Publicação
Efeitos da exposição à Thaumetopoea pityocampa em felídeos : a propósito de 6 casos clínicos
| Resumo: | A Thaumetopoea pityocampa, vulgarmente conhecida por processionária, é endémica no sul da Europa. A exposição aos pêlos urticantes, que surgem a partir da 3ª fase larvar, provoca dermatite e urticária de contacto em humanos e nos animais domésticos, constituindo um problema de saúde pública. Em Medicina Veterinária não existe, até à data, nenhum trabalho sobre os seus efeitos na espécie felina. Este estudo retrospectivo relata 6 casos clínicos de felinos que contactaram com a processionária na Península de Setúbal. Tem como principal objectivo a caracterização do quadro clínico, medidas terapêuticas e evolução. Todos os animais foram presentes à consulta nos meses de Fevereiro e Março, altura em que as larvas descem dos pinheiros e formam as típicas procissões, no período decorrido entre 2007 e 2012. A amostra incluiu 3 fêmeas e 3 machos, todos da raça Doméstico de pêlo curto e com idades compreendidas entre 5 meses e 8 anos. O período de tempo decorrido desde o contacto até à consulta variou desde 1 hora a mais de 2 dias. Os sinais clínicos ocorreram de forma aguda com carácter evolutivo. Ao exame clínico observou-se: prurido facial (6/6), ptialismo (5/6), eritema facial (4/6), queilite (3/6), edema facial (3/6), edema lingual ou sub-lingual (3/6), glossite ulcerativa (3/6), anorexia (3/6), lesões ulcerativas orofaciais (2/6), disfagia (2/6), edema submandibular (1/6), vómito (1/6) e edema das extremidades dos membros anteriores (1/6). Foi instituída terapêutica de suporte e sintomática e todos os animais recuperaram completamente. A maioria dos gatos afectados tinha uma idade inferior a 10 meses, o que sugere que os animais jovens correm maior risco de exposição. A cabeça foi a região mais atingida, destacando-se a face e a cavidade oral. Embora alguns gatos tenham apresentado glossite e lesões ulcerativas, nunca se constatou uma evolução necrosante. O contacto com T. pityocampa em felinos é um problema subestimado, tanto na literatura científica como na prática clínica, tornando-se importante sensibilizar os clínicos para esta causa de urticária e dermatite de contacto. |
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| Autores principais: | Lopes, Marta Filipa Martins |
| Assunto: | Gatos processionária lagarta do pinheiro Thaumetopoea pityocampa pêlos urticantes urticária de contacto Cats pine processionary caterpillar urticating hairs contact urticaria |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Thaumetopoea pityocampa, vulgarmente conhecida por processionária, é endémica no sul da Europa. A exposição aos pêlos urticantes, que surgem a partir da 3ª fase larvar, provoca dermatite e urticária de contacto em humanos e nos animais domésticos, constituindo um problema de saúde pública. Em Medicina Veterinária não existe, até à data, nenhum trabalho sobre os seus efeitos na espécie felina. Este estudo retrospectivo relata 6 casos clínicos de felinos que contactaram com a processionária na Península de Setúbal. Tem como principal objectivo a caracterização do quadro clínico, medidas terapêuticas e evolução. Todos os animais foram presentes à consulta nos meses de Fevereiro e Março, altura em que as larvas descem dos pinheiros e formam as típicas procissões, no período decorrido entre 2007 e 2012. A amostra incluiu 3 fêmeas e 3 machos, todos da raça Doméstico de pêlo curto e com idades compreendidas entre 5 meses e 8 anos. O período de tempo decorrido desde o contacto até à consulta variou desde 1 hora a mais de 2 dias. Os sinais clínicos ocorreram de forma aguda com carácter evolutivo. Ao exame clínico observou-se: prurido facial (6/6), ptialismo (5/6), eritema facial (4/6), queilite (3/6), edema facial (3/6), edema lingual ou sub-lingual (3/6), glossite ulcerativa (3/6), anorexia (3/6), lesões ulcerativas orofaciais (2/6), disfagia (2/6), edema submandibular (1/6), vómito (1/6) e edema das extremidades dos membros anteriores (1/6). Foi instituída terapêutica de suporte e sintomática e todos os animais recuperaram completamente. A maioria dos gatos afectados tinha uma idade inferior a 10 meses, o que sugere que os animais jovens correm maior risco de exposição. A cabeça foi a região mais atingida, destacando-se a face e a cavidade oral. Embora alguns gatos tenham apresentado glossite e lesões ulcerativas, nunca se constatou uma evolução necrosante. O contacto com T. pityocampa em felinos é um problema subestimado, tanto na literatura científica como na prática clínica, tornando-se importante sensibilizar os clínicos para esta causa de urticária e dermatite de contacto. |
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