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Introdução: O Ensino Clínico define-se como a vertente de formação em Enfermagem concretiza-se através da prática clínica supervisionada sob a responsabilidade de enfermeiros docentes em cooperação com enfermeiros qualificados (Diretiva 2005/36/CE). Do professor espera-se a gestão do processo de ensino e de aprendizagem clínica, fornecendo feedback com avaliação formativa, conduzindo a auto e hétero avaliação final da aprendizagem. Do tutor espera-se que seja facilitador da aprendizagem, integrando e acompanhando o estudante nos cuidados, proporcionando-lhe suporte e feedback permanente da sua prestação. Objetivos: O estudante espera encontrar 'bons' docentes e enfermeiros tutores. Ser bom professor inclui estar atento às necessidades do estudante, estimulá-lo a refletir criticamente, a participar ativamente na aprendizagem (Ventura, Neves, Loureiro, Frederico-Ferreira & Cardoso, 2011). Ser bom tutor implica empatia ajudando o estudante a gerir emoções, aceitando as suas dificuldades, estimulando a autoestima e autonomia, orientando as práticas clinicas (Abreu, 2007). Temos como objetivo identificar as qualidades valorizadas pelos estudantes. Metodologia: Do Curso de Licenciatura em Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, inquirimos uma amostra intencional de 29 estudantes em Ensino Clínico em Cuidados Primários/Diferenciados que decorre durante o 6º e 7º semestres, correspondentes ao final do 3º ano e início do 4º ano respetivamente. Utilizamos um questionário autopreenchido com questão aberta solicitando a descrição das qualidades de um 'bom' Professor e de um 'bom' Enfermeiro Tutor. Submeteram-se as respostas a análise de conteúdo, agrupando-se de acordo com as dimensões sugeridas pela literatura: competências interpessoais, pedagógicas e científicas. Resultados: As competências pedagógicas reúnem o maior número de qualidades elencadas: no professor emergem a Presença/Acompanhamento frequente (n=13), Disponibilidade/Acessibilidade (n=12), ser Motivador (n=10), Feedback (n=8) e Criticar construtivamente (n=6); no enfermeiro tutor surgem a Disponibilidade para orientar (n=14), Promover reflexão sobre a prática (n=10), Promover a autonomia do estudante (n=7), Acompanhar/Apoiar (n=7) e Partilha de experiências (n=6). Nas competências interpessoais destacam-se as mesmas qualidades para ambos embora priorizadas distintamente: no professor valorizam a Empatia (n=10), a capacidade de ser Paciente/Compreensivo (n=8) e Respeitar o estudante não o criticando publicamente (n=3), enquanto no tutor valorizam a capacidade de ser Paciente/Compreensivo (n=7), a Empatia (n=6) e o Respeito pelo estudante não o criticando publicamente (n=5). Das competências científicas sobressaem para o professor o Orientar/articular teoria/prática (n=9), a capacidade de Esclarecer questões (n=8) e de ser Inovador/Criativo (n=4) e para o enfermeiro tutor o Ensinar/orientar as práticas (n=6), a capacidade de Esclarecer dúvidas (n=6) e de Envolver o estudante nos cuidados (n=4). Conclusões: Na supervisão em Ensino Clínico os estudantes valorizam qualidades semelhantes para o professor e o enfermeiro tutor apesar de diferenciarem os seus papéis. A perspetiva dos estudantes evidencia que é na harmonia entre as competências interpessoais, o conhecimento e o modo pedagógico de fazer aprender que se constrói o 'bom' professor e o 'bom' enfermeiro tutor. Enquadra-se na filosofia da supervisão do Ensino Clínico em Cuidados Primários/Diferenciados, Área de Enfermagem Comunitária e Familiar, centrada no estudante motivando-o com ambientes de aprendizagem estimulantes e usando estratégias formativas que estimulem a autonomia supervisionada. Referências bibliográficas: Abreu, W. (2007). Formação e aprendizagem em contexto clínico: fundamentos, teorias e considerações didácticas. Formasau. Coimbra, Portugal. Carrageta, M.C. & Neves, M.M. (2018). Ensino Clínico Cuidados Primários/Diferenciados. Área de Enfermagem de Saúde Comunitária e Familiar: Guia Orientador. Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Coimbra, Portugal. Diretiva 2005/36/CE, de 7 de Setembro. Jornal Oficial da União Europeia. Série L, nº 255. Parlamento Europeu, Conselho da União Europeia. Luxemburgo. Ventura, M.C., Neves, M.M., Loureiro, C.R., Frederico-Ferreira M.M. & Cardoso, E. (2011). O "bom professor" - opinião dos estudantes. Revista de Enfermagem Referência, III Série(5), 95-102.