Publicação

Presence as care : perspectives from portuguese chaplains

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A dimensão espiritual dos cuidados paliativos constitui um tópico importante mas pouco estudado em Portugal. Em particular, o papel dos assistentes espirituais e religiosos no fim-de-vida tem sido negligenciado na literatura. Objetivos: Identificar os valores, crenças e práticas dos assistentes espirituais e religiosos portugueses, assim como determinar a visão que estes têm do seu próprio papel – e o dos outros profissionais – nos cuidados espirituais no fim-de-vida. Métodos: Foi aplicado um formato de entrevista semi-estruturada, tendo sido realizadas entrevistas por videochamada com 18 assistentes espirituais e religiosos. Estas entrevistas foram gravadas, transcritas e de seguida examinadas através de análise qualitativa. Resultados: Para os assistentes entrevistados, os valores de ‘Comunidade’ e ‘Ligação a Deus’ são os mais importantes na vida e devem ser mantidos no fim-de-vida. A saúde e a doença são entendidas de forma holística, enquanto conceitos com dimensões físicas, psicológicas, sociais e espirituais. Ao contrário do modelo biomédico vigente, a doença é entendida como um ‘caminho para Deus’ e parte de um plano divino, e a morte como uma ‘porta’ para uma fase distinta da existência. Os princípios do cuidado espiritual são a presença, o conforto e a esperança, expressos através de práticas como a oração conjunta, o apoio nos serviços fúnebres e a realização de sacramentos e outros rituais. Os assistentes também identificam dificuldades na provisão de assistência espiritual – incluindo dificuldade no acesso a pacientes e a pouca importância dada à espiritualidade nos cuidados – e discutem o papel dos médicos nesta assistência. Conclusões: Os assistentes espirituais e religiosos são um elemento valioso na provisão de cuidados holísticos no fim-de-vida, e deveriam ser integrados em equipas multidisciplinares. Tal permitiria que a sua experiência e conhecimento informasse os cuidados prestados a pacientes paliativos. No entanto, permanecem barreiras à sua inclusão, que deverão ser ultrapassadas para tornar os cuidados espirituais uma realidade em Portugal.
Autores principais:Ribeiro, Miguel de Magalhães Esquível Carrilho
Assunto:Espiritualidade Assistência espiritual Cuidados paliativos Fim de vida Portugal
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: A dimensão espiritual dos cuidados paliativos constitui um tópico importante mas pouco estudado em Portugal. Em particular, o papel dos assistentes espirituais e religiosos no fim-de-vida tem sido negligenciado na literatura. Objetivos: Identificar os valores, crenças e práticas dos assistentes espirituais e religiosos portugueses, assim como determinar a visão que estes têm do seu próprio papel – e o dos outros profissionais – nos cuidados espirituais no fim-de-vida. Métodos: Foi aplicado um formato de entrevista semi-estruturada, tendo sido realizadas entrevistas por videochamada com 18 assistentes espirituais e religiosos. Estas entrevistas foram gravadas, transcritas e de seguida examinadas através de análise qualitativa. Resultados: Para os assistentes entrevistados, os valores de ‘Comunidade’ e ‘Ligação a Deus’ são os mais importantes na vida e devem ser mantidos no fim-de-vida. A saúde e a doença são entendidas de forma holística, enquanto conceitos com dimensões físicas, psicológicas, sociais e espirituais. Ao contrário do modelo biomédico vigente, a doença é entendida como um ‘caminho para Deus’ e parte de um plano divino, e a morte como uma ‘porta’ para uma fase distinta da existência. Os princípios do cuidado espiritual são a presença, o conforto e a esperança, expressos através de práticas como a oração conjunta, o apoio nos serviços fúnebres e a realização de sacramentos e outros rituais. Os assistentes também identificam dificuldades na provisão de assistência espiritual – incluindo dificuldade no acesso a pacientes e a pouca importância dada à espiritualidade nos cuidados – e discutem o papel dos médicos nesta assistência. Conclusões: Os assistentes espirituais e religiosos são um elemento valioso na provisão de cuidados holísticos no fim-de-vida, e deveriam ser integrados em equipas multidisciplinares. Tal permitiria que a sua experiência e conhecimento informasse os cuidados prestados a pacientes paliativos. No entanto, permanecem barreiras à sua inclusão, que deverão ser ultrapassadas para tornar os cuidados espirituais uma realidade em Portugal.