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Variabilidade temporal na disponibilidade de presas e dieta da lontra em ribeiras intermitentes na serra de Grândola:implicações de conservação
| Summary: | O elevado crescimento humano e a maior pressão exercida nos recursos naturais, estão a provocar alterações nos sistemas aquáticos. Avaliar os efeitos na composição e estrutura das comunidades, e no funcionamento dos sistemas, e uma prioridade de conservação. A lontra, como predador aquático cuja sobrevivência depende da capacidade de resposta as alterações de origem antropogénica, e um bom modelo. Partindo de um estudo de 1999 em três ribeiras Mediterrânicas (Bacia do Sado, SO Portugal), pretendeu-se avaliar as alterações sofridas nas comunidades de presas aquáticas (riqueza especifica e abundância relativa), e a forma como a lontra respondeu a essas alterações (dieta). A riqueza e abundância das espécies piscícolas foram avaliadas através de pesca eléctrica, a abundância de lagostins com armadilhas de funil, e a dieta da lontra por análise de dejectos. Nos 10 anos que medeiam os dois estudos, a comunidade piscícola sofreu alterações na riqueza específica e na abundância. O ciprinídeo endémico Iberochondrostoma lusitanicum diminuiu significativamente e o Complexo Squalius alburnoides aumentou proporcionalmente. Foram ainda detectadas duas espécies exóticas (Australoheros facetus e Gambusia holbrooki) não presentes anteriormente. Os resultados dos lagostins foram inconclusivos devido a impossibilidade de replicar o método de captura de 1999. A lontra respondeu positivamente as alterações observadas na diversidade e abundância das presas, alterando a sua dieta em concordância com as mesmas (redução significativa no consumo de I. lusitanicum e aumento significativo no de C.S.alburnoides), registando-se ainda a predação de G. holbrooki e A. facetus. Apesar desta resposta positiva da lontra as alterações do sistema, a sua persistência futura poderá estar comprometida dado o cenário que prevê reduções drásticas da disponibilidade hídrica, e consequentemente da comunidade piscícola, e uma intensificação da destruição do habitat. A previsível perda de capacidade de suporte destes ecossistemas, sobretudo os de regime intermitente, torna-os prioritários na aplicação de medidas de gestão/conservação. |
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| Main Authors: | Salgueiro, Vânia Filipa Martins |
| Subject: | Mamíferos Lontra Alimentação Serra de Grândola Teses de mestrado |
| Year: | 2009 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | O elevado crescimento humano e a maior pressão exercida nos recursos naturais, estão a provocar alterações nos sistemas aquáticos. Avaliar os efeitos na composição e estrutura das comunidades, e no funcionamento dos sistemas, e uma prioridade de conservação. A lontra, como predador aquático cuja sobrevivência depende da capacidade de resposta as alterações de origem antropogénica, e um bom modelo. Partindo de um estudo de 1999 em três ribeiras Mediterrânicas (Bacia do Sado, SO Portugal), pretendeu-se avaliar as alterações sofridas nas comunidades de presas aquáticas (riqueza especifica e abundância relativa), e a forma como a lontra respondeu a essas alterações (dieta). A riqueza e abundância das espécies piscícolas foram avaliadas através de pesca eléctrica, a abundância de lagostins com armadilhas de funil, e a dieta da lontra por análise de dejectos. Nos 10 anos que medeiam os dois estudos, a comunidade piscícola sofreu alterações na riqueza específica e na abundância. O ciprinídeo endémico Iberochondrostoma lusitanicum diminuiu significativamente e o Complexo Squalius alburnoides aumentou proporcionalmente. Foram ainda detectadas duas espécies exóticas (Australoheros facetus e Gambusia holbrooki) não presentes anteriormente. Os resultados dos lagostins foram inconclusivos devido a impossibilidade de replicar o método de captura de 1999. A lontra respondeu positivamente as alterações observadas na diversidade e abundância das presas, alterando a sua dieta em concordância com as mesmas (redução significativa no consumo de I. lusitanicum e aumento significativo no de C.S.alburnoides), registando-se ainda a predação de G. holbrooki e A. facetus. Apesar desta resposta positiva da lontra as alterações do sistema, a sua persistência futura poderá estar comprometida dado o cenário que prevê reduções drásticas da disponibilidade hídrica, e consequentemente da comunidade piscícola, e uma intensificação da destruição do habitat. A previsível perda de capacidade de suporte destes ecossistemas, sobretudo os de regime intermitente, torna-os prioritários na aplicação de medidas de gestão/conservação. |
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