Publicação
Hepatite crónica canina : estudo retrospetivo de 19 casos clínicos (2011-2022)
| Resumo: | RESUMO - A Hepatite Crónica canina (HCC) é considerada a doença hepática primária mais comum nos cães, com uma prevalência de até 12%, representando um relevante fator de morbilidade e mortalidade na prática clínica. Este estudo retrospetivo incluiu cães diagnosticados no Hospital Escolar Veterinário (HEV) entre 2011 e 2022. Foram incluídos todos os canídeos com diagnóstico de HCC confirmado através de biópsia hepática. O objetivo principal foi a caracterização da amostra, dos seus antecedentes clínicos, das alterações clínicas, laboratoriais, imagiológicas e histopatológicas, assim como do desenvolvimento de complicações durante o curso da doença e da gestão terapêutica efetuada. Além disso, teve como objetivo mostrar possíveis tendências raciais e de género em Portugal. O estudo incidiu sobre uma amostra de 19 canídeos com uma idade média de 8,16 anos, onde se observou uma sobrerrepresentação do sexo feminino e dos Labrador retriever. Os sinais clínicos mais relatados incluíram letargia (89,5%) e anorexia (89,5%). No exame físico, icterícia (52,6%) e palpação abdominal dolorosa (52,6%) foram os sinais mais comuns. Nas análises clínicas a ALT (100%) mostrou-se consistentemente elevada, seguida da FAS (94,7%). Os marcadores de função mais frequentemente alterados foram a albumina (57,9%) e a bilirrubina (52,6%). A ecografia foi sugestiva de HCC/cirrose em 47,4% da amostra. Na histopatologia, o infiltrado linfoplasmocitário foi o mais frequente (42,1%) com localização maioritariamente portal/periportal, tal como a fibrose. Oito animais (42,1%) apresentavam cirrose. Durante o curso da doença, surgiram diversas complicações como alterações da coagulação (68,4%), hipertensão portal (31,6%), ascite (31,6%), ulceração gastrointestinal (31,6%) e encefalopatia hepática (26,3%). Quanto à etiologia, a maioria dos casos (89,5%) foi considerado idiopático por falha na deteção da etiologia. Em dois Labrador Retriever foi diagnosticada acumulação primária de cobre. Este estudo retrospetivo permitiu atualizar a epidemiologia da HCC em Portugal e reforçar o caráter inespecífico dos seus sinais clínicos, bem como a importância da biópsia para o diagnóstico e para uma intervenção terapêutica precoce, a fim de retardar a progressão da doença e evitar as suas complicações. Além disso, permitiu obter uma visão aproximada da realidade portuguesa sobre os meios de diagnóstico e a terapêutica disponíveis. As grandes limitações do estudo foram o tamanho da amostra e a sua natureza retrospetiva, que levou a uma falta de padronização da abordagem diagnóstica e terapêutica e impossibilitou a análise do prognóstico |
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| Autores principais: | Carramanho, Ana Carolina Jardim Silva |
| Assunto: | Hepatite crónica canina Fígado Idiopático Canine Chronic Hepatitis Liver Idiopathic |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | RESUMO - A Hepatite Crónica canina (HCC) é considerada a doença hepática primária mais comum nos cães, com uma prevalência de até 12%, representando um relevante fator de morbilidade e mortalidade na prática clínica. Este estudo retrospetivo incluiu cães diagnosticados no Hospital Escolar Veterinário (HEV) entre 2011 e 2022. Foram incluídos todos os canídeos com diagnóstico de HCC confirmado através de biópsia hepática. O objetivo principal foi a caracterização da amostra, dos seus antecedentes clínicos, das alterações clínicas, laboratoriais, imagiológicas e histopatológicas, assim como do desenvolvimento de complicações durante o curso da doença e da gestão terapêutica efetuada. Além disso, teve como objetivo mostrar possíveis tendências raciais e de género em Portugal. O estudo incidiu sobre uma amostra de 19 canídeos com uma idade média de 8,16 anos, onde se observou uma sobrerrepresentação do sexo feminino e dos Labrador retriever. Os sinais clínicos mais relatados incluíram letargia (89,5%) e anorexia (89,5%). No exame físico, icterícia (52,6%) e palpação abdominal dolorosa (52,6%) foram os sinais mais comuns. Nas análises clínicas a ALT (100%) mostrou-se consistentemente elevada, seguida da FAS (94,7%). Os marcadores de função mais frequentemente alterados foram a albumina (57,9%) e a bilirrubina (52,6%). A ecografia foi sugestiva de HCC/cirrose em 47,4% da amostra. Na histopatologia, o infiltrado linfoplasmocitário foi o mais frequente (42,1%) com localização maioritariamente portal/periportal, tal como a fibrose. Oito animais (42,1%) apresentavam cirrose. Durante o curso da doença, surgiram diversas complicações como alterações da coagulação (68,4%), hipertensão portal (31,6%), ascite (31,6%), ulceração gastrointestinal (31,6%) e encefalopatia hepática (26,3%). Quanto à etiologia, a maioria dos casos (89,5%) foi considerado idiopático por falha na deteção da etiologia. Em dois Labrador Retriever foi diagnosticada acumulação primária de cobre. Este estudo retrospetivo permitiu atualizar a epidemiologia da HCC em Portugal e reforçar o caráter inespecífico dos seus sinais clínicos, bem como a importância da biópsia para o diagnóstico e para uma intervenção terapêutica precoce, a fim de retardar a progressão da doença e evitar as suas complicações. Além disso, permitiu obter uma visão aproximada da realidade portuguesa sobre os meios de diagnóstico e a terapêutica disponíveis. As grandes limitações do estudo foram o tamanho da amostra e a sua natureza retrospetiva, que levou a uma falta de padronização da abordagem diagnóstica e terapêutica e impossibilitou a análise do prognóstico |
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