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Percurso de vida em Portugal : o impacto das desigualdades e dos contextos sociais nas trajectórias profissionais e familiares

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O objetivo principal desta tese é identificar características paradigmáticas do percurso de vida no Portugal Contemporâneo. A pesquisa articula a perspetiva teórico-metodológica do percurso de vida com a problemática das desigualdades e das mudanças sociais. Especificamente, analisa-se a construção das trajetórias familiares e profissionais em contextos sociais e históricos distintos, mapeando a diversidade dos percursos individuais e a forma como os mesmos são moldados pela classe e pelo género. A discussão enquadra-se nos debates contemporâneos sobre as transformações nos percursos de vida nas sociedades ocidentais ao longo das últimas décadas, nomeadamente o pressuposto da erosão das bases institucionais, sociais e políticas da modernidade organizada, que se crê estar na génese do aumento da variabilidade (inter)individual nas trajetórias familiares e profissionais (pluralização) e do desaparecimento de padrões sequenciais fixos e previsíveis (individualização e destandardização). Estes temas são abordados com recurso a uma metodologia extensiva, retrospetiva e ego-centrada das trajetórias familiares e profissionais. A investigação assenta em resultados de um inquérito nacional sobre trajetórias familiares e redes sociais, que foi aplicado a uma amostra representativa de homens e mulheres de três coortes etárias (1935-40, 1950-55 e 1970-75), correspondentes a diferentes tempos sociais e históricos da sociedade portuguesa. A reconstrução das trajetórias individuais desmantela algumas idealizações acerca do passado recente. Desafia igualmente a narrativa contemporânea da escolha ou do declínio familiar, questionando a oposição entre individualização e estandardização do percurso de vida. Os resultados apontam ainda para uma pluralização limitada e socialmente estruturada do percurso de vida, em que classe social e o género continuam a desempenhar um papel fundamental.
Autores principais:Ramos, Vasco
Assunto:Teses de doutoramento - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O objetivo principal desta tese é identificar características paradigmáticas do percurso de vida no Portugal Contemporâneo. A pesquisa articula a perspetiva teórico-metodológica do percurso de vida com a problemática das desigualdades e das mudanças sociais. Especificamente, analisa-se a construção das trajetórias familiares e profissionais em contextos sociais e históricos distintos, mapeando a diversidade dos percursos individuais e a forma como os mesmos são moldados pela classe e pelo género. A discussão enquadra-se nos debates contemporâneos sobre as transformações nos percursos de vida nas sociedades ocidentais ao longo das últimas décadas, nomeadamente o pressuposto da erosão das bases institucionais, sociais e políticas da modernidade organizada, que se crê estar na génese do aumento da variabilidade (inter)individual nas trajetórias familiares e profissionais (pluralização) e do desaparecimento de padrões sequenciais fixos e previsíveis (individualização e destandardização). Estes temas são abordados com recurso a uma metodologia extensiva, retrospetiva e ego-centrada das trajetórias familiares e profissionais. A investigação assenta em resultados de um inquérito nacional sobre trajetórias familiares e redes sociais, que foi aplicado a uma amostra representativa de homens e mulheres de três coortes etárias (1935-40, 1950-55 e 1970-75), correspondentes a diferentes tempos sociais e históricos da sociedade portuguesa. A reconstrução das trajetórias individuais desmantela algumas idealizações acerca do passado recente. Desafia igualmente a narrativa contemporânea da escolha ou do declínio familiar, questionando a oposição entre individualização e estandardização do percurso de vida. Os resultados apontam ainda para uma pluralização limitada e socialmente estruturada do percurso de vida, em que classe social e o género continuam a desempenhar um papel fundamental.