Autor(es):
Dionísio, Joana ; Henriques, Mariana ; Ascensão Pinheiro, Teresa ; Antão, Diogo ; Delgado, Sofia ; Rêgo, André ; Saraiva, Marlene ; Machado, Sara ; Leitão, Lia ; Parreira, Elsa ; Santos, Mariana
Data: 2026
Origem: SINAPSE
Assunto(s): Custo da Doença; Esclerose Múltipla/tratamento farmacológico; Perturbações de Enxaqueca/ tratamento farmacológico; Serviço de Farmácia Hospitalar; Serviços Comunitários de Farmácia; Community Pharmacy Services; Cost of Illness; Migraine Disorders/drug therapy; Multiple Sclerosis/drug therapy; Pharmacy Service, Hospital
Descrição
Introduction: Besides dosage, monitoring, and adverse effects, difficulties in accessing treatment contribute to the overall burden associated with medication. Collecting multiple sclerosis (MS) and migraine medications from Hospital Pharmacy Services (HPS) improves adherence, but the distance from home and the time-consuming process may negatively affect patients' lives. We aimed to evaluate the impact of collecting MS/migraine therapy from HPS. Methods: This was a single-centre, observational, cross-sectional study based on an anonymous online questionnaire. The questionnaire included data on treatment collection, satisfaction with treatment [Patient Global Impression of Change (PGIC)], and disability scales (MSIS-29 for MS; MIDAS for migraine). Adults with MS/migraine who had been collecting medication from HPS for more than 3 months were included. Descriptive statistics were performed using SPSS®. Results: Among 145 participants (MS = 108; migraine = 37), 64.8% were women, with a median age of 48 years. The average scale scores were PGIC: 5/7; MSIS-29: 42.0%; MIDAS: 21/90. 85.5% of patients collected their medication themselves; however, 34.5% of those responsible for collection frequently or very frequently missed work to do so. On average, patients spent 1.1 hours (σ = 1.0) to reach the hospital (mean distance: 16.1 km, σ = 13.4) and a mean of 1.1 hours (σ = 0.6) waiting at the HPS. The estimated annual time spent (ATS) on medication collection was 13.5 hours/year (σ = 12.4). Waiting time at the HP was a predictor of satisfaction with the collection method, which had a median score of 3 (1 = strongly disagree, 5 = strongly agree), negatively correlating with ATS (p < 0.001, R² = 0.7 and 0.9). Most participants (73.1%) preferred collecting their medication from a community pharmacy. Conclusion: For patients with MS and migraine, optimizing the hospital or community medication dispensing process could imply a significant improvement in their quality of life.
Introdução: Além da posologia, monitorização e efeitos adversos, as dificuldades no acesso à terapêutica fazem parte do impacto associado à medicação. A recolha da terapêutica da esclerose múltipla (EM) e da enxaqueca em Farmácia Hospitalar (FH) promove a adesão, mas a distância ao domicílio e morosidade do processo poderão influenciar negativamente a vida dos doentes. O nosso objetivo foi avaliar o impacto do levantamento de terapêutica para EM/enxaqueca na FH. Métodos: Estudo unicêntrico, observacional, transversal, baseado no preenchimento de questionário online, anónimo, incluindo dados da recolha da terapêutica, escalas de satisfação com o tratamento [percepção global de mudança (PGIC)] e de incapacidade (MSIS-29, EM; MIDAS, enxaqueca). Foram incluídos adultos com EM/enxaqueca sob terapêutica de recolha em FH, há mais de 3 meses. Estatística descritiva realizada com SPSS®. Resultados: Em 145 participantes (EM = 108; enxaqueca = 37), 64,8% eram mulheres, com idade mediana de 48. Pontuações médias nas escalas: PGIC 5/7; MSIS-29 42,0%; MIDAS: 21/90. Em 85,5%, os doentes recolhem a sua medicação; contudo, 34,5% dos responsáveis pela recolha faltam frequentemente/muito frequentemente ao emprego para tal. Em média, demoram 1,1 h (σ = 1,0) até chegarem ao hospital (distância média 16,1 km, σ = 13,4) e 1,1 h na FH (σ = 0,6). Estima-se um tempo gasto anualmente (TGA) com o levantamento da medicação de 13,5 horas/ano (σ = 12,4). O tempo de espera na FH foi preditor do nível de satisfação com o método de recolha, que, em mediana, foi de 3 (1 = nada de acordo, 5 = totalmente de acordo), correlacionando-se negativamente com o TGA (p < 0,001, R² = 0,7 e 0,9). A maioria dos participantes (73,1%) preferia recolher a medicação numa farmácia comunitária. Conclusão: Para os doentes com EM e enxaqueca, uma otimização do processo de dispensa hospitalar ou na comunidade da sua medicação poderá traduzir-se numa melhoria significativa na sua qualidade de vida.