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Avanços na terapêutica do mieloma múltiplo

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O mieloma múltiplo (MM) é a segunda doença oncológica hematológica com maior prevalência, logo após o Linfoma de Não Hodgkin. Esta neoplasia caracteriza-se pela expansão monoclonal de plasmócitos na medula óssea que secretam imunoglobulina, também designada de proteína M, passível de ser detetada no sangue e/ou urina e cuja sua acumulação se traduz em sintomas conhecidos como CRAB (hipercalcemia, insuficiência renal, anemia e lesões ósseas). Nas últimas décadas, as investigações levadas a cabo nesta área tem melhorado o conhecimento acerca da fisiopatologia do MM, levaram à identificação das alterações citogenéticas desencadeadoras da doença e expandiram as opções terapêuticas, desde imunomodeladores, inibidores do proteossoma, inibidores da histona desacetilase e anticorpos monoclonais, para além do autotransplante de células percursoras hematopoiéticas, corticoides e agentes alquilantes como o melfalano. Posteriormente ao diagnóstico e estadiamento da doença, é investigada a possibilidade de realização de autotransplante de células percursoras hematopoiéticas, segundo critérios individuais dos doentes, tais como a idade. O tratamento é dividido em várias fases sequenciais: indução; autotransplante; consolidação; manutenção. Os esquemas terapêuticos são habitualmente tripletos que incluem um corticoide e dois fármacos com ação antitumoral. O esquema inicial preferencial descrito na guideline da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) é composto pelos fármacos bortezomib - lenalidomida - dexametasona (VRd). Apesar de os tratamentos atuais terem melhorado significativamente a sobrevivência global (OS) dos doentes, o mieloma múltiplo permanece até aos dias de hoje uma condição incurável e os doentes tornam-se inevitavelmente refratários à terapêutica, acabando por falecer da doença. Doentes refratários às terapêuticas standard apresentem fracos “outcomes”, daí a necessidade da introdução de novos agentes terapêuticos capazes de aumentar a sobrevivência e a qualidade de vida destes doentes. Torna-se imprescindível a procura de novos alvos terapêuticos expressos nas células tumorais, tais como o antigénio de maturação das células B (BCMA) para o qual se desenvolveram três modalidades distintas de tratamento: conjugados fármaco-anticorpo (ADC), BITEs (bispecific T cell engagers) e CAR-T. Já se encontram disponíveis no mercado moléculas anti-BCMA, tais como Belantamab mafodotina e muitas outras são alvo de ensaios clínicos onde se tem evidenciado resultados bastantes promissores em doentes já anteriormente submetidos a várias terapêuticas.
Autores principais:Santos, Joana Margarida Malheiro Alves dos
Assunto:Mieloma múltiplo Autotransplante de células percursoras hematopoiéticas CAR-T Anticorpos bi-específicos Doença residual mínima Mestrado Integrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O mieloma múltiplo (MM) é a segunda doença oncológica hematológica com maior prevalência, logo após o Linfoma de Não Hodgkin. Esta neoplasia caracteriza-se pela expansão monoclonal de plasmócitos na medula óssea que secretam imunoglobulina, também designada de proteína M, passível de ser detetada no sangue e/ou urina e cuja sua acumulação se traduz em sintomas conhecidos como CRAB (hipercalcemia, insuficiência renal, anemia e lesões ósseas). Nas últimas décadas, as investigações levadas a cabo nesta área tem melhorado o conhecimento acerca da fisiopatologia do MM, levaram à identificação das alterações citogenéticas desencadeadoras da doença e expandiram as opções terapêuticas, desde imunomodeladores, inibidores do proteossoma, inibidores da histona desacetilase e anticorpos monoclonais, para além do autotransplante de células percursoras hematopoiéticas, corticoides e agentes alquilantes como o melfalano. Posteriormente ao diagnóstico e estadiamento da doença, é investigada a possibilidade de realização de autotransplante de células percursoras hematopoiéticas, segundo critérios individuais dos doentes, tais como a idade. O tratamento é dividido em várias fases sequenciais: indução; autotransplante; consolidação; manutenção. Os esquemas terapêuticos são habitualmente tripletos que incluem um corticoide e dois fármacos com ação antitumoral. O esquema inicial preferencial descrito na guideline da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) é composto pelos fármacos bortezomib - lenalidomida - dexametasona (VRd). Apesar de os tratamentos atuais terem melhorado significativamente a sobrevivência global (OS) dos doentes, o mieloma múltiplo permanece até aos dias de hoje uma condição incurável e os doentes tornam-se inevitavelmente refratários à terapêutica, acabando por falecer da doença. Doentes refratários às terapêuticas standard apresentem fracos “outcomes”, daí a necessidade da introdução de novos agentes terapêuticos capazes de aumentar a sobrevivência e a qualidade de vida destes doentes. Torna-se imprescindível a procura de novos alvos terapêuticos expressos nas células tumorais, tais como o antigénio de maturação das células B (BCMA) para o qual se desenvolveram três modalidades distintas de tratamento: conjugados fármaco-anticorpo (ADC), BITEs (bispecific T cell engagers) e CAR-T. Já se encontram disponíveis no mercado moléculas anti-BCMA, tais como Belantamab mafodotina e muitas outras são alvo de ensaios clínicos onde se tem evidenciado resultados bastantes promissores em doentes já anteriormente submetidos a várias terapêuticas.