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A pandemia por COVID-19, enquanto transição acidental, suscitou respostas adaptativas, nas famílias no sentido da sua auto-organização, nomeadamente insegurança financeira, laboral, habitacional e no apoio da rede de proximidade, trazendo Implicações importantes na saúde física e mental que se manifestaram nos padrões de interação familiar (Figueiredo, Loureiro, Silva, Ferreira & Barros, 2021). O Modelo Dinâmico de Avaliação e Intervenção Familiar (MDAIF) permite caraterizar o sistema familiar, identificar padrões relacionais e funcionais, associados ao desenvolvimento e ás transições não normativas, resultantes da alteração do estado de saúde dos seus membros ou decorrentes de outras flutuações, internas e externas geradoras de crise familiar, como é o caso da pandemia por COVID-19 (Figueiredo, 2012) . Identificar as mudanças ocorridas na organização e funcionamento das famílias, no decorrer da Pandemia por COVID-19: Na dimensão estrutural do MDAIF - Rendimento familiar e Rede social de apoio; Na dimensão de desenvolvimento do MDAIF - Satisfação Conjugal. Estudo quantitativo descritivo. Amostragem por rede, 234 elementos de famílias, com 18 e mais anos, residentes em Portugal. Aproximadamente 60% dos participantes pertencem a famílias nucleares (59,8%), seguidas das famílias casal (12,4%), das famílias monoparentais (9,8%), família unipessoal (7,7%), famílias reconstruídas (4,7%), famílias alargadas (3,8%) e outras (1,7%). Os agregados familiares dos participantes apresentam em média 3,31(±1,17) elementos, variando entre 1 e 6 elementos. 73,1% dos participantes identificam a presença do subsistema conjugal nos agregados familiares. O rendimento familiar das famílias apresentou um baixo grau de mudança (média de 2,51). Das famílias que apresentaram mudanças com valor igual ou superior a 4; - 67,1% aponta diminuição do rendimento familiar, como é referido na maioria dos estudos. Contudo 32,9% refere que o rendimento aumentou o que pode relacionar-se com o teletrabalho ter reduzido os gastos nos combustíveis e também as famílias comprarem menos bens não essenciais. Relativamente ao consumo ou utilização de aquecimento, gás e água, os dados indicam que todos subiram evidenciando-se a média mais elevada de mudança no consumo de água com 4,16. No que se refere à intensidade de contacto a família extensa apresenta uma média de mudança de 5,29, o que indica um elevado grau de mudança, com 96,3% das famílias que referiu uma mudança igual ou superior a 4, na escala de tipo likert, a referir uma diminuição da intensidade de contacto. No que se refere ao apoio dos membros da família extensa ao agregado familiar verificou-se uma média de 3,71, com diminuição de 78% no apoio na companhia social, 64,8% com diminuição no apoio emocional e 69,6% na ajuda material e de serviços. A interação com os amigos apresentou uma mudança média de 5,75, dos quais 99%, dos que reportaram mudança igual ou superior a 4 registam uma diminuição da interação. No que respeita à satisfação conjugal, a partilha de tarefas domesticas teve um baixo grau de mudança com 2,82, contudo, os que registaram mudança superior ou igual a 4 registam 90,16% de aumento na partilha de tarefas domesticas. A expressão de sentimentos entre o casal demonstrou também um baixo grau de mudança com uma media de 2,86. No Padrão de comunicação do casal, o valor da média de mudança também se pode considerar baixo (2,76). O padrão de sexualidade do casal a mudança também apresenta um valor de media baixo com 2,58. As mudanças na Rede social de apoio e na satisfação conjugal, foram focos que tiveram implicações na dinâmica das famílias, assumindo-se que a mobilização de estratégias para a efetividade funcional do sistema familiar deve ser uma das prioridades em enfermagem de saúde familiar.