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A Rapariga afegã de Steve McCurry: viagem exterior e interior

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Com a fotografia apareceu o instantâneo, e com isso a possibilidade de fixar o movimento. Porém, a imobilidade absoluta – a redução do fluxo da vida ao agora – não impede que a imagem fotográfica, apesar de estática, apresente em si uma dinâmica muito própria. Neste caso, podemos também dizer, como Galileu, eppur si muove. Aliás, tal como acontece com as palavras, qualquer imagem remete sempre para além de si própria, isto é, para o seu referente – mesmo quando este é abstracto –, assim como para um 'antes' e para um 'depois' do momento fixado. As imagens geram em nós dinâmica, um "jogo livre entre a imaginação e o entendimento" (Kant). A vida do fotógrafo norte-americano Steve McCurry está repleta de viagens, de movimento, por mais de 40 anos. Teve a oportunidade de fazer a cobertura fotojornalística de muitos conflitos, centrando a sua atenção nas consequências humanitárias, espelhadas nos rostos deste nosso mundo que tão bem soube retratar. Tirando partido da recente exposição das imagens mais icónicas de Steve McCurry em Lisboa, o nosso objectivo será analisar a fotografia mais conhecida do autor: a Rapariga afegã (1984). A ideia é avaliar esta obra a partir de um conjunto de parâmetros estéticos, a saber: técnica, dinâmica interna, originalidade, verdade e necessidade. Interessa-nos, em particular, o movimento inerente à própria imagem e o motivo de se ter tornado tão fascinante, um ícone na história da fotografia. Terminamos com uma reflexão sobre obra de McCurry na área do retrato, onde foi possível detectar, na diversidade cultural, o que nos singulariza e aproxima ao mesmo tempo, "a alma essencial", "a conexão humana entre todos ".
Autores principais:Peneda, João
Assunto:Steve McCurry Fotografia Viagens Movimento Retrato Humano
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Com a fotografia apareceu o instantâneo, e com isso a possibilidade de fixar o movimento. Porém, a imobilidade absoluta – a redução do fluxo da vida ao agora – não impede que a imagem fotográfica, apesar de estática, apresente em si uma dinâmica muito própria. Neste caso, podemos também dizer, como Galileu, eppur si muove. Aliás, tal como acontece com as palavras, qualquer imagem remete sempre para além de si própria, isto é, para o seu referente – mesmo quando este é abstracto –, assim como para um 'antes' e para um 'depois' do momento fixado. As imagens geram em nós dinâmica, um "jogo livre entre a imaginação e o entendimento" (Kant). A vida do fotógrafo norte-americano Steve McCurry está repleta de viagens, de movimento, por mais de 40 anos. Teve a oportunidade de fazer a cobertura fotojornalística de muitos conflitos, centrando a sua atenção nas consequências humanitárias, espelhadas nos rostos deste nosso mundo que tão bem soube retratar. Tirando partido da recente exposição das imagens mais icónicas de Steve McCurry em Lisboa, o nosso objectivo será analisar a fotografia mais conhecida do autor: a Rapariga afegã (1984). A ideia é avaliar esta obra a partir de um conjunto de parâmetros estéticos, a saber: técnica, dinâmica interna, originalidade, verdade e necessidade. Interessa-nos, em particular, o movimento inerente à própria imagem e o motivo de se ter tornado tão fascinante, um ícone na história da fotografia. Terminamos com uma reflexão sobre obra de McCurry na área do retrato, onde foi possível detectar, na diversidade cultural, o que nos singulariza e aproxima ao mesmo tempo, "a alma essencial", "a conexão humana entre todos ".