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Epileptic seizures heralding intracerebral haemorrhage : case report and systematic review of the literature

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Resumo:Introdução: Crises epiléticas precursoras de acidente vascular cerebral (“heraldic seizures”) têm sido descritas como podendo representar um sinal de alarme para um evento cerebrovascular major subsequente. Este trabalho tem como objetivo a descrição de um caso clínico e a revisão sistemática de casos de crises epiléticas precursoras de hemorragia intracerebral (HIC) como apresentação inicial de angiopatia amiloide cerebral (AAC). Métodos: Pesquisa no PubMed e análise das referências cruzadas. Caso clínico: Mulher de 82 anos apresentou três episódios transitórios de hemiparésia esquerda com evolução para episódios paroxísticos de postura tónica e movimentos clónicos do membro superior esquerdo, seguidos por sinais focais pós-ictais prolongados, pelo que iniciou terapêutica antiepilética. Apresentou ainda dois episódios de estado confusional prolongado, que responderam à otimização da terapêutica antiepilética. Vários eletroencefalogramas (EEG) mostraram atividade lenta focal e atividade epileptiforme frequente nas regiões temporo-parieto-occipitais direitas. A TC-CE e a RM-CE 0,5T excluíram uma lesão cerebral e o líquor não mostrou alterações. Trinta e dois meses após as primeiras manifestações, um novo episódio de prostração e hemiparesia esquerda revelou uma hemorragia aguda do lobo frontal direito. Foram excluídas causas traumáticas e hipertensivas, e a angio-TC não apresentou alterações. O EEG revelou atividade epileptiforme na região temporal direita, bem como na região fronto-temporal esquerda. Três meses depois foi internada por crise epilética com generalização e hemiparesia direita, tendo sido diagnosticado um extenso hematoma lobar temporoparietal esquerdo. A doente faleceu duas semanas depois. Resultados da revisão sistemática: Foram encontrados três casos clínicos de HIC primária em doentes com AAC precedidos de crises epiléticas como sua primeira manifestação clínica. Conclusão: Estes casos exemplificam o conceito de “crises precursoras”, sugerindo que a AAC é a causa subjacente das crises epiléticas e da HIC subsequente. As crises epiléticas e as alterações eletroencefalográficas podem representar um marcador para uma condição oculta, podendo antecipar uma HIC iminente relacionada com AAC.
Autores principais:Boto, Raquel Alexandra Rodrigues Mendes
Assunto:Crises precursoras Hemorragia intracerebral Angiopatia amiloide cerebral Epilepsia de início tardio Doença cerebrovascular Neurologia
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: Crises epiléticas precursoras de acidente vascular cerebral (“heraldic seizures”) têm sido descritas como podendo representar um sinal de alarme para um evento cerebrovascular major subsequente. Este trabalho tem como objetivo a descrição de um caso clínico e a revisão sistemática de casos de crises epiléticas precursoras de hemorragia intracerebral (HIC) como apresentação inicial de angiopatia amiloide cerebral (AAC). Métodos: Pesquisa no PubMed e análise das referências cruzadas. Caso clínico: Mulher de 82 anos apresentou três episódios transitórios de hemiparésia esquerda com evolução para episódios paroxísticos de postura tónica e movimentos clónicos do membro superior esquerdo, seguidos por sinais focais pós-ictais prolongados, pelo que iniciou terapêutica antiepilética. Apresentou ainda dois episódios de estado confusional prolongado, que responderam à otimização da terapêutica antiepilética. Vários eletroencefalogramas (EEG) mostraram atividade lenta focal e atividade epileptiforme frequente nas regiões temporo-parieto-occipitais direitas. A TC-CE e a RM-CE 0,5T excluíram uma lesão cerebral e o líquor não mostrou alterações. Trinta e dois meses após as primeiras manifestações, um novo episódio de prostração e hemiparesia esquerda revelou uma hemorragia aguda do lobo frontal direito. Foram excluídas causas traumáticas e hipertensivas, e a angio-TC não apresentou alterações. O EEG revelou atividade epileptiforme na região temporal direita, bem como na região fronto-temporal esquerda. Três meses depois foi internada por crise epilética com generalização e hemiparesia direita, tendo sido diagnosticado um extenso hematoma lobar temporoparietal esquerdo. A doente faleceu duas semanas depois. Resultados da revisão sistemática: Foram encontrados três casos clínicos de HIC primária em doentes com AAC precedidos de crises epiléticas como sua primeira manifestação clínica. Conclusão: Estes casos exemplificam o conceito de “crises precursoras”, sugerindo que a AAC é a causa subjacente das crises epiléticas e da HIC subsequente. As crises epiléticas e as alterações eletroencefalográficas podem representar um marcador para uma condição oculta, podendo antecipar uma HIC iminente relacionada com AAC.