Publicação

Assessment of the impact of a ‘user-generated’ video in the communication of marine environmental threats to higher education students

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O mundo que nos rodeia está em constante mudança. Para além das mudanças intrínsecas à sua natureza e de mudanças extrínsecas, provenientes do espaço, também ocorre o impacto das ações antropogénicas e suas consequências. O oceano cobre cerca de 71% da superfície da Terra, e abrange uma vasta diversidade de ecossistemas costeiros e marinhos. Estes são dos mais afetados pelas ameaças provenientes das alterações climáticas, como a acidificação dos oceanos, que pode levar a alterações na abundância e distribuição de organismos marinhos, e consequentemente na composição das teias alimentares das quais fazem parte, através de alterações no pH da água do mar. Estes ecossistemas podem ainda ser afetados pela subida do nível médio do mar, que ocorre devido à expansão das moléculas de água e ao derretimento de grandes massas de gelo, como as calotes polares. Esta subida coloca populações costeiras em risco de serem afetadas por fenómenos como a erosão costeira e cheias, afetando diretamente as suas vidas. Outras ações antropogénicas que impactam o meio marinho são a sobrepesca e a poluição oceânica. A primeira, que é uma consequência de más práticas de pesca na exploração de certas populações de peixes, pode levar a declínios populacionais que afetam diretamente a estabilidade destas e a disponibilidade de peixes para consumo humano. Por sua vez, a poluição oceânica pode tomar várias formas. Por exemplo, a poluição por despejo de efluentes como o petróleo podem diminuir a qualidade da água e ser tóxicos para as espécies marinhas. Outro exemplo é a poluição por plástico, que pode afetar organismos marinhos através da sua ingestão ou emaranhamento no mesmo e perfaz agora 80% de todos os detritos marinhos. Estas ameaças são de grande importância devido ao papel que o oceano tem no dia-a-dia do ser humano. Através dele a sociedade consegue obter alimento, água, e medicamentos, e pode ainda participar em atividades recreativas e culturais, como idas à praia e prática de desportos aquáticos como natação e o surf. Para além disso, o oceano tem ainda um papel de proteção contra fenómenos como cheias, e está envolvido em processos cruciais para a vida na Terra, como a produção primária e os ciclos de nutrientes. A divulgação de conhecimento sobre o oceano e as ameaças que enfrenta é importante para consciencializar o público relativamente ao estado do ambiente que o rodeia. Estes temas têm sido abordados em vários formatos de media, como noticiários, documentários de natureza, artigos de jornal, entre outros. Porém, com as evoluções tecnológicas, surgem novas formas de comunicar sobre este tipo de informações, como vídeos online. Um dos campos que mais tem proliferado sobre estas tendências é a comunicação de ciência, o que inclui os vídeos sobre temas científicos e de ambiente. Estes permitem que a audiência tenha acesso constante e imediato acerca de qualquer informação neste âmbito. Os vídeos também têm sido usados como uma ferramenta de ensino por parte de professores de modo a abordar diferentes temas e a estimularem o interesse dos seus alunos. Esta proliferação de conteúdo científico tem ocorrido maioritariamente graças a dois tipos de conteúdo visual que têm ganho popularidade na Internet em tempos recentes: o conteúdo gerado profissionalmente e o conteúdo gerado pelo utilizador. O conteúdo gerado profissionalmente pode ser descrito como tendo mais qualidade e sendo mais apto para incluir anúncios. Geralmente, é feito num esforço colaborativo entre especialistas ou entidades oficiais e plataformas transmissoras de vídeo. Tradicionalmente assemelha-se a conteúdo televisivo, mas pode assumir várias formas e evoluir conforme o aparecimento de outros tipos de conteúdo. Por outro lado, o conteúdo gerado pelo utilizador nasce quando membros do público que não são profissionais numa área produzem conteúdos visuais acerca da mesma com recurso a meios de produção de vídeo, que se encontram facilmente acessíveis online. É normalmente caracterizado por ter uma duração mais curta do que o conteúdo gerado profissionalmente e uma qualidade moderada, e por aplicar instrumentos que invocam uma reação genuína e mantêm a atenção do espetador, como a implementação de narrativas, testemunhos e entrevistas. O conteúdo gerado pelo utilizador ganhou mais popularidade em parte através da plataforma YouTube, onde se encontra facilmente acessível a um vasto público que a frequenta regularmente, incluindo grupos etários mais novos como adolescentes e jovens adultos. Consequentemente, traz consigo novas oportunidades de comunicar informação sobre tópicos científicos com estes grupos etários, mas também alguns desafios, como a competição criada pela grande quantidade de conteúdo a ser partilhado e a sobre-exposição a informação que podem levar a um sentido de dessensibilização por parte do público. Devido a isto, as características do conteúdo gerado pelo utilizador devem ser bem estudadas de modo a compreender de que formas é que este cativa a sua audiência e que efeitos é que tem no campo cognitivos, emocional e comportamental. Para além disso, e tendo em conta que a comunicação de ciência deve ter em atenção os interesses do público, as preferências dos grupos-alvo devem ser bem estudadas de modo a adaptar este tipo de conteúdo aos desafios mencionados, permitindo que este atinja todo o seu potencial. A fim de contribuir para este campo, o objetivo do presente estudo foi avaliar o impacto de um vídeo gerado pelo utilizador na comunicação sobre ameaças no meio marinho, especificamente em estudantes do ensino superior. O estudo foi aplicado a cento e cinquenta e um alunos de duas escolas: alunos de 2º e 3º ano de um a escola superior privada, e alunos de 1º e 2º ano de uma universidade pública, ambas localizadas na área metropolitana de Lisboa. Para tal, comparou-se o impacto dos vídeos nos campos cognitivo e emocional com os impactos de um artigo de divulgação concebido para ser semelhante em duração e conteúdo. Ambos abordavam tópicos relacionados com ameaças que o meio marinho enfrenta, incluindo ainda testemunhos de pessoas de várias idades e partes do mundo relativamente ao que estas sabem sobre o oceano e aos diferentes usos que lhe dão. Para estudar o impacto dos dois tipos de media, foi usada uma metodologia mista quantitativa e qualitativa através da implementação de questionários e grupos de foco. Os dados foram recolhidos em dois momentos: uma primeira sessão para obter dados sobre o impacto dos dois tipos de media a curto prazo, ou diretamente após a exposição, através da realização de um pré-teste e de um pós-teste; uma segunda sessão, três meses depois da exposição, onde foi realizado um teste follow-up de modo a aferir o impacto que os mesmos tiveram a médio prazo. Como complemento à análise, foram realizadas após o teste follow-up sessões com grupos de foco, com cinco a oito participantes, onde foram abordados temas como as suas preferências e tendências de consumo de media e o interesse pelos tópicos abordados antes e depois da participação no estudo. Os resultados obtidos neste estudo sugerem que a exposição a ambos os meios levou a um aumento significativo no conhecimento dos participantes a curto e a médio-prazo, com nenhuma diferença significativa entre os dois tipos de media. Adicionalmente, o vídeo demonstrou um impacto maior no domínio emocional no que diz respeito à promoção de emoções e sentimentos positivos, com uma dominância da emoção “alegria” e de sentimentos como “calma”, “tranquilidade” e “curiosidade”, e também poderá ter levado a uma mitigação sentimentos de valência negativa. Por fim, exposição a ambos os tipos de media levou ainda a aumentos significativos no interesse dos participantes pelos tópicos a curto-prazo, e a leitura do artigo levou ainda a aumentos significativos a médio-prazo. Por conseguinte, quando utilizado em todo o seu potencial, este tipo de media pode ser uma forma adequada de transmitir conhecimentos sobre as ameaças ao ambiente marinho e pode ser uma ferramenta valiosa para sensibilizar o público para estas questões. Poderá ser particularmente eficaz para chegar aos grupos etários mais suscetíveis a serem expostos a estes tipos de conteúdo, como adolescentes e jovens adultos, especialmente quando o conteúdo é adaptado de forma a incluir os elementos que estes consideram ser apelativos.
Autores principais:Jorge, Miguel Goes Féria Duarte
Assunto:Alterações climáticas Conteúdos de vídeo online Artigo de divulgação Campo cognitivo Campo emocional Teses de mestrado - 2024
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O mundo que nos rodeia está em constante mudança. Para além das mudanças intrínsecas à sua natureza e de mudanças extrínsecas, provenientes do espaço, também ocorre o impacto das ações antropogénicas e suas consequências. O oceano cobre cerca de 71% da superfície da Terra, e abrange uma vasta diversidade de ecossistemas costeiros e marinhos. Estes são dos mais afetados pelas ameaças provenientes das alterações climáticas, como a acidificação dos oceanos, que pode levar a alterações na abundância e distribuição de organismos marinhos, e consequentemente na composição das teias alimentares das quais fazem parte, através de alterações no pH da água do mar. Estes ecossistemas podem ainda ser afetados pela subida do nível médio do mar, que ocorre devido à expansão das moléculas de água e ao derretimento de grandes massas de gelo, como as calotes polares. Esta subida coloca populações costeiras em risco de serem afetadas por fenómenos como a erosão costeira e cheias, afetando diretamente as suas vidas. Outras ações antropogénicas que impactam o meio marinho são a sobrepesca e a poluição oceânica. A primeira, que é uma consequência de más práticas de pesca na exploração de certas populações de peixes, pode levar a declínios populacionais que afetam diretamente a estabilidade destas e a disponibilidade de peixes para consumo humano. Por sua vez, a poluição oceânica pode tomar várias formas. Por exemplo, a poluição por despejo de efluentes como o petróleo podem diminuir a qualidade da água e ser tóxicos para as espécies marinhas. Outro exemplo é a poluição por plástico, que pode afetar organismos marinhos através da sua ingestão ou emaranhamento no mesmo e perfaz agora 80% de todos os detritos marinhos. Estas ameaças são de grande importância devido ao papel que o oceano tem no dia-a-dia do ser humano. Através dele a sociedade consegue obter alimento, água, e medicamentos, e pode ainda participar em atividades recreativas e culturais, como idas à praia e prática de desportos aquáticos como natação e o surf. Para além disso, o oceano tem ainda um papel de proteção contra fenómenos como cheias, e está envolvido em processos cruciais para a vida na Terra, como a produção primária e os ciclos de nutrientes. A divulgação de conhecimento sobre o oceano e as ameaças que enfrenta é importante para consciencializar o público relativamente ao estado do ambiente que o rodeia. Estes temas têm sido abordados em vários formatos de media, como noticiários, documentários de natureza, artigos de jornal, entre outros. Porém, com as evoluções tecnológicas, surgem novas formas de comunicar sobre este tipo de informações, como vídeos online. Um dos campos que mais tem proliferado sobre estas tendências é a comunicação de ciência, o que inclui os vídeos sobre temas científicos e de ambiente. Estes permitem que a audiência tenha acesso constante e imediato acerca de qualquer informação neste âmbito. Os vídeos também têm sido usados como uma ferramenta de ensino por parte de professores de modo a abordar diferentes temas e a estimularem o interesse dos seus alunos. Esta proliferação de conteúdo científico tem ocorrido maioritariamente graças a dois tipos de conteúdo visual que têm ganho popularidade na Internet em tempos recentes: o conteúdo gerado profissionalmente e o conteúdo gerado pelo utilizador. O conteúdo gerado profissionalmente pode ser descrito como tendo mais qualidade e sendo mais apto para incluir anúncios. Geralmente, é feito num esforço colaborativo entre especialistas ou entidades oficiais e plataformas transmissoras de vídeo. Tradicionalmente assemelha-se a conteúdo televisivo, mas pode assumir várias formas e evoluir conforme o aparecimento de outros tipos de conteúdo. Por outro lado, o conteúdo gerado pelo utilizador nasce quando membros do público que não são profissionais numa área produzem conteúdos visuais acerca da mesma com recurso a meios de produção de vídeo, que se encontram facilmente acessíveis online. É normalmente caracterizado por ter uma duração mais curta do que o conteúdo gerado profissionalmente e uma qualidade moderada, e por aplicar instrumentos que invocam uma reação genuína e mantêm a atenção do espetador, como a implementação de narrativas, testemunhos e entrevistas. O conteúdo gerado pelo utilizador ganhou mais popularidade em parte através da plataforma YouTube, onde se encontra facilmente acessível a um vasto público que a frequenta regularmente, incluindo grupos etários mais novos como adolescentes e jovens adultos. Consequentemente, traz consigo novas oportunidades de comunicar informação sobre tópicos científicos com estes grupos etários, mas também alguns desafios, como a competição criada pela grande quantidade de conteúdo a ser partilhado e a sobre-exposição a informação que podem levar a um sentido de dessensibilização por parte do público. Devido a isto, as características do conteúdo gerado pelo utilizador devem ser bem estudadas de modo a compreender de que formas é que este cativa a sua audiência e que efeitos é que tem no campo cognitivos, emocional e comportamental. Para além disso, e tendo em conta que a comunicação de ciência deve ter em atenção os interesses do público, as preferências dos grupos-alvo devem ser bem estudadas de modo a adaptar este tipo de conteúdo aos desafios mencionados, permitindo que este atinja todo o seu potencial. A fim de contribuir para este campo, o objetivo do presente estudo foi avaliar o impacto de um vídeo gerado pelo utilizador na comunicação sobre ameaças no meio marinho, especificamente em estudantes do ensino superior. O estudo foi aplicado a cento e cinquenta e um alunos de duas escolas: alunos de 2º e 3º ano de um a escola superior privada, e alunos de 1º e 2º ano de uma universidade pública, ambas localizadas na área metropolitana de Lisboa. Para tal, comparou-se o impacto dos vídeos nos campos cognitivo e emocional com os impactos de um artigo de divulgação concebido para ser semelhante em duração e conteúdo. Ambos abordavam tópicos relacionados com ameaças que o meio marinho enfrenta, incluindo ainda testemunhos de pessoas de várias idades e partes do mundo relativamente ao que estas sabem sobre o oceano e aos diferentes usos que lhe dão. Para estudar o impacto dos dois tipos de media, foi usada uma metodologia mista quantitativa e qualitativa através da implementação de questionários e grupos de foco. Os dados foram recolhidos em dois momentos: uma primeira sessão para obter dados sobre o impacto dos dois tipos de media a curto prazo, ou diretamente após a exposição, através da realização de um pré-teste e de um pós-teste; uma segunda sessão, três meses depois da exposição, onde foi realizado um teste follow-up de modo a aferir o impacto que os mesmos tiveram a médio prazo. Como complemento à análise, foram realizadas após o teste follow-up sessões com grupos de foco, com cinco a oito participantes, onde foram abordados temas como as suas preferências e tendências de consumo de media e o interesse pelos tópicos abordados antes e depois da participação no estudo. Os resultados obtidos neste estudo sugerem que a exposição a ambos os meios levou a um aumento significativo no conhecimento dos participantes a curto e a médio-prazo, com nenhuma diferença significativa entre os dois tipos de media. Adicionalmente, o vídeo demonstrou um impacto maior no domínio emocional no que diz respeito à promoção de emoções e sentimentos positivos, com uma dominância da emoção “alegria” e de sentimentos como “calma”, “tranquilidade” e “curiosidade”, e também poderá ter levado a uma mitigação sentimentos de valência negativa. Por fim, exposição a ambos os tipos de media levou ainda a aumentos significativos no interesse dos participantes pelos tópicos a curto-prazo, e a leitura do artigo levou ainda a aumentos significativos a médio-prazo. Por conseguinte, quando utilizado em todo o seu potencial, este tipo de media pode ser uma forma adequada de transmitir conhecimentos sobre as ameaças ao ambiente marinho e pode ser uma ferramenta valiosa para sensibilizar o público para estas questões. Poderá ser particularmente eficaz para chegar aos grupos etários mais suscetíveis a serem expostos a estes tipos de conteúdo, como adolescentes e jovens adultos, especialmente quando o conteúdo é adaptado de forma a incluir os elementos que estes consideram ser apelativos.