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A Crise Europeia: entre o niilismo do presente e a invenção do futuro

Author(s): Rocha-Cunha, Silvério ; Viparelli, Irene

Date: 2020

Persistent ID: http://hdl.handle.net/10174/26580

Origin: Repositório Científico da Universidade de Évora


Description

A crise internacional de 2007/2008 tem inaugurado sem dúvida uma nova época da história europeia, caracterizada pela ininterrupta proliferação de sucessivos cenários de emergências. De facto, poder-se-ia interpretar a história mias recente da União europeia como sendo um verdadeiro “estado de exceção permanente”, em que as crises não deixaram de se multiplicar: Grexit, crise da divida soberana, populismos reaccionários, terrorismo, crise dos refugiados, Brexit. A progressiva complexificação e a deterioração do quadro político têm empurrado a crise da Europa até um ponto que parece sem retorno; a um impasse político insuperável e ao bloqueio definitivo do seu projeto constituinte, chegando a colocar em causa a própria persistência da União. Contudo, é impossível considerar este presente europeu, tão incerto e precário, apenas como sendo uma consequência da crise internacional de 2007/2008, enraizando-se, muito pelo contrário, na complexidade da própria história europeia; nas bases heterogéneas e por vezes contraditórias do seu processo de integração. Com efeito, desde os seus primeiros passos, o projecto da unificação económica e política da Europa reflectiu uma profunda tensão entre o ideal duma expansão transnacional do paradigma democrático e a incapacidade efectiva de ultrapassar os particularismos e a concorrência entre os Estados. Trata-se duma contradição estrutural que porém, nos últimos dez anos e para efeito da crise, tem andado acentuando-se, reflectindo-se na progressiva ascensão de populismos nacionalistas e reaccionários que estão a colocar em perigo os pressupostos humanitários e democráticos da União.

Document Type Book
Language Portuguese
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