Author(s): Sousa, Lúcia Filipa Guimarães Vieira ; França, Ângela Maria Oliveira Sousa ; Muzny, Christina A. ; Cerca, Nuno
Date: 2024
Persistent ID: https://hdl.handle.net/1822/95943
Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho
Author(s): Sousa, Lúcia Filipa Guimarães Vieira ; França, Ângela Maria Oliveira Sousa ; Muzny, Christina A. ; Cerca, Nuno
Date: 2024
Persistent ID: https://hdl.handle.net/1822/95943
Origin: RepositóriUM - Universidade do Minho
A vaginose bacteriana (VB) é a infeção vaginal mais comum em mulheres em todo o mundo. A VB é caracterizada por um desequilíbrio na microbiota vaginal marcado por uma diminuição do número de espécies de Lactobacillus e um aumento do número de bactérias anaeróbias, que crescem num biofilme polimicrobiano. A formação de um biofilme polimicrobiano em casos de VB é uma das características mais associadas à VB, no entanto, o processo de formação desta comunidade microbiana e as consequências para a infeção são ainda largamente desconhecidos. Neste estudo, pretendemos analisar como 3 das espécies mais comummente associadas à VB, nomeadamente Gardnerella vaginalis, Fannyhessea vaginae e Prevotella bivia, adaptaram a sua fisiologia, quando crescidas num meio nutricionalmente rico [New York City (NYCIII)] ou num meio que simula as secreções do trato vaginal (mGTS). Para cumprir com este objetivo, foram formados os biofilmes contendo as 3 espécies nas duas condições distintas, tendo de seguida sido obtido o RNA destas culturas, e posteriormente sequenciado e analisado. A análise à composição dos biofilmes revelou que, em ambas as condições, os biofilmes eram maioritariamente compostos por G. vaginalis. Os resultados da sequenciação revelaram que, nos biofilmes formados em mGTS, foram identificados 927 genes sobre-expressos e 37 genes sub-expressos em G. vaginalis, 492 genes sobre-expressos e 104 genes sub-expressos em F. vaginae, e 166 genes sobre-expressos e 490 genes sub-expressos em P. bivia. Uma análise ontológica dos genes diferencialmente expressos mostrou que processos metabólicos e de biossíntese eram comuns entre os genes sobre-expressos em G. vaginalis, enquanto os genes sub-expressos estavam associados a transportadores de membrana. Para F. vaginae, transportadores transmembranares foram identificados entre os genes sobre-expressos, enquanto os genes sub-expressos estavam envolvidos em processos de metabolismo e celulares. Por fim, no caso de P. bivia, os genes sobreexpressos em mGTS estavam associados a processos transmembranares, enquanto os genes sub-expressos foram associados a processos metabólicos. Várias vias KEGG associadas a processos metabólicos foram também identificadas entre os genes subexpressos em F. vaginae e P. bivia. Este trabalho vem assim evidenciar a adaptação destas 3 espécies num meio que simula condições in vivo e que por isso pode contribuir para melhor compreensão das interações que ocorrem durante o desenvolvimento da VB.