de Pearson), as relações entre as escolhas de preferência pelos estímulos-máscara e os resultados obtidos nas escalas clínicas e da personalidade. A opção pelas variáveis afetivas estudadas, com diferentes níveis de elaboração cognitiva/verbal, resultou da consideração da sua interinfluência, com relações complexas de causalidade, no domínio do modelo teórico sistémico do afeto (Lewis, 2000a). Desta forma, colocámos a hipótese de que diferentes padrões de resultados nas escalas clínicas e da personalidade poderiam estar relacionados com diferentes respostas de agrado e de desagrado às três condições de priming emocional (positiva, negativa, e neutra). As sub-escalas Acesso limitado a estratégias de regulação emocional, Não-aceitação da resposta emocional, e Dificuldades em iniciar comportamentos orientados para objectivos da EDRE, Dificuldade em identificar sentimentos da TAS-20, Ansiedade da EVA, FEAR e SADNESS da ANPS, os temperamentos Ciclotímico, Irritável, e Ansioso da TEMPS-A, e os valores na ESP obtiveram uma correlação positiva com as escolhas de desagrado pela condição de estimulação positiva. Os valores na ESP, as sub-escalas Dificuldade em identificar sentimentos, Ansiedade, FEAR e SADNESS, e os temperamentos Ciclotímico, Irritável, e Ansioso obtiveram ainda uma correlação negativa com as escolhas de agrado pela condição de estimulação positiva. Os valores na ESP, e as sub-escalas Ansiedade e FEAR obtiveram uma correlação negativa com as escolhas de desagrado pela condição de estimulação negativa. A sub-escala Ansiedade apresentou ainda uma correlação positiva com as escolhas de agrado pela condição de estimulação negativa. Por fim, a sub-escala Confiança nos outros da EVA apresentou uma correlação negativa com as escolhas de agrado pela condição de estimulação negativa. Estes dados correlacionais, em que existiu uma predominância de respostas de desagrado pela condição positiva em dimensões referentes a afeto negativo, podem ser interpretados como sendo o reflexo de um viés atencional automático, que conduz ao afastamento não-consciente da estimulação positiva, observado nos afetos depressivos e ansiosos. |
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| Autores principais: | Baião, Miguel António Catalão, 1986- |
| Assunto: | Priming emocional subliminar potenciais relacionados com eventos reatividade emocional não-consistente Variáveis afetivas Sistemas dinâmicos Teses de mestrado - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O nosso estudo insere-se num modelo teórico que assume que as emoções têm uma influência moduladora de estados afetivos e cognitivos, e que atuam a um nível anterior ao processamento cognitivo de informação. Esta influência moduladora exprime-se em diferentes níveis de observação desde reações emocionais imediatas pré-lógicas e pré-verbais até estados mais estáveis como o humor e a personalidade. O nosso estudo visou testar, com o paradigma de priming emocional subliminar – mascaramento backward e forward – as influências moduladoras das emoções não-conscientes no processamento de estímulos emocionalmente neutros. Associámos três estímulos-máscara emocionalmente neutros, respetivamente, a 30 estímulos de valência emocional positiva, a 30 de valência negativa, e a 30 neutros de valência. A amostra consistiu em 18 sujeitos saudáveis, que realizaram uma tarefa de escolha de agrado e de desagrado (indicadores comportamentais) para os três estímulos-máscara, e submetidos a eletroencefalografia, que permitiu extrair potenciais relacionados com eventos (indicadores eletrofisiológicos). Colocámos a hipótese de que as escolhas de preferência por um estímulo-máscara estariam associadas a respostas com maior amplitude nos seus indicadores eletrofisiológicos para a condição de priming subliminar que lhe esteve associado. Após as tarefas experimentais, os participantes preencheram escalas clínicas e da personalidade, que avaliaram, respetivamente, dificuldades de regulação emocional, alexitimia, stresse percebido, padrões de vinculação, temperamento, e dimensões emocionais da personalidade – Escala de Dificuldades de Regulação Emocional (EDRE), Toronto Alexithymia Scale (TAS-20), Escala de Stress Percebido (ESP), Escala de Vinculação do Adulto (EVA), Temperament Evaluation of Memphis, Pisa, Paris and San-Diego-Autoquestionnaire (TEMPS-A), e Affective Neuroscience Personality Scales (ANPS). A condição de estimulação subliminar negativa foi aquela que suscitou maior frequência das respostas de agrado. Enquanto a condição positiva foi a que despoletou maior frequência de respostas de desagrado. Encontrámos diferenças significativas nas formas de onda dos ERPs nas latências até aos 650 ms, tendo o priming emocional negativo, maioritariamente, despoletado amplitudes ERP superiores. Na latência mais tardia (800 – 900 ms), a amplitude ERP foi significativamente mais elevada para a condição neutra. Estes resultados comportamentais e eletrofisiológicos sugerem um efeito ativador do priming emocional negativo, orientando a atenção para os estímulos que lhe estiveram associados, e maior amplitude dos indicadores de ERPs destes processos atencionais. Num estudo exploratório, investigámos ainda, através do método de correlação (coeficiente de correlação de Pearson), as relações entre as escolhas de preferência pelos estímulos-máscara e os resultados obtidos nas escalas clínicas e da personalidade. A opção pelas variáveis afetivas estudadas, com diferentes níveis de elaboração cognitiva/verbal, resultou da consideração da sua interinfluência, com relações complexas de causalidade, no domínio do modelo teórico sistémico do afeto (Lewis, 2000a). Desta forma, colocámos a hipótese de que diferentes padrões de resultados nas escalas clínicas e da personalidade poderiam estar relacionados com diferentes respostas de agrado e de desagrado às três condições de priming emocional (positiva, negativa, e neutra). As sub-escalas Acesso limitado a estratégias de regulação emocional, Não-aceitação da resposta emocional, e Dificuldades em iniciar comportamentos orientados para objectivos da EDRE, Dificuldade em identificar sentimentos da TAS-20, Ansiedade da EVA, FEAR e SADNESS da ANPS, os temperamentos Ciclotímico, Irritável, e Ansioso da TEMPS-A, e os valores na ESP obtiveram uma correlação positiva com as escolhas de desagrado pela condição de estimulação positiva. Os valores na ESP, as sub-escalas Dificuldade em identificar sentimentos, Ansiedade, FEAR e SADNESS, e os temperamentos Ciclotímico, Irritável, e Ansioso obtiveram ainda uma correlação negativa com as escolhas de agrado pela condição de estimulação positiva. Os valores na ESP, e as sub-escalas Ansiedade e FEAR obtiveram uma correlação negativa com as escolhas de desagrado pela condição de estimulação negativa. A sub-escala Ansiedade apresentou ainda uma correlação positiva com as escolhas de agrado pela condição de estimulação negativa. Por fim, a sub-escala Confiança nos outros da EVA apresentou uma correlação negativa com as escolhas de agrado pela condição de estimulação negativa. Estes dados correlacionais, em que existiu uma predominância de respostas de desagrado pela condição positiva em dimensões referentes a afeto negativo, podem ser interpretados como sendo o reflexo de um viés atencional automático, que conduz ao afastamento não-consciente da estimulação positiva, observado nos afetos depressivos e ansiosos. |
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