Author(s): Silva, Patrícia
Date: 2026
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.3/9060
Origin: Repositório da Universidade dos Açores
Subject(s): Inteligência Artificial; Desinformação; Esfera Pública; Geopolítica; Regulamentação
Author(s): Silva, Patrícia
Date: 2026
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10400.3/9060
Origin: Repositório da Universidade dos Açores
Subject(s): Inteligência Artificial; Desinformação; Esfera Pública; Geopolítica; Regulamentação
A emergência da Inteligência Artificial (IA) representa, simultaneamente, a maior promessa de progresso da História e a mais significativa ameaça existencial à civilização humana. Este estudo investiga o impacto da IA na soberania individual e dos Estados, questionando se o controlo algorítmico, que progressivamente antecipa e molda a tomada de decisões, está a transformar a sociedade em meros indivíduos alienados dos verdadeiros pilares da soberania política. O impacto da IA transcendeu o plano potencial para se manifestar como uma força determinante na geopolítica e na política doméstica. A investigação foca-se na mitigação dos riscos que esta tecnologia representa para as Relações Internacionais, com particular ênfase na propagação massiva de desinformação, na manipulação da opinião pública e na alteração do comportamento eleitoral. A ausência de uma entidade reguladora global criou um vácuo ético que ameaça a dignidade, a privacidade e os direitos fundamentais em democracias tidas como sólidas. Através da Teoria Crítica da Esfera Pública de Jürgen Habermas e pela sua Ação Comunicativa compreenderemos a evolução da comunicação e o seu impacto social. Este enquadramento é complementado pela análise de Jason Stanley que demonstra como as plataformas digitais — através das "bolhas de filtro" e "câmaras de eco" — exacerbam a polarização ideológica e subvertem o pluralismo político, aproximando as sociedades de discursos autoritários e populistas. Para evidenciar a instrumentalização da IA por agentes políticos, serão analisados dois casos de estudo cruciais: as Eleições Presidenciais dos EUA, de 2016 (e o papel da Cambridge Analytica) e o Referendo do Brexit, de 2016. Estes eventos demonstram a enorme capacidade que a IA tem em moldar perspetivas e alterar o curso da história através da manipulação informacional direcionada, alertando para a gravidade dos riscos. O estudo visa, assim, fornecer uma análise minuciosa do panorama atual, sublinhando a imperiosa necessidade de estudar o passado para salvaguardar o futuro da ordem democrática contra a repetição de erros históricos de manipulação e propaganda, propondo uma clara regulamentação da IA.