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Otimismo e pessimismo, decisões à parte : a influência das emoções em contexto financeiro

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Resumo:Utilizando como enquadramento a recente crise financeira em Portugal, o objetivo do presente estudo é explorar a forma como as emoções resultantes de diferentes perspetivas sobre a situação sócio-económica e financeira do pais podem afetar o julgamento em condições de incerteza. Para este efeito primaram-se os participantes com emoções (positivas vs negativas) através da apresentação de perspectivas sociais e financeiras severas vs. benignas. Exploramos de seguida a influência destas emoções em problemas de negligência das probabilidades de partida (base-rates) (Kahneman & Tversky, 1973) enquadrados na linha de investigação da “mente reflexiva” de Stanovich (2009). Mani, Mullainathan, Shafir e Zhao (2013) sugerem que evocar preocupações financeiras afeta o raciocínio dos indivíduos na medida em que esgota os recursos cognitivos disponíveis. Blanchette & Campbell (2012) obtiveram melhorias de desempenho numa tarefa de raciocínio lógico-dedutivo (silogismos) com conteúdo emocional negativo forte. Gouveia (2018) numa tarefa de silogismos, encontrou um efeito benéfico evocando emoções de valência negativa no contexto de dificuldades financeiras. Neste prosseguimento, procuramos saber se o mesmo ocorre em raciocínio probabilístico. Para tal, apresentámos aos participantes do estudo (n=145) um de quatro cenários de primação de emoções, que variam em função de conteúdo (financeiro e não financeiro) e valência (positiva e negativa) seguido da apresentação de 12 problemas de base-rates de diferente conteúdo (financeiro, emocional e neutro). Mediu-se o desempenho dos participantes no teste de reflexão cognitiva (CRT; Frederick, 2005), foram introduzidas medidas exploratórias de atribuição causal para locus de controlo, estabilidade e controlabilidade e analisámos as implicações que as dificuldades financeiras e a orientação política possam assumir. As emoções negativas evocadas traduziram-se numa primação mais elevada. Conteúdos emocionais em problemas de base-rates inclusivos conduziram a pior desempenho, e em problemas de base-rate exclusivos, o padrão inverte-se, associado contudo a menor confiança de resposta. Não se registam resultados significativos no CRT, o conteúdo dos base-rates não influencia nenhuma das questões de atribuição causal, e as covariáveis dificuldades financeiras e orientação política não alteram significativamente nenhum efeito principal.
Autores principais:Nunes, Hugo Alexandre de Sousa
Assunto:Raciocínio Emoção Tomada de decisão Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Utilizando como enquadramento a recente crise financeira em Portugal, o objetivo do presente estudo é explorar a forma como as emoções resultantes de diferentes perspetivas sobre a situação sócio-económica e financeira do pais podem afetar o julgamento em condições de incerteza. Para este efeito primaram-se os participantes com emoções (positivas vs negativas) através da apresentação de perspectivas sociais e financeiras severas vs. benignas. Exploramos de seguida a influência destas emoções em problemas de negligência das probabilidades de partida (base-rates) (Kahneman & Tversky, 1973) enquadrados na linha de investigação da “mente reflexiva” de Stanovich (2009). Mani, Mullainathan, Shafir e Zhao (2013) sugerem que evocar preocupações financeiras afeta o raciocínio dos indivíduos na medida em que esgota os recursos cognitivos disponíveis. Blanchette & Campbell (2012) obtiveram melhorias de desempenho numa tarefa de raciocínio lógico-dedutivo (silogismos) com conteúdo emocional negativo forte. Gouveia (2018) numa tarefa de silogismos, encontrou um efeito benéfico evocando emoções de valência negativa no contexto de dificuldades financeiras. Neste prosseguimento, procuramos saber se o mesmo ocorre em raciocínio probabilístico. Para tal, apresentámos aos participantes do estudo (n=145) um de quatro cenários de primação de emoções, que variam em função de conteúdo (financeiro e não financeiro) e valência (positiva e negativa) seguido da apresentação de 12 problemas de base-rates de diferente conteúdo (financeiro, emocional e neutro). Mediu-se o desempenho dos participantes no teste de reflexão cognitiva (CRT; Frederick, 2005), foram introduzidas medidas exploratórias de atribuição causal para locus de controlo, estabilidade e controlabilidade e analisámos as implicações que as dificuldades financeiras e a orientação política possam assumir. As emoções negativas evocadas traduziram-se numa primação mais elevada. Conteúdos emocionais em problemas de base-rates inclusivos conduziram a pior desempenho, e em problemas de base-rate exclusivos, o padrão inverte-se, associado contudo a menor confiança de resposta. Não se registam resultados significativos no CRT, o conteúdo dos base-rates não influencia nenhuma das questões de atribuição causal, e as covariáveis dificuldades financeiras e orientação política não alteram significativamente nenhum efeito principal.