Author(s):
Siopa, Carlos ; Silva, Francisco ; Souto Braz, Inês
Date: 2025
Origin: Revista Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental
Subject(s): Antidepressive Agents/therapeutic use; Antipsychotic Agents/therapeutic use; Borderline Personality Disorder/drug therapy; Psychotherapy; Antidepressivos/uso terapêutico; Antipsicóticos/uso terapêutico; Perturbação de Personalidade Borderline/tratamento farmacológico; Psicoterapia
Description
Borderline personality disorder (BPD) constitutes a hard tot treat personality disorder, characterized by persistent emotional dysregulation, identity and self ‑esteem instability, impulsivity, persistent interpersonal conflicts, and self‑harming behaviors. The intense subjective distress and increased healthcare needs are also characteristic. While psychotherapy remains the gold standard for treatment, pharmacotherapy is essential for many individuals with BPD. These guidelines aim for a better pharmacological management of BPD, based on a comprehensive literature review that included relevant studies and clinical guidelines from organizations such as National Institute for Health and Care Excellence, World Federation of Societies of Biological Psychiatry and Australian National Health and Medical Research Council. Distinct drugs can effectively target distinct symptom domains: cognitive ‑perceptual alterations, emotional dysregulation, impulsivity, and interpersonal dysfunction. Key findings indicate that antidepressants, particularly SSRIs and tricyclics, demonstrate efficacy in reducing depressive symptoms and impulsivity. Mood stabilizers, including lamotrigine and valproate, have shown benefits for emotional dysregulation and impulsive behaviors. Antipsychotics, notably aripiprazole and olanzapine, provide relief from severe emotional dysregulation and impulsive aggression. The efficacy of aripiprazole in the treatment of all symptom dimensions is highlighted. However, careful consideration of the side ‑effect profile is crucial, given the potential for adverse effects, particularly in vulnerable populations. Despite the recognized utility of pharmacological interventions, the limitations within the existing literature, such as methodological variability and lack of consensus on symptom definitions, complicate result interpretation. Therefore, longitudinal studies assessing both short ‑term and long ‑term outcomes of pharmacological treatments are warranted. A continued commitment to research, within a multidisciplinary framework, is essential for optimizing the clinical management of BPD and enhancing our understanding of the efficacy of pharmacotherapy in this complex disorder.
A perturbação de personalidade borderline (PPBL) constitui‑se como uma perturbação da personalidade usualmente exigente quanto ao tratamento, caracterizada por desregulação afetiva persistente, instabilidade da identidade ou autoestima, impulsividade, conflitos interpessoais persistentes e comportamentos autolesivos. O intenso sofrimento subjetivo e o aumento das necessidades de saúde também são característicos desta perturbação. Embora a psicoterapia seja o tratamento gold‑standard, o tratamento farmacológico torna‑se necessário em vários casos. As presentes recomendações visam uma melhor gestão farmacológica da PPBL, fundamentada numa revisão abrangente da literatura que incluiu estudos relevantes e orientações clínicas de organizações como o National Institute for Health and Care Excellence, a World Federation of Societies of Biological Psychiatry e o Australian National Health and Medical Research Council. Diferentes fármacos podem efetivamente melhores diferentes dimensões sintomáticas: alterações cognitivo‑percetuais, desregulação afetiva, impulsividade e disfunção interpessoal. As principais conclusões indicam que os antidepressivos, particularmente os ISRS e os tricíclicos, demonstram eficácia na redução dos sintomas depressivos e da impulsividade. Os estabilizadores de humor, incluindo a lamotrigina e o valproato, mostraram benefícios para a desregulação emocional e comportamentos impulsivos. Os antipsicóticos, nomeadamente o aripiprazol e a olanzapina, proporcionam alívio da desregulação emocional severa e da agressão impulsiva. Destaca‑se a eficácia do aripiprazol no tratamento de todas as dimensões sintomáticas. Contudo, uma consideração cuidadosa do perfil de efeitos adversos é crucial, dado o potencial para efeitos indesejáveis, particularmente em populações vulneráveis. Apesar da utilidade reconhecida das intervenções farmacológicas, as limitações na literatura existente, como a variabilidade metodológica e a falta de consenso nas definições de sintomas, limitam a interpretação dos resultados. São necessários estudos longitudinais que avaliem tanto os resultados a curto como a longo prazo do tratamento farmacológico. Um compromisso contínuo com a investigação, dentro de um quadro multidisciplinar, é essencial para otimizar a gestão clínica da PPBL e aprimorar a nossa compreensão da eficácia dos psicofármacos nesta perturbação.