Autor(es):
Batista, Mariana ; Relvas, Maria ; Calado, Rebeca ; Brites, Maria Manuel ; Gonçalo, Margarida
Data: 2020
Origem: Revista da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia
Assunto(s): Cellulitis; Diabetes Complications; Diabetes Mellitus/complications; Erysipelas; Hospitalization; Skin Diseases, Bacterial/diagnosis; Skin Diseases, Bacterial/therapy; Doenças Bacterianas da Pele/diagnóstico; Doenças Bacterianas da Pele/tratamento; Celulite; Complicações da Diabetes; Erisipela; Diabetes Mellitus/complicações; Hospitalização
Descrição
Introduction: Acute bacterial dermo-hypodermatitis (DHAB) is an acute infection of the dermis and hypodermis that most often affects the lower limbs. Although diabetes mellitus has been identified as a risk factor for its development, recent studies have questioned this relationship. The aim of the present study was to compare clinical characteristics of inpatients with DHAB associated or not with diabetes mellitus. Material & Methods: Prospective study of patients hospitalized at the Dermatology Department of the Coimbra Hospital and University Center with the diagnosis of DHAB between January and June 2018. The following parameters were evaluated: 1) demographic / biometric data - gender, age; body mass index; 2) clinical and evolutionary aspects - location of infection, interval between initial symptoms and diagnosis, history of a previous episode; previous diagnosis of diabetes mellitus; 3) laboratory abnormalities - leukocytosis, C-reactive protein (CRP), microorganism screening (blood, abscess pus, wound exudate, blister content); 3) therapy - duration of antibiotic therapy, need for second line therapy, length of hospitalization; 4) local (abscess, necrosis) or systemic complications (bacteremia, drug rash, deterioration of underlying disease and death). Data were analyzed with the SPSS software, mainly looking for the influence of diabetes mellitus on the different parameters evaluated. Statistical significance was set at p <0.05. Results: We included 102 patients, 55 female (53.9%) and 47 male (46.1%), with a mean age of 68.6 ± 13.9 years. The lower limb was the most affected site (73.5%), followed by the upper limb (20.6%) and face (5.9%). In average there were 3.1 ± 2.5 days between initial symptoms and hospitalization. Twenty-four patients had a diagnosis of diabetes mellitus (23.5%), six under insulin treatment (25%). No statistically significant difference was found between the diabetic and non-diabetic group for gender, age, infection location, time from initial symptoms to hospitalization, neither in circulating leukocyte or CRP values. Microorganism screening (blood, abscess pus, wound exudate, blister content) was positive in 2/8 diabetics (25%) and 15/39 non-diabetics (38.5%) (p=0.138), with the same type of microorganism isolated in both groups. Initial antibiotic therapy - cefoxitin plus clindamycin in 64.7% - was replaced in one non-diabetic and 10 diabetic patients (p=0.451) and the total duration of antibiotic treatment and hospitalization between groups was similar. Local complications occurred in 3 diabetics (12.5%) and 15 non-diabetics (19.2%), and systemic complications in 4 diabetics (16.7%) and 12 non-diabetics (15.4%), p=0.553 and p=1.000, respectively. Conclusion: The present study shows that diabetes mellitus in hospitalized patients diagnosed with DHAB is not associated with a worse prognosis, namely in which concerns need for second line antibiotic therapy, longer hospitalization or local/systemic complications.
Introdução: A dermo-hipodermite aguda bacteriana (DHAB) é uma infeção aguda da derme e hipoderme que mais frequentemente atinge os membros inferiores. Apesar de a diabetes mellitus (DM) ser frequentemente apontada como um fator de risco para o seu desenvolvimento, estudos recentes têm questionado tal relação. O objetivo do presente estudo foi comparar as características da DHAB em doentes com e sem diabetes mellitus. Material e Métodos: Estudo prospetivo dos doentes hospitalizados no Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra com o diagnóstico de DHAB entre Janeiro e Junho de 2018. Foram avaliados os seguintes parâmetros: 1) dados demográficos / biométricos – género, idade; índice de massa corporal (IMC); 2) aspetos clínico-evolutivos – localização, tempo de evolução dos sintomas até ao diagnóstico, história de episódio prévio de DHBA; diagnóstico prévio de DM; 3) alterações laboratoriais – leucocitose, proteína-C reativa (PCR), pesquisa de microrganismo (sangue, pus de abcesso, exsudato de ferida, conteúdo de bolha); 3) terapêutica – duração da antibioterapia, necessidade de terapêutica de segunda linha, duração do internamento; 4) complicações locais (abcesso, necrose) ou sistémicas (bacteriémia, exantema medicamentoso, descompensação de doença subjacente e morte). Os dados foram analisados com o software SPSS, procurando sobretudo a influência da DM nos distintos parâmetros avaliados. A significância estatística foi definida para p< 0,05. Resultados: Foram incluídos 102 doentes, 55 do género feminino (53,9%) e 47 do masculino (46,1%), com idade média de 68,6 ± 13,9 anos. O membro inferior foi o local mais atingido (73,5%), seguido do membro superior (20,6%) e face (5,9%), tendo a DHBA uma média de 3,1 ± 2,5 dias de evolução dos sintomas à data da hospitalização. Vinte e quatro doentes tinham o diagnóstico de DM (23,5%), seis dos quais insulinotratados (25%). Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre o grupo de diabéticos e não diabéticos para o género, idade, localização da infeção, tempo de evolução dos sintomas até à hospitalização, nem no valor dos leucócitos circulantes ou da PCR. A pesquisa de microrganismo (sangue, pus de abcesso, exsudato de ferida, conteúdo de bolha) foi positiva em 2/8 diabéticos (25%) e em 15/39 não diabéticos (38,5%) (p=0,138), tendo sido o mesmo o tipo de microrganismo isolado. A antibioterapia inicial – cefoxitina em associação a clindamicina em 64,7% - foi substituída num doente não diabético e em 10 doentes diabéticos (p=0,451) e a duração total do tratamento antibiótico e do internamento entre os grupos foi semelhante. Complicações locais ocorreram em 3 diabéticos (12,5%) e em 15 não diabéticos (19,2%), e complicações sistémicas em 4 diabéticos (16,7%) e em 12 não diabéticos (15,4%), p=0,553 e p=1,000, respetivamente. Conclusão: O presente estudo demonstra que a DM em doentes hospitalizados com diagnóstico de DHAB não se associa a prior prognóstico nomeadamente necessidade de antibioterapia de segunda linha, internamento mais prolongados ou complicações locais ou sistémicas.