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Intoxicações por ferro e alumínio: abordagem terapêutica

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Resumo:O ferro é um elemento essencial para a maioria dos organismos, já que participa em diversos processos metabólicos. Contudo, a desregulação da sua homeostasia está associada a diversas condições patológicas. A sobrecarga de ferro pode ter origem genética, quando estão associados a defeitos hereditários na regulação do metabolismo do ferro, ou adquirida, quando resulta de anemias associadas a sobrecarga de ferro, como a talassémia, administração parentérica de ferro ou doenças hepáticas. A hemocromatose hereditária é uma das condições genéticas mais comuns, sendo caracterizada por uma excessiva absorção de ferro, devido a uma deficiência na principal hormona reguladora do metabolismo do ferro, a hepcidina. O alumínio é um dos metais mais abundantes da Terra, embora não apresente quaisquer funções fisiológicas no organismo humano, sendo considerado um perigo sem qualquer benefício. A baixa absorção e eficiente excreção renal diminuem o risco de toxicidade. No entanto, a função renal comprometida e a hemodiálise tornam estes doentes particularmente suscetíveis ao desenvolvimento de intoxicação por este metal. A flebotomia é uma das principais formas de tratamento da hemocromatose hereditária, uma vez que é altamente eficaz e relativamente livre de efeitos adversos. Contudo, o seu uso é limitado, principalmente em doentes com anemia ou doenças cardíacas graves. Para estes doentes a eritrocitaferese pode ser uma opção viável, estando associada a uma maior eficácia na remoção do ferro em excesso e a uma diminuição dos eventos hemodinâmicos associados à flebotomia. O objetivo da terapêutica por quelação é a remoção de iões metálicos tóxicos através da formação de um complexo inerte e hidrossolúvel, passível de ser excretado. A desferroxamina, a deferriprona e o deferasirox são atualmente os agentes utilizados na prática clínica no tratamento da sobrecarga de ferro. As semelhanças químicas entre o ferro e o alumínio justificam a utilização da desferroxamina no tratamento das intoxicações por alumínio. Os problemas associados à utilização destes agentes quelantes juntamente com a elevada prevalência e as manifestações clínicas associadas às intoxicações por ferro e alumínio justificam a constante procura de novos agentes quelantes e de novas abordagens terapêuticas cada vez mais eficazes e seguras, por forma a melhor a qualidade de vida destes doentes.
Autores principais:Conceição, Joana Inês dos Santos
Assunto:Ferro Alumínio Toxicidade Hepcidina Hemocromatose Quelação Mestrado integrado -2021
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O ferro é um elemento essencial para a maioria dos organismos, já que participa em diversos processos metabólicos. Contudo, a desregulação da sua homeostasia está associada a diversas condições patológicas. A sobrecarga de ferro pode ter origem genética, quando estão associados a defeitos hereditários na regulação do metabolismo do ferro, ou adquirida, quando resulta de anemias associadas a sobrecarga de ferro, como a talassémia, administração parentérica de ferro ou doenças hepáticas. A hemocromatose hereditária é uma das condições genéticas mais comuns, sendo caracterizada por uma excessiva absorção de ferro, devido a uma deficiência na principal hormona reguladora do metabolismo do ferro, a hepcidina. O alumínio é um dos metais mais abundantes da Terra, embora não apresente quaisquer funções fisiológicas no organismo humano, sendo considerado um perigo sem qualquer benefício. A baixa absorção e eficiente excreção renal diminuem o risco de toxicidade. No entanto, a função renal comprometida e a hemodiálise tornam estes doentes particularmente suscetíveis ao desenvolvimento de intoxicação por este metal. A flebotomia é uma das principais formas de tratamento da hemocromatose hereditária, uma vez que é altamente eficaz e relativamente livre de efeitos adversos. Contudo, o seu uso é limitado, principalmente em doentes com anemia ou doenças cardíacas graves. Para estes doentes a eritrocitaferese pode ser uma opção viável, estando associada a uma maior eficácia na remoção do ferro em excesso e a uma diminuição dos eventos hemodinâmicos associados à flebotomia. O objetivo da terapêutica por quelação é a remoção de iões metálicos tóxicos através da formação de um complexo inerte e hidrossolúvel, passível de ser excretado. A desferroxamina, a deferriprona e o deferasirox são atualmente os agentes utilizados na prática clínica no tratamento da sobrecarga de ferro. As semelhanças químicas entre o ferro e o alumínio justificam a utilização da desferroxamina no tratamento das intoxicações por alumínio. Os problemas associados à utilização destes agentes quelantes juntamente com a elevada prevalência e as manifestações clínicas associadas às intoxicações por ferro e alumínio justificam a constante procura de novos agentes quelantes e de novas abordagens terapêuticas cada vez mais eficazes e seguras, por forma a melhor a qualidade de vida destes doentes.