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Uma nova casa da cultura para o Mindelo, Cabo Verde

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O cineteatro Éden Park foi durante décadas a referência central na vida cultural e social do Mindelo e também de Cabo Verde, sendo considerada a sua capital cultural. Fechou em 2006, quando a cultura do cinema definhou, face à concorrência da televisão, e hoje encontra-se em deplorável estado de abandono e degradação, na “Praça” do Mindelo. Agora que a cultura da televisão também está a passar, no momento em que os poderes públicos se mostram – corretamente – sensíveis para a necessidade de desenvolver as indústrias criativas, em contexto em que música, Carnaval, dança e teatro são ativos cada vez mais importantes, em que o desenvolvimento social exige espaços em que a sociedade se encontre e reconheça enquanto tal, em que faltam espaços para a criação e apresentação das artes do espetáculo, em sintonia com exigências atuais da criação, é chegado, pensamos, o momento de pensar seriamente em devolver o Éden à economia, sociedade e cultura cabo-verdiana. Nesta investigação percorre-se a história urbana e cultural de São Vicente, necessariamente também do Éden, percorremos um leque alargado de equipamentos culturais (em Paris, Nantes, Estocolmo e Montemor-o-Velho), estudamos programas e observamos diferentes estratégias de entrosamento dos equipamentos na vida das comunidades que servem, observamos estratégias de que a componente arquitetónica é parte importante, mas nem sempre a essencial, estratégias que têm associados envelopes financeiros muito diversificados, estudamos – em processo de trabalho em que pudemos trocar impressões com Rui Horta e com Marlene Monteiro Freitas – os requisitos de centros de espetáculos com valências de criação e apresentação. Tudo isto foi ponderado na perspetiva da realidade cabo-verdiana e da área de intervenção, investigando diversas hipóteses morfológicas, tipológicas e construtivas. A proposta que emerge deste percurso de pesquisa reconhece a singularidade do Éden, salienta a sua importância enquanto lugar de memória, mas obstina-se em colocar a sua recuperação sob o horizonte do equipamento de criação e apresentação adaptado a exigências atuais das artes performativas, sob o horizonte de um equipamento que possa prestar à cultura, sociedade e economia serviços culturais-artísticos relevantes, que possa sustentadamente ambicionar a constituir o foco da vida social no Mindelo. A vida cultural e social já gravitou no passado em torno ao Éden Park e deseja-se que tal possa a vir acontecer de novo. Mas para que tal aconteça, o programa sempre será outro e exigirá profunda reestruturação do Éden do passado. Apesar de baseada em sistemático percurso de estudo e exploração projetual, não se encara a proposta como o preâmbulo dos aprofundamentos projetuais ao nível das especialidades e, de seguida, a passagem à obra. Uma proposta que se quer para as pessoas não pode furtar-se ao escrutínio por essas mesmas pessoas. Assim, encaramos a proposta como a base para um processo participado, em que a comunidade teria a oportunidade de pronunciar-se em relação a programa e forma, ao lugar que quer para as artes performativas no seu seio.
Autores principais:Delgado, Lucindo Israel Dias
Assunto:Cabo Verde Mindelo Cineteatro Éden Park Reestruturação Casa da cultura Cape Verde Cine-theater Éden Park Restructuring House of culture
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O cineteatro Éden Park foi durante décadas a referência central na vida cultural e social do Mindelo e também de Cabo Verde, sendo considerada a sua capital cultural. Fechou em 2006, quando a cultura do cinema definhou, face à concorrência da televisão, e hoje encontra-se em deplorável estado de abandono e degradação, na “Praça” do Mindelo. Agora que a cultura da televisão também está a passar, no momento em que os poderes públicos se mostram – corretamente – sensíveis para a necessidade de desenvolver as indústrias criativas, em contexto em que música, Carnaval, dança e teatro são ativos cada vez mais importantes, em que o desenvolvimento social exige espaços em que a sociedade se encontre e reconheça enquanto tal, em que faltam espaços para a criação e apresentação das artes do espetáculo, em sintonia com exigências atuais da criação, é chegado, pensamos, o momento de pensar seriamente em devolver o Éden à economia, sociedade e cultura cabo-verdiana. Nesta investigação percorre-se a história urbana e cultural de São Vicente, necessariamente também do Éden, percorremos um leque alargado de equipamentos culturais (em Paris, Nantes, Estocolmo e Montemor-o-Velho), estudamos programas e observamos diferentes estratégias de entrosamento dos equipamentos na vida das comunidades que servem, observamos estratégias de que a componente arquitetónica é parte importante, mas nem sempre a essencial, estratégias que têm associados envelopes financeiros muito diversificados, estudamos – em processo de trabalho em que pudemos trocar impressões com Rui Horta e com Marlene Monteiro Freitas – os requisitos de centros de espetáculos com valências de criação e apresentação. Tudo isto foi ponderado na perspetiva da realidade cabo-verdiana e da área de intervenção, investigando diversas hipóteses morfológicas, tipológicas e construtivas. A proposta que emerge deste percurso de pesquisa reconhece a singularidade do Éden, salienta a sua importância enquanto lugar de memória, mas obstina-se em colocar a sua recuperação sob o horizonte do equipamento de criação e apresentação adaptado a exigências atuais das artes performativas, sob o horizonte de um equipamento que possa prestar à cultura, sociedade e economia serviços culturais-artísticos relevantes, que possa sustentadamente ambicionar a constituir o foco da vida social no Mindelo. A vida cultural e social já gravitou no passado em torno ao Éden Park e deseja-se que tal possa a vir acontecer de novo. Mas para que tal aconteça, o programa sempre será outro e exigirá profunda reestruturação do Éden do passado. Apesar de baseada em sistemático percurso de estudo e exploração projetual, não se encara a proposta como o preâmbulo dos aprofundamentos projetuais ao nível das especialidades e, de seguida, a passagem à obra. Uma proposta que se quer para as pessoas não pode furtar-se ao escrutínio por essas mesmas pessoas. Assim, encaramos a proposta como a base para um processo participado, em que a comunidade teria a oportunidade de pronunciar-se em relação a programa e forma, ao lugar que quer para as artes performativas no seu seio.