Publicação
Caracterização biofísica da membrana plasmática da levedura
| Resumo: | A membrana plasmática de Saccharomyces cerevisiae foi estudada por espectroscopia de fluorescência, utilizando as sondas de membrana ácido transparinárico e difenil-hexatrieno, de modo a compreender os princípios biofisicos subjacentes à formação e função de compartimentos membranares, cuja importância foi reconhecida recentemente. O estudo foi realizado em (i) células wt; (ii) esferoblastos (celulas wt com remoção completa da parede celular); (iii) lipossomas preparados a partir de extractos lipídicos totais de células wt; (iv) células erg6, que acumulam zimosterol em vez de ergosterol; (v) células scs7, que não sintetizam esfingolípidos com ácidos gordos C26:0 -hidroxilados. As principais observações foram: (a) a membrana plasmática da levedura possui domínios de gel ricos em esfingolípidos com conteúdo baixo ou nulo de esteróis; (b) os lípidos de levedura possuem a capacidade de formar domínios mais rígidos na ausência de proteínas do que os detectados na membrana plasmática; (c) os sistemas erg6e esferoblastos possuem uma maior ordem global de membrana; (d) modificações na biossíntese do ergosterol e a remoção da parede celular não alteram significativamente a rigidez dos domínios ricos em esfingolípidos, mas em ambos os casos há uma diminuição da sua abundância relativa. Os resultados obtidos sugerem que a parede celular desempenha um papel na estabilização dos domínios ricos em esfingolípidos que poderá ocorrer por interacção da mesma com proteínas ancoradas a glucosilfosfatidilinositol. A partir dos resultados também foi proposto um modelo em que nas células onde os domínios ricos em esfingolípidos sao menos abundantes ocorre uma distribuição mais homogénea de esfingolípidos por toda a membrana, responsável pelo aumento de ordem global da mesma. Concluindo, este trabalho comprova a existência de domínios ordenados tipo gel na membrana plasmática de organismos vivos, reforçando a ideia de que os esfingolípidos são componentes essenciais na constituição da membrana e na resposta a alterações fisiológicas que ponham em causa a integridade da célula. |
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| Autores principais: | Branco, Francisco Maria dos Santos e Silva Aresta |
| Assunto: | Jangadas lipídicas Ácido trans-parinárico Espectroscopia de fluorescência resolvida no tempo Metabolismo de ergosterol e esfingolípidos Fase gel rica em esfingolípidos Teses de mestrado - 2009 |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A membrana plasmática de Saccharomyces cerevisiae foi estudada por espectroscopia de fluorescência, utilizando as sondas de membrana ácido transparinárico e difenil-hexatrieno, de modo a compreender os princípios biofisicos subjacentes à formação e função de compartimentos membranares, cuja importância foi reconhecida recentemente. O estudo foi realizado em (i) células wt; (ii) esferoblastos (celulas wt com remoção completa da parede celular); (iii) lipossomas preparados a partir de extractos lipídicos totais de células wt; (iv) células erg6, que acumulam zimosterol em vez de ergosterol; (v) células scs7, que não sintetizam esfingolípidos com ácidos gordos C26:0 -hidroxilados. As principais observações foram: (a) a membrana plasmática da levedura possui domínios de gel ricos em esfingolípidos com conteúdo baixo ou nulo de esteróis; (b) os lípidos de levedura possuem a capacidade de formar domínios mais rígidos na ausência de proteínas do que os detectados na membrana plasmática; (c) os sistemas erg6e esferoblastos possuem uma maior ordem global de membrana; (d) modificações na biossíntese do ergosterol e a remoção da parede celular não alteram significativamente a rigidez dos domínios ricos em esfingolípidos, mas em ambos os casos há uma diminuição da sua abundância relativa. Os resultados obtidos sugerem que a parede celular desempenha um papel na estabilização dos domínios ricos em esfingolípidos que poderá ocorrer por interacção da mesma com proteínas ancoradas a glucosilfosfatidilinositol. A partir dos resultados também foi proposto um modelo em que nas células onde os domínios ricos em esfingolípidos sao menos abundantes ocorre uma distribuição mais homogénea de esfingolípidos por toda a membrana, responsável pelo aumento de ordem global da mesma. Concluindo, este trabalho comprova a existência de domínios ordenados tipo gel na membrana plasmática de organismos vivos, reforçando a ideia de que os esfingolípidos são componentes essenciais na constituição da membrana e na resposta a alterações fisiológicas que ponham em causa a integridade da célula. |
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