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The 1990s in Portuguese Cinema: A Historical and Aesthetic Analysis of Glória by Manuela Viegas

Autor(es): Rodrigues, Cátia

Data: 2025

Origem: Aniki : Revista Portuguesa da Imagem em Movimento

Assunto(s): Morte; Esquecimento; Terror; Graça; Infância; Death; Oblivion; Terror; Grace; Childhood


Descrição

This article undertakes an aesthetic analysis of Glória (1999), the sole feature-length film directed by Manuela Viegas, situating it within the broader framework of recent Portuguese cinema history. Since the 1980s, Viegas has established herself as a prominent editor of several pivotal works in Portuguese cinema, including Conversa Acabada (1981) by João Botelho, Silvestre (1981) and À Flor do Mar (1986) by João César Monteiro, Gestos e Fragmentos – Ensaio Sobre os Militares e o Poder (1984) by Alberto Seixas Santos, O Sangue (1990) by Pedro Costa, and A Idade Maior (1991) by Teresa Villaverde, among others. Glória was produced during the 1990s, a particularly fruitful period for Portuguese cinema. This decade was characterized, on the one hand, by continuity, with Portuguese cinema remaining attuned to prevailing aesthetic and formal trends in global filmmaking, and on the other hand, by rupture, particularly regarding questions of identity. During this period, Portuguese cinema sought to transcend the restrictive boundaries of “national” identity, rejecting essentialist notions of “Portugueseness” in favor of a more transhistorical and transnational perspective. In recent years, efforts to reconfigure the historiography of Portuguese cinema have emphasized the pluralization and decentralization of its canonical narrative. This ongoing process has foregrounded the imperative to address significant lacunae, particularly the systematic marginalization of women’s contributions to cinema. This encompasses not only directing but also editing, cinematography, sound design, production, and other domains of film practice. Women’s work in Portuguese cinema has frequently been consigned to the peripheries of critical and historical discourse. The case of Glória is illustrative in this regard, as the film remains underexplored in scholarly and critical literature.    

O presente artigo propõe uma análise estética de Glória (1999), a única longa-metragem de Manuela Viegas, a partir da sua inscrição na história mais recente do cinema português. Desde 1980, Viegas destaca-se como montadora de importantes filmes portugueses, a saber: Conversa Acabada (1981), de João Botelho, Silvestre (1981) e À Flor do Mar (1986), de João César Monteiro, Gestos e Fragmentos – Ensaio Sobre os Militares e o Poder (1984), de Alberto Seixas Santos, O Sangue (1990), de Pedro Costa, A Idade Maior (1991), de Teresa Villaverde, entre outros. Glória surge num contexto particularmente frutífero do cinema português, a década de 1990, pautada, por um lado, por uma continuidade – o cinema português continuava a par das tendências estético-formais vigentes no resto do mundo –, por outro lado, por uma ruptura, especialmente do ponto de vista identitário – o cinema português deixava de se querer tão ou nada “português”, rejeitando a categorização estanque de “nacional” para se afirmar trans-histórica e nacionalmente. Nas últimas décadas, a construção e linearidade da história do cinema português tem sido alvo de um esforço de pluralização e descentramento, através da interrogação e, sempre que possível, expansão do cânone. Tratando-se de um processo ainda em curso, uma das maiores preocupações dos investigadores e historiadores contemporâneos é a de colmatar uma das mais evidentes ausências dessa “construção histórica”: o cinema, em sentido abrangente (realização, montagem, direcção de fotografia, direcção de som, produção, etc.), feito por mulheres, relegado para as margens do esquecimento no contexto da produção portuguesa – como foi o caso de Glória, de que são conhecidos poucos textos críticos ou académicos.

Tipo de Documento Artigo científico
Idioma Português
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