Autor(es):
Freitas, Ingrid Souza ; Martins, Cláudia
Data: 2021
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10198/36903
Origem: Biblioteca Digital da UPB
Assunto(s): Tradução Audiovisual; Acessibilidade Cultural; Audiodescrição: Objetividade; Subjetividade
Descrição
Com o aumento da visibilidade de grupos minoritários, nomeadamente, pessoas com deficiência sensorial em espaços culturais, tradutores deparam-se frequentemente com paradoxos linguísticos aquando da construção textual. A audiodescrição, uma das modalidades sustentadas pelos princípios da Tradução Audiovisual e que objetiva incluir pessoas cegas ou com baixa visão em contextos artístico-culturais, é caracterizada por Motta & Romeu (2010) como ―uma atividade de mediação linguística (…) que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e escola (p. 11). No âmbito museológico, reflete-se muito sobre a objetividade versus subjetividade nos textos, baseando-se na ideia de uma descrição simples e objetiva e, ao mesmo tempo, com uma narração rica em detalhes, capazes de recriar na imaginação o que está a ser descrito. O uso de uma linguagem mais objetiva é proposto por Axel et al. (1996) no guia Art Beyond Sight, onde refere a importância de uma ―linguagem clara e precisa‖. Esta ideia sobrepõe a ideia contrária de tornar o texto mais poético e vívido, empregando Pujol & Orero (2007) o recurso estilístico ekphrasis, onde utiliza-se uma descrição gráfica e dramática da obra. Neves (2008) aborda também a ideia de sound painting, conceito em que reforça a concepção de transformar imagens em palavras, a partir do uso de uma linguagem mais subjetiva, ―romantizando a descrição. A partir das perspectivas apresentadas, este trabalho pretende refletir sobre o uso dos diferentes estilos da escrita e o equilíbrio que o tradutor/audiodescritor deve encontrar face às questões linguísticas na composição de um texto.