Publicação
Modelo alternativo do DSM-5 para as perturbações da personalidade : revisão crítica
| Resumo: | A classificação categorial de perturbações da personalidade, originalmente introduzida na terceira edição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-III), apresenta inúmeras lacunas que limitam a sua utilidade na investigação e na aplicação clínica. Consequentemente, uma grande quantidade de estudos tem orientado uma mudança de modelos categoriais para modelos dimensionais de psicopatologia da personalidade. O Grupo de Trabalho do DSM-5 para a Personalidade e Perturbações da Personalidade desenvolveu um novo modelo, com o objetivo de aumentar a validade e a utilidade clínica da classificação das perturbações da personalidade. A proposta final consistia num modelo híbrido que contém componentes categoriais e dimensionais e que representa as perturbações da personalidade por défices no funcionamento da personalidade e traços de personalidade patológicos. O Conselho de Administração da Associação Psiquiátrica Americana não aceitou a recomendação do Grupo de Trabalho para implementar esta nova abordagem. Contudo, este modelo alternativo foi incluído na Secção III do DSM-5, de modo a encorajar estudos adicionais para avaliar a sua fiabilidade, validade e utilidade clínica. Desde a recente publicação do DSM-5 em 2013, este modelo alternativo tem gerado um interesse considerável, considerando-se pertinente a realização deste artigo, que revê os princípios científicos que influenciaram o desenvolvimento das alterações propostas para a avaliação e diagnóstico das perturbações da personalidade no DSM-5, discute o processo de revisão das perturbações da personalidade, apresenta o Modelo Alternativo e sumariza os racionais para as alterações realizadas. Ao evitar o risco de dar um grande salto em frente, demasiado radical para ser abraçado pelos clínicos e investigadores, o modelo híbrido torna-se o primeiro passo para uma mudança de paradigma, ao incorporar características dimensionais na nosologia das perturbações da personalidade. Ao estabelecer um equilíbrio entre a introdução de elementos dimensionais e a manutenção de elementos categoriais, este modelo tem em conta os desenvolvimentos na investigação desde a época do DSM-III, e, simultaneamente, é menos disruptivo para a prática clínica e investigação. Estudos adicionais à fiabilidade, validade e utilidade clínica do Modelo Alternativo do DSM-5 para as Perturbações da Personalidade são claramente necessários. No entanto, os primeiros resultados da investigação são promissores. Caso tais resultados continuem a ser encontrados, em última análise, o modelo híbrido poderá ser incluído, em revisões futuras, na secção principal do DSM, para fornecer uma base conceptual e empírica mais forte para a descrição e classificação da patologia da personalidade. |
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| Autores principais: | Ribeiro, Filipa Camila Ferreira |
| Assunto: | Perturbações da personalidade DSM-5 Modelo alternativo Psiquiatria |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A classificação categorial de perturbações da personalidade, originalmente introduzida na terceira edição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-III), apresenta inúmeras lacunas que limitam a sua utilidade na investigação e na aplicação clínica. Consequentemente, uma grande quantidade de estudos tem orientado uma mudança de modelos categoriais para modelos dimensionais de psicopatologia da personalidade. O Grupo de Trabalho do DSM-5 para a Personalidade e Perturbações da Personalidade desenvolveu um novo modelo, com o objetivo de aumentar a validade e a utilidade clínica da classificação das perturbações da personalidade. A proposta final consistia num modelo híbrido que contém componentes categoriais e dimensionais e que representa as perturbações da personalidade por défices no funcionamento da personalidade e traços de personalidade patológicos. O Conselho de Administração da Associação Psiquiátrica Americana não aceitou a recomendação do Grupo de Trabalho para implementar esta nova abordagem. Contudo, este modelo alternativo foi incluído na Secção III do DSM-5, de modo a encorajar estudos adicionais para avaliar a sua fiabilidade, validade e utilidade clínica. Desde a recente publicação do DSM-5 em 2013, este modelo alternativo tem gerado um interesse considerável, considerando-se pertinente a realização deste artigo, que revê os princípios científicos que influenciaram o desenvolvimento das alterações propostas para a avaliação e diagnóstico das perturbações da personalidade no DSM-5, discute o processo de revisão das perturbações da personalidade, apresenta o Modelo Alternativo e sumariza os racionais para as alterações realizadas. Ao evitar o risco de dar um grande salto em frente, demasiado radical para ser abraçado pelos clínicos e investigadores, o modelo híbrido torna-se o primeiro passo para uma mudança de paradigma, ao incorporar características dimensionais na nosologia das perturbações da personalidade. Ao estabelecer um equilíbrio entre a introdução de elementos dimensionais e a manutenção de elementos categoriais, este modelo tem em conta os desenvolvimentos na investigação desde a época do DSM-III, e, simultaneamente, é menos disruptivo para a prática clínica e investigação. Estudos adicionais à fiabilidade, validade e utilidade clínica do Modelo Alternativo do DSM-5 para as Perturbações da Personalidade são claramente necessários. No entanto, os primeiros resultados da investigação são promissores. Caso tais resultados continuem a ser encontrados, em última análise, o modelo híbrido poderá ser incluído, em revisões futuras, na secção principal do DSM, para fornecer uma base conceptual e empírica mais forte para a descrição e classificação da patologia da personalidade. |
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