Author(s):
Ribeiro, Raquel ; Lema, Mafalda ; Ferreira, Rita ; Claro, Célia ; Barroso, Pedro ; Baptista, Gorete
Date: 2026
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10198/37124
Origin: Biblioteca Digital do IPB
Subject(s): Comunicação; Delírio; Enfermagem; Unidade de Cuidados Intensivos
Description
O delírio é frequente em unidades de cuidados intensivos e associa-se ao aumento de morbilidade, mortalidade, tempo de internamento e défices cognitivos a longo prazo. A comunicação terapêutica constitui uma intervenção essencial na prevenção e gestão do delírio, mas permanece pouco sistematizada na prática clínica. Objetivos: Identificar e sintetizar a evidência disponível sobre estratégias de comunicação utilizadas pelos profissionais de saúde na comunicação com a pessoa em situação crítica, com delírio, em contexto de cuidados intensivos. Método: Foi realizada uma revisão integrativa de natureza descritiva e exploratória. A pesquisa decorreu em outubro de 2025 nas bases de dados MEDLINE, CINAHL, Scopus e Web of Science, utilizando descritores MeSH e termos livres relacionados com delírio, comunicação e unidades de cuidados intensivos. A seleção da pesquisa permitiu a análise de 20 artigos. Registo do protocolo: OSF (DOI: 10.17605/OSF.IO/R6DU5). Da análise emergiram três categorias principais: (1) Comunicação verbal e não verbal, destacando-se a importância de linguagem clara, calma, reorientação contínua, toque terapêutico, contacto ocular e presença empática; (2) Estratégias e ferramentas de comunicação, incluindo tecnologias assistidas que complementam a comunicação humana e reduzem ansiedade, agitação e sintomas delirantes; (3) família como veículo comunicacional, com evidência do papel das visitas, mensagens gravadas e intervenções familiares estruturadas na reorientação, segurança emocional e humanização dos cuidados. Conclusão: A comunicação terapêutica, nas suas dimensões verbal, não verbal, tecnológica e familiar, constitui uma intervenção central e baseada em evidência para a prevenção e gestão do delírio em cuidados intensivos. O enfermeiro assume um papel nuclear como mediador e educador comunicacional, reforçando a necessidade de formação específica, protocolos estruturados e maior envolvimento familiar na prática clínica.