Publicação

Novos dados sobre os Hipogeus do Bronze Pleno de Torre Velha 3 (Serpa): contextos sepulcrais e estudo do espólio osteológico humano

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O presente trabalho incide sobre a análise antropológica do espólio ósseo humano recuperado de 21 hipogeus do arqueossítio de Torre Velha 3 (TV3; São Salvador, Serpa), datados entre os meados e a segunda metade do II milénio a.C.. Dezasseis hipogeus são individuais, três duplos (uma inumação in situ com uma redução associada) e um triplo (enterramento duplo com uma redução associada) e dois contextos funerários inconclusivos. Todos os restos ósseos humanos foram recuperados da câmara funerária. Para além destes, um hipogeu continha um enterramento com uma redução associada na câmara e uma inumação primária na antecâmara. Destes sepulcros foram exumados 28 indivíduos, 22 adultos (11 do sexo feminino, nove do masculino e dois casos indeterminados), cinco não adultos e um em que não foi possível atribuir uma faixa etária. Nas inumações primárias e individuais, as oferendas cárneas encontram-se associadas a adultos de ambos os sexos. Por sua vez as cerâmicas e punções surgem somente em enterramentos do sexo feminino, com a excepção de um punção associado ao adulto do sexo masculino [2007]. Recorrendo à análise estatística de componentes principais, foi possível observar que as diferenças na morfologia dentária de TV3 em comparação com outras amostras da Pré-História recente Peninsular são mínimas, e podem ser explicadas por mudanças genéticas associadas a possíveis contactos e interações inter-regionais.Foram ainda identificados padrões de desgaste dentário atípico que sugerem o uso parafuncional do sistema mastigatório de adultos do sexo feminino. Relativamente à patologia oral, a incidência de lesões cariogénicas na amostra é de 5,85% (29/495), e afecta cerca de 57% dos indivíduos analisados (n=21). Estes valores são superiores à maioria das amostras comparadas do Neolítico Final/Calcolítico do actual território Português, mas semelhantes aos registados para outras comunidades da Idade do Bronze.
Autores principais:Fidalgo, Daniel Ferreira
Outros Autores:Porfírio, Eduardo; Silva, Ana Maria
Assunto:Idade do Bronze Restos ósseos humanos Práticas funerárias Uso não mastigatório de dentes Bronze Age Human remains Funerary practices Tooth-tool use
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O presente trabalho incide sobre a análise antropológica do espólio ósseo humano recuperado de 21 hipogeus do arqueossítio de Torre Velha 3 (TV3; São Salvador, Serpa), datados entre os meados e a segunda metade do II milénio a.C.. Dezasseis hipogeus são individuais, três duplos (uma inumação in situ com uma redução associada) e um triplo (enterramento duplo com uma redução associada) e dois contextos funerários inconclusivos. Todos os restos ósseos humanos foram recuperados da câmara funerária. Para além destes, um hipogeu continha um enterramento com uma redução associada na câmara e uma inumação primária na antecâmara. Destes sepulcros foram exumados 28 indivíduos, 22 adultos (11 do sexo feminino, nove do masculino e dois casos indeterminados), cinco não adultos e um em que não foi possível atribuir uma faixa etária. Nas inumações primárias e individuais, as oferendas cárneas encontram-se associadas a adultos de ambos os sexos. Por sua vez as cerâmicas e punções surgem somente em enterramentos do sexo feminino, com a excepção de um punção associado ao adulto do sexo masculino [2007]. Recorrendo à análise estatística de componentes principais, foi possível observar que as diferenças na morfologia dentária de TV3 em comparação com outras amostras da Pré-História recente Peninsular são mínimas, e podem ser explicadas por mudanças genéticas associadas a possíveis contactos e interações inter-regionais.Foram ainda identificados padrões de desgaste dentário atípico que sugerem o uso parafuncional do sistema mastigatório de adultos do sexo feminino. Relativamente à patologia oral, a incidência de lesões cariogénicas na amostra é de 5,85% (29/495), e afecta cerca de 57% dos indivíduos analisados (n=21). Estes valores são superiores à maioria das amostras comparadas do Neolítico Final/Calcolítico do actual território Português, mas semelhantes aos registados para outras comunidades da Idade do Bronze.