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O Programa de Ciências Físico-Químicas do 8º ano de escolaridade e a sua recontextualização pelos professores : uma análise sociológica

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este estudo insere-se numa ampla investigação desenvolvida pelo projecto ESSA (Estudos Sociológicas da Sala de Aula), em que se pretende analisar documentos da actual e/ou anterior reforma. Neste caso, foi feita a análise sociológica do programa de CFQ do 8º ano e da sua recontextualização, ao nível da sala de aula, com o objectivo de averiguar o grau de recontextualização que o DPO expresso no programa sofre, ao nível da sala de aula O estudo teve uma fundamentação teórica de natureza sociológica, baseando-se, em particular, no modelo do discurso pedagógico da teoria de Bernstein. O estudo é, fundamentalmente, de natureza qualitativa, recorrendo-se à análise de conteúdo como principal técnica. Procedeu-se, de acordo com um modelo elaborado com base na teoria de Bernstein, à análise exaustiva de todo o conteúdo do programa de CFQ, relacionado com o contexto de transmissão-aquisição. O programa foi analisado nas seguintes dimensões: Discursos e Competências, Relação Escola-comunidade, Relação entre conhecimentos e Teoria de instrução. A análise de práticas pedagógicas de professores de CFQ decorreu em duas escolas correspondentes a contextos sociais bem diferenciados, tendo sido entrevistados oito alunos em cada escola. O questionário, aplicado em situação de entrevista, foi estruturado de acordo com os mesmos parâmetros considerados para a análise do programa. Foi, assim, possível recolher informações sobre o grau de recontextualização, face ao programa, das práticas pedagógicas desenvolvidas pelas professoras das duas escolas e comparar, entre si, as recontextualizações ocorridas nas duas escolas. Concluímos globalmente que o programa atribuiu ênfase acentuada ao Discurso Regulador Geral. Às Competências cognitivas simples dá mais ênfase que às complexas, o que pode estar relacionado com a massificação do ensino, resultante de a escolaridade obrigatória ter sido alargada. No entanto, isto irá dificultar a aquisição de um mais alto grau de literacia científica dos cidadãos. Às Competências sócio-afectivas complexas dá mais ênfase que às simples, talvez porque a escolaridade obrigatória pretende levar todos os cidadãos a perfilharem um determinado conjunto de valores. O facto de os autores do programa, ainda, encararem o ensino desta disciplina numa abordagem demasiado centrada no conteúdos leva a que o texto do programa manifeste grande omissão, relativamente às relações Escola-comunidade e interdisciplinar entre conhecimentos. A parte especifica de Física e a de Química dão, tal como o programa, na sua globalidade, uma ênfase mais acentuada às Competências cognitivas simples do que às complexas. A Física segue o programa, relativamente às Competências sócio-afectivas, enquanto que com a Química se passa o oposto. Quer a Física, quer a Química manifestam omissão superior à do programa, relativamente às relações Escola-comunidade, interdisciplinar e intradisciplinar entre conhecimentos. Essa omissão, é sempre, superior, no caso da Química. À Física dá ênfase a uma teoria de instrução de natureza mais auto-reguladora, enquanto que a Química dá ênfase a uma teoria de instrução de natureza mais didáctica. Estas evidentes discrepâncias entre a Física e a Quimica são provavelmente devidas ao facto de, não sendo os autores das diferentes partes os mesmos, não perfilharem idênticos princípios pedagógicos. De modo a que este desajustamento não interfira no sucesso dos alunos, seria aconselhável que os diferentes autores realizassem um trabalho mais coordenado. As práticas pedagógicas também dão ênfase acentuada ao Discurso Regulador Geral. Verifica-se que o contexto social interfere no desenvolvimento das Competências cognitivas, saído as complexas mais desenvolvidas na escola frequentada pelos alunos de um meio social mais favorecido. As Competências sócio-afectivas simples e complexas são também mais desenvolvidas nesta escola. Quanto à relação Escola-comunidade, é mais fraca do que o programa pressupunha. Nas duas escolas foram mais explicitadas as relações interdisciplinar entre conhecimentos e intradisciplinar entre conhecimentos, do que o programa pressupunha. A teoria de instrução desenvolvida nas duas escolas é, ligeiramente, mais centrada no transmissor, do que o programa pressupunha. Estes factos evidenciam que ao longo de todas as recontextualizações os professores podem criar situações propícias à mudança. Resta saber qual o sentido da mudança mais adequado. Atendendo a esta situação, é importante que se dê muita atenção à formação inicial e contínua dos professores, para que as suas práticas pedagógicas possam reflectir um grau de inovação bem alto, caso o programa, dele esteja carenciado.
Autores principais:Lopes, Adélia Maria Angelina Lourenço Ferreira
Assunto:Ciências - Estudo e ensino Aprendizagem científica Discurso pedagógico Análise social Práticas educativas Programas de ensino Teses de mestrado - 1998
Ano:1998
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este estudo insere-se numa ampla investigação desenvolvida pelo projecto ESSA (Estudos Sociológicas da Sala de Aula), em que se pretende analisar documentos da actual e/ou anterior reforma. Neste caso, foi feita a análise sociológica do programa de CFQ do 8º ano e da sua recontextualização, ao nível da sala de aula, com o objectivo de averiguar o grau de recontextualização que o DPO expresso no programa sofre, ao nível da sala de aula O estudo teve uma fundamentação teórica de natureza sociológica, baseando-se, em particular, no modelo do discurso pedagógico da teoria de Bernstein. O estudo é, fundamentalmente, de natureza qualitativa, recorrendo-se à análise de conteúdo como principal técnica. Procedeu-se, de acordo com um modelo elaborado com base na teoria de Bernstein, à análise exaustiva de todo o conteúdo do programa de CFQ, relacionado com o contexto de transmissão-aquisição. O programa foi analisado nas seguintes dimensões: Discursos e Competências, Relação Escola-comunidade, Relação entre conhecimentos e Teoria de instrução. A análise de práticas pedagógicas de professores de CFQ decorreu em duas escolas correspondentes a contextos sociais bem diferenciados, tendo sido entrevistados oito alunos em cada escola. O questionário, aplicado em situação de entrevista, foi estruturado de acordo com os mesmos parâmetros considerados para a análise do programa. Foi, assim, possível recolher informações sobre o grau de recontextualização, face ao programa, das práticas pedagógicas desenvolvidas pelas professoras das duas escolas e comparar, entre si, as recontextualizações ocorridas nas duas escolas. Concluímos globalmente que o programa atribuiu ênfase acentuada ao Discurso Regulador Geral. Às Competências cognitivas simples dá mais ênfase que às complexas, o que pode estar relacionado com a massificação do ensino, resultante de a escolaridade obrigatória ter sido alargada. No entanto, isto irá dificultar a aquisição de um mais alto grau de literacia científica dos cidadãos. Às Competências sócio-afectivas complexas dá mais ênfase que às simples, talvez porque a escolaridade obrigatória pretende levar todos os cidadãos a perfilharem um determinado conjunto de valores. O facto de os autores do programa, ainda, encararem o ensino desta disciplina numa abordagem demasiado centrada no conteúdos leva a que o texto do programa manifeste grande omissão, relativamente às relações Escola-comunidade e interdisciplinar entre conhecimentos. A parte especifica de Física e a de Química dão, tal como o programa, na sua globalidade, uma ênfase mais acentuada às Competências cognitivas simples do que às complexas. A Física segue o programa, relativamente às Competências sócio-afectivas, enquanto que com a Química se passa o oposto. Quer a Física, quer a Química manifestam omissão superior à do programa, relativamente às relações Escola-comunidade, interdisciplinar e intradisciplinar entre conhecimentos. Essa omissão, é sempre, superior, no caso da Química. À Física dá ênfase a uma teoria de instrução de natureza mais auto-reguladora, enquanto que a Química dá ênfase a uma teoria de instrução de natureza mais didáctica. Estas evidentes discrepâncias entre a Física e a Quimica são provavelmente devidas ao facto de, não sendo os autores das diferentes partes os mesmos, não perfilharem idênticos princípios pedagógicos. De modo a que este desajustamento não interfira no sucesso dos alunos, seria aconselhável que os diferentes autores realizassem um trabalho mais coordenado. As práticas pedagógicas também dão ênfase acentuada ao Discurso Regulador Geral. Verifica-se que o contexto social interfere no desenvolvimento das Competências cognitivas, saído as complexas mais desenvolvidas na escola frequentada pelos alunos de um meio social mais favorecido. As Competências sócio-afectivas simples e complexas são também mais desenvolvidas nesta escola. Quanto à relação Escola-comunidade, é mais fraca do que o programa pressupunha. Nas duas escolas foram mais explicitadas as relações interdisciplinar entre conhecimentos e intradisciplinar entre conhecimentos, do que o programa pressupunha. A teoria de instrução desenvolvida nas duas escolas é, ligeiramente, mais centrada no transmissor, do que o programa pressupunha. Estes factos evidenciam que ao longo de todas as recontextualizações os professores podem criar situações propícias à mudança. Resta saber qual o sentido da mudança mais adequado. Atendendo a esta situação, é importante que se dê muita atenção à formação inicial e contínua dos professores, para que as suas práticas pedagógicas possam reflectir um grau de inovação bem alto, caso o programa, dele esteja carenciado.