Publicação
Aquisição de moveis para a residência de um diplomata: o gosto de Alexandre Sousa Holstein
| Resumo: | Em Maio de 1802 Alexandre Sousa Holstein (1751-1803) partia para a sua segunda missão diplomática em Roma como Embaixador da Corte Portuguesa; momentaneamente sediado em Génova com a família, preparava a chegada à Cidade Eterna enviando ao amigo e antigo director da Academia Portuguesa de Belas Artes em Roma, Giovanni Gherardo De Rossi (1754-1827), minuciosas instruções para que a sua residência no Palazzo Cimarra estivesse mobilada e decorada com a elegância e o luxo inerentes ao seu cargo. A preocupação do diplomata a esse respeito torna-se evidente através do grau de pormenor com que encomendara a compra de tapeçarias em seda ou damasco, mobiliário, porcelanas, estampas, objectos de uso quotidiano e até do coche com os cavalos todos rigorosamente da mesma cor, preto. Sousa Holstein, apaixonado por arte e antiquária, frequentava em Roma a elite intelectual e aristocrática, sendo também conhecido pelos banquetes e refinados convívios que organizava no seu palácio e na villeggiatura em Frascati, cujo teor espelhava a sua condição social e a relevância do seu papel político. Após a morte repentina do diplomata, coube ao seu filho Pedro, futuro Duque de Palmela, ocupar-se da venda de parte do recheio do palácio romano para fazer face às dívidas contraídas aquando da sua aquisição, enquanto os restantes objectos e móveis seriam enviados em Portugal para as residências da família. As vicissitudes ligadas à compra, venda e expedição deste recheio, que também incluía quadros encomendados a artistas em Itália e objectos de antiquária ali adquiridos, atesta o interesse da família Palmela no âmbito das artes, e constitui um legado do gosto destes importantes coleccionadores e mecenas, além de representar um interessante caso de exportação de padrões estéticos e modas de Itália para Portugal. |
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| Autores principais: | Degortes, Michela |
| Assunto: | Roma Rossi, Giovanni Gherardo de Holstein, Alexandre Sousa Palazzo Cimarra |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Em Maio de 1802 Alexandre Sousa Holstein (1751-1803) partia para a sua segunda missão diplomática em Roma como Embaixador da Corte Portuguesa; momentaneamente sediado em Génova com a família, preparava a chegada à Cidade Eterna enviando ao amigo e antigo director da Academia Portuguesa de Belas Artes em Roma, Giovanni Gherardo De Rossi (1754-1827), minuciosas instruções para que a sua residência no Palazzo Cimarra estivesse mobilada e decorada com a elegância e o luxo inerentes ao seu cargo. A preocupação do diplomata a esse respeito torna-se evidente através do grau de pormenor com que encomendara a compra de tapeçarias em seda ou damasco, mobiliário, porcelanas, estampas, objectos de uso quotidiano e até do coche com os cavalos todos rigorosamente da mesma cor, preto. Sousa Holstein, apaixonado por arte e antiquária, frequentava em Roma a elite intelectual e aristocrática, sendo também conhecido pelos banquetes e refinados convívios que organizava no seu palácio e na villeggiatura em Frascati, cujo teor espelhava a sua condição social e a relevância do seu papel político. Após a morte repentina do diplomata, coube ao seu filho Pedro, futuro Duque de Palmela, ocupar-se da venda de parte do recheio do palácio romano para fazer face às dívidas contraídas aquando da sua aquisição, enquanto os restantes objectos e móveis seriam enviados em Portugal para as residências da família. As vicissitudes ligadas à compra, venda e expedição deste recheio, que também incluía quadros encomendados a artistas em Itália e objectos de antiquária ali adquiridos, atesta o interesse da família Palmela no âmbito das artes, e constitui um legado do gosto destes importantes coleccionadores e mecenas, além de representar um interessante caso de exportação de padrões estéticos e modas de Itália para Portugal. |
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