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Práticas de enfermagem na manutenção do CVC

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Resumo:A infeção da corrente sanguínea é uma situação clínica de extrema complexidade e com alto risco de mortalidade associado. Medidas preventivas relacionadas com o cateter venoso central, suportadas nas boas práticas, repercutem-se na qualidade e segurança dos cuidados de saúde. No contexto clínico, vamos verificando que as práticas de manutenção do cateter venoso central, executadas pelos profissionais, muitas vezes, afastam-se das recomendações emanadas pelas entidades de saúde. Este distanciamento, de causa multifatorial, está associado ao défice de conhecimentos, constrangimentos estruturais e processuais, organização dos cuidados, entre outros. Deste modo, temos como objetivos do estudo identificar a prática dos enfermeiros na manutenção do CVC, em doentes internados em UCI e a associação dessa prática com as variáveis sociodemográficas e profissionais. Desenvolvemos um estudo quantitativo, observacional, descritivo e transversal. O instrumento de recolha de dados utilizado, foi desenvolvido especificamente para o estudo, baseando-se na norma da DGS “Feixe de Intervenções de Prevenção de Infeção Relacionada com Cateter Venoso Central” e do “Quick Observation Tools (QUOTs) for Infection Prevention” do CDC/APIC. Constituiu-se uma amostra de conveniência de 50 enfermeiros, num contexto clínico de cuidados intensivos, de um hospital português. Como resultados da observação da prática de manutenção do cateter venoso central, obtivemos uma média de adesão às boas práticas entre 86% a 100% em 12 do total de 19 itens da grelha. Em nove itens, todos os participantes cumpriram com as recomendações, entre as quais friccionar com clorohexidina a 2% em álcool ou álcool a 70º nos pontos de acesso a prolongadores ou sistemas e a utilização de clorohexidina a 2% em álcool na antissepsia da pele. Quanto ao autorrelato dos enfermeiros sobre a prática de manutenção do cateter venoso central, verificamos que embora os enfermeiros especialistas apresentem maior adesão às recomendações (M=3,55; DP=0,25) do que os enfermeiros de cuidados gerais (M=3,47; DP=0,25), estas diferenças não têm significado estatístico (t[33]=0,85; p=0,4). De igual forma, enfermeiros com experiência profissional em UCI superior a 5 anos apresentam maior adesão (M=3,55; DP= 0,27) do que os enfermeiros com experiência profissional em cuidados intensivos até 5 anos (M=3,44; DP=0,23), mas estes resultados não têm significado estatístico (t[33]=1,28; p=0,21). Globalmente, os resultados desta investigação apontam para uma prática de enfermagem tendencialmente alinhada com as recomendações das entidades nacionais e internacionais, facto que foi constatado quer através da observação das práticas, quer do autorrelato dos enfermeiros sobre essas mesmas práticas.
Autores principais:Júlio, Margarida Sofia Oliveira Pinto
Assunto:Cateter Venoso Central Infeção Associada a Cuidados de Saúde Infeção da Corrente Sanguínea Práticas de Enfermagem
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto
Idioma:português
Origem:Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto
Descrição
Resumo:A infeção da corrente sanguínea é uma situação clínica de extrema complexidade e com alto risco de mortalidade associado. Medidas preventivas relacionadas com o cateter venoso central, suportadas nas boas práticas, repercutem-se na qualidade e segurança dos cuidados de saúde. No contexto clínico, vamos verificando que as práticas de manutenção do cateter venoso central, executadas pelos profissionais, muitas vezes, afastam-se das recomendações emanadas pelas entidades de saúde. Este distanciamento, de causa multifatorial, está associado ao défice de conhecimentos, constrangimentos estruturais e processuais, organização dos cuidados, entre outros. Deste modo, temos como objetivos do estudo identificar a prática dos enfermeiros na manutenção do CVC, em doentes internados em UCI e a associação dessa prática com as variáveis sociodemográficas e profissionais. Desenvolvemos um estudo quantitativo, observacional, descritivo e transversal. O instrumento de recolha de dados utilizado, foi desenvolvido especificamente para o estudo, baseando-se na norma da DGS “Feixe de Intervenções de Prevenção de Infeção Relacionada com Cateter Venoso Central” e do “Quick Observation Tools (QUOTs) for Infection Prevention” do CDC/APIC. Constituiu-se uma amostra de conveniência de 50 enfermeiros, num contexto clínico de cuidados intensivos, de um hospital português. Como resultados da observação da prática de manutenção do cateter venoso central, obtivemos uma média de adesão às boas práticas entre 86% a 100% em 12 do total de 19 itens da grelha. Em nove itens, todos os participantes cumpriram com as recomendações, entre as quais friccionar com clorohexidina a 2% em álcool ou álcool a 70º nos pontos de acesso a prolongadores ou sistemas e a utilização de clorohexidina a 2% em álcool na antissepsia da pele. Quanto ao autorrelato dos enfermeiros sobre a prática de manutenção do cateter venoso central, verificamos que embora os enfermeiros especialistas apresentem maior adesão às recomendações (M=3,55; DP=0,25) do que os enfermeiros de cuidados gerais (M=3,47; DP=0,25), estas diferenças não têm significado estatístico (t[33]=0,85; p=0,4). De igual forma, enfermeiros com experiência profissional em UCI superior a 5 anos apresentam maior adesão (M=3,55; DP= 0,27) do que os enfermeiros com experiência profissional em cuidados intensivos até 5 anos (M=3,44; DP=0,23), mas estes resultados não têm significado estatístico (t[33]=1,28; p=0,21). Globalmente, os resultados desta investigação apontam para uma prática de enfermagem tendencialmente alinhada com as recomendações das entidades nacionais e internacionais, facto que foi constatado quer através da observação das práticas, quer do autorrelato dos enfermeiros sobre essas mesmas práticas.