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A crónica em Ernesto Lara, Filho: baseado nas crónicas da Roda Gigante

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Summary:Sem a penetração da Língua Portuguesa por terras africanas, concretamente em Angola, desde o período da Expansão por navegantes, marinheiros e religiosos portugueses, não teria sido possível desenvolver este trabalho, que numa perspectiva cultural aborda a alteração que a escrita da crónica produzida no jornal num determinado momento, teria provocado, e, os efeitos que se registaram desde aí na sociedade angolana e na Literatura Portuguesa. Primeiro pelos intervenientes em contacto e depois pela escolarização disponibilizada naquele território, os africanos souberam aproveitar dos portugueses um sistema literário que lhes era oferecido e alterar um paradigma civilizacional, o passar do conhecimento através da escrita. Demonstraram com essa aquisição, serem capazes não só de desenvolver a sua cultura, como também de prosseguir a criação de uma literatura de raízes africanas capaz de se distinguir da original. Desta sua capacidade de aceitação e de adaptação à nova realidade, os angolanos procuraram criar no seu espaço, por oposição a uma forma expressa pelo colonizador, elementos que haveriam de constituir a base dos seus valores identitários e, com estes afirmarem-se no espaço cultural comum. Assistimos por esta via, ao crescimento da obra de Ernesto Lara (Filho) através da crónica desenvolvida no campo jornalístico, e não só, que esta não perdeu a marca de uma escrita literária, participando dessa forma singular no processo de criação da literatura. Por essas razões se determinou a importância de que se revestia o estudo da crónica como parte tradicionalmente vocacionada no jornal, tornando-se numa das vias seleccionadas para a divulgação da Língua Portuguesa e do pensamento angolano, contribuindo dessa forma para a definição dos elementos que configuram o padrão cultural angolano. Fica-nos que a Língua Portuguesa ao ser aceite pela comunidade angolana, passou também, a configurar um novo espaço e a prestar um tributo que a faz ganhar novos contornos no enriquecimento gerado a partir do convívio de que desfruta naquelas paragens.
Main Authors:Sousa,Carlos Alberto Serra Teixeira de
Subject:Lara Filho, Ernesto, 1932-1977 Literatura angolana - séc.20 Crónicas Jornalismo - Angola Imprensa periódica - Angola - séc.20 Sociologia cultural - Angola Teses de mestrado - 2009
Year:2009
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:Sem a penetração da Língua Portuguesa por terras africanas, concretamente em Angola, desde o período da Expansão por navegantes, marinheiros e religiosos portugueses, não teria sido possível desenvolver este trabalho, que numa perspectiva cultural aborda a alteração que a escrita da crónica produzida no jornal num determinado momento, teria provocado, e, os efeitos que se registaram desde aí na sociedade angolana e na Literatura Portuguesa. Primeiro pelos intervenientes em contacto e depois pela escolarização disponibilizada naquele território, os africanos souberam aproveitar dos portugueses um sistema literário que lhes era oferecido e alterar um paradigma civilizacional, o passar do conhecimento através da escrita. Demonstraram com essa aquisição, serem capazes não só de desenvolver a sua cultura, como também de prosseguir a criação de uma literatura de raízes africanas capaz de se distinguir da original. Desta sua capacidade de aceitação e de adaptação à nova realidade, os angolanos procuraram criar no seu espaço, por oposição a uma forma expressa pelo colonizador, elementos que haveriam de constituir a base dos seus valores identitários e, com estes afirmarem-se no espaço cultural comum. Assistimos por esta via, ao crescimento da obra de Ernesto Lara (Filho) através da crónica desenvolvida no campo jornalístico, e não só, que esta não perdeu a marca de uma escrita literária, participando dessa forma singular no processo de criação da literatura. Por essas razões se determinou a importância de que se revestia o estudo da crónica como parte tradicionalmente vocacionada no jornal, tornando-se numa das vias seleccionadas para a divulgação da Língua Portuguesa e do pensamento angolano, contribuindo dessa forma para a definição dos elementos que configuram o padrão cultural angolano. Fica-nos que a Língua Portuguesa ao ser aceite pela comunidade angolana, passou também, a configurar um novo espaço e a prestar um tributo que a faz ganhar novos contornos no enriquecimento gerado a partir do convívio de que desfruta naquelas paragens.