Publicação
Essays on macroeconomics and structural change in the Eurozone
| Resumo: | Esta tese de Doutoramento procura investigar o impacto da intensificação do processo de integração económica Europeia ocorrido desde meados dos anos 1990 nos denominados estados-membros da Periferia (Espanha, Grécia, França, Itália e Portugal), com particular destaque para o estabelecimento da União Económica Monetária (UEM). A integração económica Europeia visava e deveria em teoria contribuir para um aumento da taxa de crescimento económico e a convergência económica real dos estadosmembros menos desenvolvidos da UEM, ao promover um aumento da concorrência e da taxa de crescimento do comércio internacional entre estados-membros, ao criar novas oportunidades de expansão de negócios e ao facilitar a transferência de tecnologia e conhecimento. A partir de 1992, com o Tratado de Maastricht, a União Europeia (UE) criou as bases para o estabelecimento de uma moeda única, o euro, e uma política monetária comum através do Banco Central Europeu (BCE). Contudo, a crescente integração económica das últimas décadas foi acompanhada por um processo de crescente polarização económica, social e política no seio da UE e da Área do Euro, exacerbada pela Grande Recessão de 2007-2009 e pela Crise das Dívidas Soberanas Europeia de 2010-2012, aumentando as desigualdades de rendimento entre os países e resultando numa trajetória de divergência das taxas de crescimento dos mesmos. No mesmo período, do ponto de vista social, verificou-se uma tendência de queda do peso dos salários (aumento do peso dos rendimentos de capital), em paralelo com uma tendência de estagnação económicas. Os quatro ensaios desta tese de doutoramento apresentam uma linha condutora comum, argumentando que falhas de governação e da arquitetura económica da União Económica e Monetária (UEM), a perda de importantes instrumentos de política económica (como sejam a política monetária e cambial) ou ainda a a definição de regras europeias de política orçamental, podem ter contribuído para um fraco ou mesmo negativo desempenho económico dos estados-membros da periferia da Área do Euro. No primeiro ensaio procedemos a uma caracterização do desempenho económico (negativo) dos estados-membros da periferia da Área do Euro desde meados da década de 1990 até ao período pré-covid-19 e a uma revisão da literatura sobre os factores explicativos para este desempenho económico. No entanto, este ensaio investiga e propõe um fator explicativo adicional, pouco explorado na literatura, o designado efeito de Doença Holandesa, que contribuiu para uma tendência de apreciação da taxa de câmbio real interna e uma alteração estrutural do perfil de especialização destas economias. Ao contrário do efeito de Doença Holandesa original, esta situação não se deveu à descoberta de campos de gás natural e posterior exportação desta matéria-prima. Pelo contrário, este ensaio argumenta que o principal fator que despoletou o efeito de Doença Holandesa foi a disponibilidade de fluxos de capitais externos de volume em teoria ilimitados associados à participação desses estados periféricos na UEM desde meados dos anos 1990s. Paradoxalmente, esse choque aparentemente favorável, que resultou numa redução das taxas de juro reais e num aumento do investimento privado e público, teve os efeitos adversos acima identificados. O segundo ensaio, que recorre ao Modelo de Crescimento restringido pela Balança de Pagamentos e ao Modelo de Convergência/Divergência de Produtividade de Ali e Pérez-Caldentey (2011, 2007), estima a possibilidade de convergência económica e de produtividade dos estados-membros da periferia da Área do Euro face aos estadosmembros do centro da Área do Euro (e face a todos os países da Área do Euro). O ensaio conclui que no período pós crise de 2009, estes países apresentaram uma tendência de divergência de produtividade devido aos menores retornos crescentes à escala. Entre os fatores que podem ter contribuído para menores taxas de crescimento da produtividade incluem-se a implementação de políticas de austeridade orçamental (mais intensa no primeiro grupo de países), ou a mudança estrutural verificada neste grupo de países, com um aumento da preponderância de setores de reduzida intensidade tecnológica, como o turismo ou o imobiliário. No terceiro ensaio, através da utilização do método de controlo sintético, procedemos a uma análise contrafactual do efeito da UEM na Posição de Investimento Internacional Líquida (PIIL) dos estados-membros da periferia da Área do Euro. Concluímos que em 2010, os PIIL destes países apresentariam uma melhoria acentuada face à situação verificada estimada, em média ponderada, em 42% do PIB de 2010. O ensaio argumenta que as diferenças de estruturas produtivas na Área do Euro traduzemse em transferências orçamentais implícitas dos estados-membros da periferia para os estados-membros do Centro que não sendo compensadas por transferências orçamentais explícitas no sentido oposto, resultam em desequilíbrios externos recorrentes com a concomitante deterioração da PIIL dos estados-membros da periferia. No quarto ensaio, investigamos dois factos observados na generalidade das economias desenvolvidas. Em primeiro lugar, estas economias têm apresentado nas últimas décadas uma tendência de crescimento económico cada mais vez mais anémico, ao mesmo tempo que o peso dos salários no produto tem também diminuído. Aplicando ao caso da economia Portuguesa, procuramos avaliar empiricamente a relação entre o crescimento do peso dos salários e o crescimento económico, através de uma análise econométrica de séries temporais. O ensaio concluí que o crescimento do peso dos salários contribui para uma aceleração do crescimento económico porque os efeitos positivos no consumo privado mais do que se sobrepõem aos efeitos adversos no consumo privado e nas exportações líquidas. |
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| Autores principais: | Alcobia, João André Ferreira |
| Assunto: | Estados-membros periféricos da Área do Euro Doença Holandesa Falhas institucionais e de arquitetura da União Económica e Monetária Método de Controlo Sintético Regime de Crescimento Liderado pelos Salários Euro-Area peripheral member-states Dutch Disease Institutional and architectural failures of the Economic and Monetary Union Synthetic Control Method Wage-Led Growth Regime |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta tese de Doutoramento procura investigar o impacto da intensificação do processo de integração económica Europeia ocorrido desde meados dos anos 1990 nos denominados estados-membros da Periferia (Espanha, Grécia, França, Itália e Portugal), com particular destaque para o estabelecimento da União Económica Monetária (UEM). A integração económica Europeia visava e deveria em teoria contribuir para um aumento da taxa de crescimento económico e a convergência económica real dos estadosmembros menos desenvolvidos da UEM, ao promover um aumento da concorrência e da taxa de crescimento do comércio internacional entre estados-membros, ao criar novas oportunidades de expansão de negócios e ao facilitar a transferência de tecnologia e conhecimento. A partir de 1992, com o Tratado de Maastricht, a União Europeia (UE) criou as bases para o estabelecimento de uma moeda única, o euro, e uma política monetária comum através do Banco Central Europeu (BCE). Contudo, a crescente integração económica das últimas décadas foi acompanhada por um processo de crescente polarização económica, social e política no seio da UE e da Área do Euro, exacerbada pela Grande Recessão de 2007-2009 e pela Crise das Dívidas Soberanas Europeia de 2010-2012, aumentando as desigualdades de rendimento entre os países e resultando numa trajetória de divergência das taxas de crescimento dos mesmos. No mesmo período, do ponto de vista social, verificou-se uma tendência de queda do peso dos salários (aumento do peso dos rendimentos de capital), em paralelo com uma tendência de estagnação económicas. Os quatro ensaios desta tese de doutoramento apresentam uma linha condutora comum, argumentando que falhas de governação e da arquitetura económica da União Económica e Monetária (UEM), a perda de importantes instrumentos de política económica (como sejam a política monetária e cambial) ou ainda a a definição de regras europeias de política orçamental, podem ter contribuído para um fraco ou mesmo negativo desempenho económico dos estados-membros da periferia da Área do Euro. No primeiro ensaio procedemos a uma caracterização do desempenho económico (negativo) dos estados-membros da periferia da Área do Euro desde meados da década de 1990 até ao período pré-covid-19 e a uma revisão da literatura sobre os factores explicativos para este desempenho económico. No entanto, este ensaio investiga e propõe um fator explicativo adicional, pouco explorado na literatura, o designado efeito de Doença Holandesa, que contribuiu para uma tendência de apreciação da taxa de câmbio real interna e uma alteração estrutural do perfil de especialização destas economias. Ao contrário do efeito de Doença Holandesa original, esta situação não se deveu à descoberta de campos de gás natural e posterior exportação desta matéria-prima. Pelo contrário, este ensaio argumenta que o principal fator que despoletou o efeito de Doença Holandesa foi a disponibilidade de fluxos de capitais externos de volume em teoria ilimitados associados à participação desses estados periféricos na UEM desde meados dos anos 1990s. Paradoxalmente, esse choque aparentemente favorável, que resultou numa redução das taxas de juro reais e num aumento do investimento privado e público, teve os efeitos adversos acima identificados. O segundo ensaio, que recorre ao Modelo de Crescimento restringido pela Balança de Pagamentos e ao Modelo de Convergência/Divergência de Produtividade de Ali e Pérez-Caldentey (2011, 2007), estima a possibilidade de convergência económica e de produtividade dos estados-membros da periferia da Área do Euro face aos estadosmembros do centro da Área do Euro (e face a todos os países da Área do Euro). O ensaio conclui que no período pós crise de 2009, estes países apresentaram uma tendência de divergência de produtividade devido aos menores retornos crescentes à escala. Entre os fatores que podem ter contribuído para menores taxas de crescimento da produtividade incluem-se a implementação de políticas de austeridade orçamental (mais intensa no primeiro grupo de países), ou a mudança estrutural verificada neste grupo de países, com um aumento da preponderância de setores de reduzida intensidade tecnológica, como o turismo ou o imobiliário. No terceiro ensaio, através da utilização do método de controlo sintético, procedemos a uma análise contrafactual do efeito da UEM na Posição de Investimento Internacional Líquida (PIIL) dos estados-membros da periferia da Área do Euro. Concluímos que em 2010, os PIIL destes países apresentariam uma melhoria acentuada face à situação verificada estimada, em média ponderada, em 42% do PIB de 2010. O ensaio argumenta que as diferenças de estruturas produtivas na Área do Euro traduzemse em transferências orçamentais implícitas dos estados-membros da periferia para os estados-membros do Centro que não sendo compensadas por transferências orçamentais explícitas no sentido oposto, resultam em desequilíbrios externos recorrentes com a concomitante deterioração da PIIL dos estados-membros da periferia. No quarto ensaio, investigamos dois factos observados na generalidade das economias desenvolvidas. Em primeiro lugar, estas economias têm apresentado nas últimas décadas uma tendência de crescimento económico cada mais vez mais anémico, ao mesmo tempo que o peso dos salários no produto tem também diminuído. Aplicando ao caso da economia Portuguesa, procuramos avaliar empiricamente a relação entre o crescimento do peso dos salários e o crescimento económico, através de uma análise econométrica de séries temporais. O ensaio concluí que o crescimento do peso dos salários contribui para uma aceleração do crescimento económico porque os efeitos positivos no consumo privado mais do que se sobrepõem aos efeitos adversos no consumo privado e nas exportações líquidas. |
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