Autor(es):
Melo, Raquel ; Zêzere, José ; Oliveira, Sérgio ; Garcia, Ricardo A C ; Oliveira, Sandra ; Pereira, Susana ; Piedade, Aldina ; Santos, Pedro Pinto
Data: 2019
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/10451/41548
Origem: Repositório da Universidade de Lisboa
Projeto/bolsa:
info:eu-repo/grantAgreement/FCT/3599-PPCDT/PTDC/GES-AMB/30052/2017/PT;
info:eu-repo/grantAgreement/FCT/6817 - DCRRNI ID/UID/GEO/00295/2019/PT;
Assunto(s): Rotas de evacuação; Tempos de evacuação; Áreas seguras; Escoadas de detritos
Descrição
Os primeiros relatos, documentados, sobre a ocorrência de escoadas de detritos na região de Manteigas e do vale do Zêzere (Serra da Estrela, Portugal) remontam ao séc. XIX, numa altura em que as vertentes, que circundam a vila de Manteigas, se encontravam desprovidas de vegetação. Em 1804, a vila foi afetada por uma escoada de detritos que destruiu cerca de 20 casas e provocou a morte a um igual número de pessoas, tendo sido este o único evento, até à data, onde se verificaram vítimas mortais. Contudo, uma compilação de registos elaborada por Freitas (1989) sugere a recorrência de escoadas de detritos nesta área. O último evento de magnitude considerável teve lugar em outubro de 2005, apenas 2 meses após a deflagração de incêndios florestais no vale do Zêzere. Considerando este evento, Melo et al. (2018) aplicaram um modelo dinâmico, a 2D, com o objetivo de simular, por retroanálise, o comportamento reológico das escoadas de detritos desencadeadas em 2005 e, posteriormente, elaborar cenários de propagação, à escala da bacia hidrográfica, num contexto de ausência de vegetação. O referido modelo, que simula os processos de iniciação, erosão, propagação e deposição de fluxos de uma fase, sobre superfícies topográficas irregulares, permitiu a estimativa da velocidade do fluxo, do volume, da espessura dos depósitos e da extensão da propagação das escoadas de detritos. Adicionalmente, os cenários obtidos revelaram-se consistentes com os registos históricos de escoadas na área de estudo. Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo a comparação do resultado obtido no worst-case scenario (Melo et al., 2018) com o edificado atualmente existente e a população exposta. Pretende-se, assim, determinar as rotas seguras e o tempo de evacuação necessário, de acordo com as características dos residentes e com o declive encontrado ao longo do percurso, desde as suas habitações até aos locais definidos como ponto de encontro seguro.