Publicação

Pistas para a deteção de disfarce dialetal em casos de fonética forense

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente dissertação tem como objetivo estudar a importância e o peso do disfarce dialetal em casos de Fonética Forense, nomeadamente se um disfarce bem realizado permite esconder os traços característicos do dialeto nativo de um falante. De um total de sete falantes, foram realizadas 13 gravações (uma para a falante de referência, e duas para cada falante do português padrão) de leitura de frases para a realização de duas tarefas por parte dos falantes de Lisboa (a gravação do falante do dialeto de Baixo Minho e Douro Litoral foi usada como exemplo para os restantes participantes): uma primeira leitura no seu dialeto nativo; e leitura das frases imitando o melhor possível, e com base na referência dada, o dialeto alvo. Na análise das gravações foram tidas várias variáveis em consideração, como os formantes, fricção, oclusão, explosão e variação dos valores dos formantes na produção dos segmentos alvo e característicos do dialeto de Baixo Minho e Douro Litoral. Apesar das produções corretas de alguns dos traços característicos do dialeto alvo, os falantes não conseguiram esconder o seu dialeto nativo, principalmente a produção de [ɐj]. Contudo, neste trabalho, a identificação do dialeto nativo só foi possível analisando todos os traços imitados em conjunto, isto é, a análise de um só traço apenas permite afirmar se o falante é ou não nativo desse mesmo dialeto. A identificação do seu dialeto só é possível analisando todos os outros segmentos alvo de análise de forma a ir excluindo os outros possíveis dialetos até ser determinado a variedade dialetal nativa do falante. Resumindo, com este estudo pretende-se identificar que traços característicos do dialeto alvo são mais fáceis de imitar e se a sua imitação permite disfarçar o dialeto nativo de um falante, realçando, desta forma, a importância que o disfarce dialetal tem na construção do perfil do falante e em todo o processo de investigação e judicial em casos forenses, procurando, também, contribuir para o estudo da área da Fonética Forense no Português Europeu.
Autores principais:Maravilha, Ricardo
Assunto:Fonética forense Língua portuguesa - Regionalismos (Linguística) - Lisboa (Portugal) Língua portuguesa - Regionalismos (Linguística) - Porto (Portugal) Imitação Teses de mestrado - 2022
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A presente dissertação tem como objetivo estudar a importância e o peso do disfarce dialetal em casos de Fonética Forense, nomeadamente se um disfarce bem realizado permite esconder os traços característicos do dialeto nativo de um falante. De um total de sete falantes, foram realizadas 13 gravações (uma para a falante de referência, e duas para cada falante do português padrão) de leitura de frases para a realização de duas tarefas por parte dos falantes de Lisboa (a gravação do falante do dialeto de Baixo Minho e Douro Litoral foi usada como exemplo para os restantes participantes): uma primeira leitura no seu dialeto nativo; e leitura das frases imitando o melhor possível, e com base na referência dada, o dialeto alvo. Na análise das gravações foram tidas várias variáveis em consideração, como os formantes, fricção, oclusão, explosão e variação dos valores dos formantes na produção dos segmentos alvo e característicos do dialeto de Baixo Minho e Douro Litoral. Apesar das produções corretas de alguns dos traços característicos do dialeto alvo, os falantes não conseguiram esconder o seu dialeto nativo, principalmente a produção de [ɐj]. Contudo, neste trabalho, a identificação do dialeto nativo só foi possível analisando todos os traços imitados em conjunto, isto é, a análise de um só traço apenas permite afirmar se o falante é ou não nativo desse mesmo dialeto. A identificação do seu dialeto só é possível analisando todos os outros segmentos alvo de análise de forma a ir excluindo os outros possíveis dialetos até ser determinado a variedade dialetal nativa do falante. Resumindo, com este estudo pretende-se identificar que traços característicos do dialeto alvo são mais fáceis de imitar e se a sua imitação permite disfarçar o dialeto nativo de um falante, realçando, desta forma, a importância que o disfarce dialetal tem na construção do perfil do falante e em todo o processo de investigação e judicial em casos forenses, procurando, também, contribuir para o estudo da área da Fonética Forense no Português Europeu.